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MÍDIA & GUERRA
Longe da democracia

Ao interferir nos mais diversos veículos de comunicação de massa dos EUA para evitar que fossem transmitidas as notícias relativas aos soldados americanos mortos em combate ou aprisionados pelo exército iraquiano, durante os desdobramentos do conflito no Golfo Pérsico, o governo do presidente Bush deu uma demonstração cabal de que está longe de ser o modelo de democracia que apregoa aos quatro cantos do mundo, pois ao manipular o nível de informação a ser repassado para seus cidadãos, comportou-se exatamente como faz qualquer regime ditatorial de plantão, arvorando-se o direito de decidir, de acordo com suas mesquinhas conveniências, até que ponto o seu povo deve ser mantido na escuridão da ignorância.

A mídia norte-americana também sai maculada do episódio, pois, ao esconder do público fatos de repercussão mundial, traiu o preceito profissional de compromisso com a notícia, comprometendo a áurea de liberdade de expressão conquistada ao longo da sua história. É uma lástima que, cedendo aos burocratas do governo, principalmente para atender a duvidosos interesses militares, tradicionais e prestigiosos órgãos da imprensa tenham docilmente permitido a censura da sua pauta jornalística.

Júlio Ferreira, Recife

 

Perto da democracia

O artigo de Alberto Dines sobre os tambores da guerra está ótimo. Parabéns a todos do Observatório da Imprensa pelo excelente conteúdo. Assisti ao programa de 25 de março e já registrei o endereço eletrônico na lista de favoritos. Precisamos de um espaço na mídia independente como o de vocês para ter acesso a opiniões que ajudem realmente a formar o democracia no Brasil.

Pedro Amando de Barros

 

Estamos perdidos?

Qual a solução para a imprensa? Estamos perdidos? Ou resta uma esperança para mídia? Será que por a mídia ser empresa capitalista nunca teremos, efetivamente, uma informação que informe?

Ilda Nogueira

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Tambores da guerra vs. cultura da paz – Alberto Dines

 

Não foi golaço

Discordo da análise de Luiz Weis, sobre o suposto "golaço" da Folha de S.Paulo ao enviar o correspondente Sérgio D´Avila a Bagdá e, principalmente, em relação à qualidade das matérias enviadas por esse jornalista. Acostumado escrever sobre as frivolidades de Nova York, D´Avila passa ao leitor o deslumbramento de um repórter inexperiente. Na matéria de hoje (sexta-feira, 28/3), ele dedica boa parte do texto a comentar os bigodes iraquianos.

Com todo respeito, profissional e humano, que lhe devemos – afinal, D´Avila está arriscando a vida para informar o leitor brasileiro –, a qualidade de seu trabalho está muito aquém das matérias de Lourival Santana ou de Robert Fisk, que Weis cita em seu comentário.

Orlando Maretti

 

Luiz Weis responde

Não percebo nenhum deslumbramento nas matérias do enviado da Folha. Nem é verdade que ele dedicou "boa parte do texto" publicado na sexta-feira aos bigodes iraquianos. O que ele tem feito, todos os dias, além das matérias "hard", que ocupam mais espaço) é o que se costumava chamar "sides stories", sobre o cotidiano de Bagdá e jeito de ser dos iraquianos. E tem feito bem. Veja-se, a propósito, o seu texto sobre a burocracia local e a ironia sobre as origens da burocracia portuguesa. Se não foi por iniciativa própria, deve ter sido pautado para isso: em qualquer hipótese, isso reforça o que eu chamei de "olhar brasileiro" sobre um país e um povo com os quais o leitor aqui não tem propriamente familiaridade. Concordo com a avaliação das matérias do Lourival Sant’Anna. Mas, a menos de uma revolução na Jordânia, a notícia é Bagdá e não Amã. (L.W.)

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Dois golaços e um gol contra – Luiz Weis

 

JN das revistas

Belo artigo do professor Gilson. Belo pela crueza com que expõe como é preso o rabo do nosso Jornal Nacional das revistas. E dizer que a revista se vangloria de sua "independência" jornalística graças aos seus anunciantes... O alinhamento ideológico com Washington será coincidência? E afinal quem é superficial: a grande mídia, por causa do leitor (maioria semi-alfabetizada, inclusive classe média) ou o leitor por causa da grande mídia (mercantilizada e avessa a maiores e mais sérias reflexões porque isto não vende)?

Quanto aos EUA, por admiráveis que sejam suas instituições democráticas, é apenas mais um império em busca de sua perenidade... E por falar em instituições, causa desânimo o também alinhamento automático da mídia americana com o stablishment fascista que se aninha na Casa Branca.

Eder M. Santos, Uberlândia, MG

 

Muito bem dito

Prezado Gilson, muito bem dito. Parabéns pelo texto de altíssimo nível.

Ruy Paneiro

 

"Look and read"

De agora em diante, na última capa da revista "Look and read" virá escrito algo equivalente a "Versão Herbert Richers", e o nome do tradutor. Veja continua errando.

Humberto Crivellari

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Os limites do espetáculo - Gilson Caroni Filho

O sangue seco de Veja – Gilson Caroni Filho

 

Queixa-crime

Caro Vanderlei Dorneles, acabo de ler extasiado o seu ensaio "Veja e a razão imperialista". Já passa da meia-noite e simplesmente perdi o sono ao constatar que tudo o que acho a respeito da Veja não é ilusão. Só quero saber se posso entrar com alguma espécie de queixa-crime contra a Veja por tentar me fazer de idiota, como são idiotas muitos leitores que sempre concordam com o absurdo que é esta revista (às vezes penso que estes leitores não existem, são uma criação da revista para tentar nos enganar com mais argumentos). Ensaio brilhante, deveria ser leitura obrigatória de todos os leitores de Veja.

Após a leitura da matéria, percebi que não era apenas eu que notara um descompasso absurdo entre a imprensa nacional em geral e a revista Veja sobre a guerra ao Iraque. Assim, minha esposa, detentora da assinatura da revista que chega à nossa casa, tomou iniciativa de solicitar cancelamento da assinatura à Editora Abril, conforme transcrição abaixo. Desejaria muito que pelo menos 10% dos assinantes fizessem o mesmo, para ver se os editores mudam o perfil e não tentem nos fazer de bobos. Segue a carta à Abril.

Alexandre Cavassin, Curitiba

"Nossa família tem 3 assinaturas da editora Abril (já tivemos 5). Destas 3 assinaturas uma é da Veja, que meu marido tinha mas não renovou. Porém eu ganhei 4 edições gratuitas, não queria manter a assinatura, mas como não fui avisada a tempo acabei ficando com a assinatura. Porém, estamos muito decepcionados com a linha editorial de Veja. A revista tenta usar de todos os subterfúgios para convencer seus leitores de que a guerra do Iraque é justa, que as manifestações de paz são para otários e tenta apresentar números sem as devidas fontes numa clara manobra para convencimento à força. Sendo assim, estou solicitando o cancelamento da minha assinatura e reembolso do dinheiro pago, pois, segundo o Código de Defesa do Consumidor, eu tenho este direito ao me sentir lesada, e o produto ser de baixa qualidade, como é o caso de Veja. Se não for possível a devolução da quantia paga, quero pelo menos um bônus para assinatura de outra revista. Antoniella Polinari Cavassin.

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Veja e a razão imperialista – Vanderlei Dorneles

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