01/07/2003 6/9

Envie para um amigo  Procure no arquivo

FOLHA E LEGALIDADE
Conceitos transgênicos

Lendo o editorial da Folha de S. Paulo de quinta-feira deparei-me com um fato no mínimo inusitado. Observem os argumentos abaixo:

"Numa democracia, é perfeitamente legítimo que pessoas ou grupos com determinado interesse específico pressionem o governo e a sociedade para ver sua demanda atendida. Lobbies e campanhas para tentar influenciar a opinião pública fazem parte do jogo democrático. O que é inadmissível é que esses grupos troquem o terreno da discussão e partam para a política do fato consumado, mesmo que em desafio à lei, para tentar impor sua posição."

No caso, a Folha ataca os produtores de soja do Sul, agindo à margem da lei, mas não é exatamente isso que o jornal fez por anos com a questão da obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo? Ainda houve espaço para um parágrafo pedindo punição para os culpados:

"Infelizmente é isso o que estão fazendo agricultores de soja do sul do país, que seguem plantando sementes transgênicas apesar da proibição da Justiça. Esta Folha defende a liberação da soja transgênica para o plantio, mas evidentemente repudia atitudes tomadas à margem da lei. O governo deve agir duramente contra os produtores rebeldes. O que está em jogo aqui é a própria credibilidade da lei, da Justiça e do Estado."

Rafael Pereira

 

JORNAL ESPÍRITA
Tratamento criminoso

Acompanho o vem acontecendo com o colega João Pascale na Federação Espírita do Estado de São Paulo. Como agnóstico, não entro em polêmicas religiosas, mas o caso do colega Pascale extrapola o âmbito estreito de uma instituição religiosa e ingressa no terreno do crime contra a legislação trabalhista e os direitos humanos. João Pascale é um profissional competente, culto e inteligente e um homem honrado. É inaceitável que esteja sendo tratado de modo cafajeste e criminoso pela Federação Espírita do Estado de São Paulo. E mais inaceitável é que o trabalho sujo esteja sendo realizado por uma "colega", responsável por uma assessoria de imprensa que presta serviço (sujo) para a Federação.

A direção da Federação Espírita do Estado de São Paulo está sendo objeto de sérias acusações em várias listas de discussão veiculadas pela internet. É um assunto que deve ser analisado e investigado pelo Sindicato dos Jornalistas, pelos órgãos competentes do Ministério do Trabalho, pelo Ministério Público estadual e que mereceria uma CPI da Assembléia.

Luthero Maynard, colunista do Diário de S.Paulo e da revista Ensino Superior

Leia também

Perseguição a um jornalista – Marcelo Fiorini

 

PERGUNTA DA URNA
Não, pelo amor dos deuses!

Vocês estão pensando em produzir "notícia" para o mundo a partir do Brasil? Meu Deus, cruz credo!!! O que estão pretendendo? Isso não vai dar certo. É só observar o nível de informação do povo brasileiro para ver que isso é uma idéia de jerico, uma heresia. Se os ministérios das Comunicações dos países desenvolvidos souberem que há esta idéia aqui será um pretexto para Bush, Blair e Asnar nos atacarem. Parem com isso, pelo amor de Deus, de Alá, Buda, Tupã etc.!

Nedi Carlos da Rosa, São Paulo

 

Necessidade não há

Eu acho que vocês poderiam reformular a pergunta da pesquisa urna. Existe uma diferença em perguntar "Há necessidade de uma emissora mundial de notícias em língua portuguesa?" – necessidade, não – e "Você é a favor da criação de uma emissora mundial de notícias em língua portuguesa?" Entenderam a diferença?

Fábio, 15 anos, Palmas, TO

 

NOVELA DAS OITO
Sexismo e adjetivação

Os comentários sobre a "novela das oito" da TV Globo – a que não assisto, mas me vejo obrigada a ver cenas mostradas durante intervalos de noticiários, antes de alcançar o controle remoto – feitos por alguns senhores neste meio de comunicação chamaram minha atenção pelo fato de as "mulheres da novela" levarem sobre as cabeças uma enxurrada de adjetivos e expressões. Deve ser porque a novela tem o nome de "mulheres apaixonadas", porque, se fosse "homens apaixonados" os adjetivos teriam que ser outros, claro. Ou seja, em vez de enciumada, submissa, carente, insegura, adjetivos novos dados, disseram, à antiga "amélia" e "mulher de malandro", ou ainda louca varrida, lésbica, matrona que fatura rapazinho, mulher com a afetividade desorganizada, teríamos o homem-galinha, o louco varrido, o espancador de esposa, o espancador de filha. E outros poderiam ser acrescentados para justificar a trama, claro. O alcoólatra (!), o homossexual masculino (!), o gigolô, o já tão famoso velho que fatura a jovem... ou o jovem, ou o rapazinho que fatura – disseram! – a matrona (rica). E, por que não, o enciumado, o submisso, o carente, o inseguro, ou o com a afetividade desorganizada e quantos adjetivos e expressões a audiência da novela lhes quisesse acrescentar.

Mas, olhando pelo outro lado, será que muitos desses adjetivos e dessas expressões também não poderiam ser colados à testa dos personagens masculinos de "mulheres apaixonadas"? Que falta de visão! E o autor diz que está retratando a sociedade!

Marli Ribeiro

Leia também

Novo status para velhos desvios – José Renato M. de Almeida

A decadência do padrão global – Silas Corrêa Leite

Mande-nos seu comentário


Observatório | Índice da edição | Busca
Objetivos | Purposes | Edições anteriores
Modo de Usar | Banca | Jornalistas na Net | Equipe