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VENEZUELA
Diferente não é errado
Excelentes as colocações do Sr. Luiz Antonio Magalhães. É muito bom ver que ainda existem pessoas que, com diferentes ângulos de visão sobre um mesmo assunto, ajudam a população a entender melhor que o que está diferente não é necessariamente errado. Parabéns.
Petterson
Barreto, analista de Comércio
Exterior
O comercial no jornalismo
A Veja há tempos usa deste artifício, joga para a torcida, pois seus leitores, entre os quais não me incluo mais, são adeptos deste tipo de atitude. Assim julgo que sua coerência comercial avança sobre o jornalismo e fabrica tais opiniões.
Sérgio Ricardo, Santos, SP
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Revista
falastrona, cobertura beócia –
Luiz Antonio Magalhães
E nós, estamos imunes?
Há algo de podre abaixo do Equador. Definitivamente, acima também: as coisas não cheiram nada bem. Basta uma breve reflexão acerca da maneira como a mídia noticiou os acontecimentos na vizinha Venezuela e como se tem posicionado em relação aos desdobramentos dos fatos. Pode-se dizer que o leitor se sente órfão devido à falta de uma análise clara e profunda da realidade de nossos vizinhos. Preocupamo-nos tanto com picuinhas e fofocas dos noticiários da TV, os big-brothers, casa disto ou daquilo, e nos esquecemos de coisas bem mais relevantes. Talvez seja melhor alienar-se e não prestar muita atenção aos noticiários, que, afinal, não servem para esclarecer quase nada (pelo menos a maioria), senão distorcer a realidade, atenuando com eufemismos golpes de Estado e, conseqüentemente, mostrando os riscos que corremos nas próximas eleições.
Mas tudo isso já foi dito de maneira mais elucidativa pelo OI, talvez o único veículo a abordar de maneira tão responsável a atuação da mídia nos acontecimentos. O que, todavia, parece assustador é que apesar de tudo as coisas não mudam ou pouco mudam na opinião pública. Vivemos reféns de uma pseudodemocracia, manipulados pelos formadores de opinião (oligopólios midiáticos?), dizendo-nos o que devemos pensar, como devemos agir ou a quem devemos escolher para dirigir nosso país.
Depois nos surpreendemos quando recrudescem movimentos de ultradireita ou quando aparecem demagogos extremistas de plantão com discursos salvacionistas. O estado de violência e desigualdade social em que vivemos é o melhor solo para a fertilização de tais idéias e riscos. Juntem-se a isso interesses escusos, o servilismo de uma grande parte da mídia, resquícios de nossa recente ditadura mais uma massa popular manipulável, e temos o que de pior poderíamos não desejar.
Até quando serviremos de campo de manobras para os interesses democráticos do grande defensor das democracias nas Américas e no mundo? Poder-se-ia perguntar: que tipo de democracia é esta ou de defensor que a defende de acordo com o que lhe é mais conveniente no momento? Claro que não somos tão ingênuos a ponto de acreditar num mundo ideologicamente perfeito, mas um pouco de ética e consciência política não faria mal a ninguém.
Enquanto isso podemos encontrar artigos como o do New York Times na internet (por Chistopher Marquis, 25/4/2002), que cita as doações de agências do governo americano feitas a grupos atuantes na Venezuela a fim de fortalecer partidos políticos, sindicatos etc., numa clara política de apoio à desestabilização do governo Chaves. É papel da imprensa aprofundar-se nessas questões e do Estado investigar juridicamente a veracidade dessas denúncias.
Outras perguntas pertinentes que nos faríamos – estamos imunes a esse tipo de intervenção? É lícita? Qual a postura que a nossa imprensa deve assumir se porventura isso ocorrer? (O foco começa a mudar de direção, voltando-se para outro vizinho em apuros há algum tempo, a Argentina)
O que está em jogo é a nossa democracia e não devemos de maneira alguma permitir qualquer espécie de golpe ou intervenção, subvencionada por quem quer que seja.
Afonso Caramano,
32 anos, funcionário público municipal, Jaú, SP
De que lado ficamos?
Carta marcada. Num despertar político para as reais necessidades de seu país, governos como o de Chávez põem em questão até onde o governante atua e até onde setores da sociedade como mídia, Igreja, empresários, petroleiros e militares podem blefar nos interesses de um todo beneficiado. Aliás, são nessas horas em que a manipulação de imagens e informações, além de afirmações categóricas e a observação de um jornalismo de classes não-comprometido com a transparência dos fatos, preocupa o futuro da veiculação democrática e condizente com a realidade de fato, o que nos deve fazer pensar de que lado queremos estar nesta história.
Ana
Luiza Jacques
O Correio é ignorado, sim
Não vale cobrar dos observadores do DF uma avaliação da cobertura sobre o caso Venezuela, que somente um jornalista experimentado em política internacional poderia fazer. Os jornalistas deveriam ler o jornal da capital e observar o que acontece por aqui. É constante no OI articulistas resumirem a cobertura "nacional" aos "grandes" jornais, e esquecerem o Correio Braziliense.
Vera Silva
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