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ELEIÇÕES 2002
Os impostos de Lula

Toda sexta-feira aguardo com ansiedade a próxima sacanagem armada pela Rede Globo no Jornal Nacional. Em 26 de abril, assisti aos "enxertos" de uma das propostas de Lula sobre reforma tributária, que visasse aumentar os impostos (sic). Depois vieram as críticas de seus principais adversários. Omitiram do lead de seu noticiário o "por que" e o "como". Quer dizer, esqueceram de mostrar "por que" ele queria isso, omitiram uma parte do "como". Se fosse o Serra! Eu entendo perfeitamente. Sempre que se tenta discutir (ou implementar) alguma política de redistribuição de renda neste país os principais grupos interessados em manter as coisas como estão dão sua desonesta contribuição. Não é à toa que estamos entre os países em que a distribuição de riqueza é mais deficitária, mas não por falta de vontade de alguns.

Rafael Regis

 

E a farsa do voto eletrônico?

Sinto falta de informações, em todas as mídias, principalmente na TV, sobre a farsa da contagem eletrônica dos votos. Inclusive, não tenho visto matérias sobre isto, nem mesmo neste Observatório.

Eneida Melo

Nota do OI: Prezada Eneida, o nosso colaborador Pedro Antonio Dourado de Rezende já escreveu mais de uma vez sobre o assunto a que você alude. A última delas na edição nº 169 (anterior a esta), na Parte III do artigo "Informática, arma e panacéia" [remissão abaixo]. Use e abuse do nosso canal Busca. abraço (L.E.)

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Informática, arma e panacéia: a urna eletrônica do TSEPedro Antonio Dourado de Rezende

 

Vírus do machismo

Não consegui – e nem mais quis! – ler a matéria "Opinião Pública, esta desconhecida", porque logo de início detectei o vírus do machismo no autor cujo nome fiz questão de não ler ou de guardar – ao referir-se a Roseana Sarney como "Sra. Murad". Este vírus tem como um dos sintomas – entre outros – o fato de a mulher ser sempre a irmã de alguém, a filha de alguém, a esposa de alguém, a amante de alguém, a namorada de alguém e por aí vai. Muito oportuno foi o título da matéria: "Opinião pública, esta desconhecida". Pelo menos as opiniões das mulheres, não das barbies louras e morenas produzidas pelos meios de comunicação – estamos tentando tornar conhecidas...

Marli Ribeiro

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Opinião pública, esta desconhecida – Antonio Fernando Beraldo

 

Não esqueçam o Casal 20

Será que a tirania da notícia, que, adaptando-se ao modelo globalizado de comunicação, tem sempre que ser fresca, nova, como um produto qualquer, vai esquecer o Casal 20 Roseana/Murad, que tantos prejuízos trouxe ao nosso pais, já que não estão mais no jogo da eleições? O que há de errado com o jornalismo maduro, investigativo? Muitas vezes a notícia aparentemente fria pode pegar fogo, só depende do jornalista, sem contar o serviço que o profissional estará prestando à sociedade. Ou será que esquecemos uma de nossas funções básicas?

Espero que os homens da nossa imprensa mudem seu foco ético e moral (embora saiba que muitos não têm estes atributos indispensáveis à profissão) e vejam a notícia. Não só como mero produto para vender jornal, mas como um braço avançado da sociedade. Ainda sou estudante de Jornalismo, mas sei muito bem o que é ética.

Adriano Miguel Gonçalves

 

No fim, o portunhol

A imprensa européia pouco fala do Brasil e quando o faz, os assuntos normalmente tratam de futebol, corrupção política, devastação da Floresta Amazônica e turismo sexual. A revista Il Venerdi, suplemento do diário La Repubblica, abriu uma exceção, fala sobre os candidatos à presidência nas próximas eleições brasileiras, particularmente sobre Roseana Sarney, com foto e tudo, num artigo assinado por Marco Cicala. Diz sobre ela coisas certas: que pertence a uma oligarquia no seu estado, que é a primeira mulher que pode chegar à presidência; que é governadora reeleita de um estado cujos índices econômicos caíram enquanto os da nação subiram; que os intelectuais brasileiros a esnobam por tê-la como um produto da mídia, mais um rostinho bonito sem um mínimo programa a apresentar. Que Roseana vem apresentada como a "número um" em alusão à publicidade da uma cerveja, mas que um adversário não perdeu a ocasião de comentar: "Se vencer será mesmo como a cerveja: passada a euforia do porre, ficará somente a ressaca."

Tudo está muito bem, salvo um pequeno erro de colocá-la no Partido Liberal, e um grande erro: a matéria circulou no dia 19 de abril, quando a candidatura de Roseana já não mais existia devido ao escândalo financeiro de sua empresa.

Mas a imprensa européia sempre se atrapalha quando fala do Brasil: o subtítulo da matéria é o seguinte: "La señora de ferro", confusão entre espanhol e português.

Giulio Sanmartini

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