
LEI ALDO REBELO
Pura bobagem
"Yes", legislar visando manter-se a "pureza" de um idioma é pura bobagem. Haja vista ser o idioma inglês um bom exemplo de língua "bastarda" por excelência, fruto de enorme "promiscuidade lingüística" (pelo menos por quem defende esta aventura legiferante) e grande miscigenação. O inglês que sempre aceitou/roubou vocábulos de outros idiomas sem o menor constrangimento.
"When on the varandah please do police the coming of mosquitos... and if they do come, well, blitzkreig them with a good spray of repellant... No dia-a-dia do ambiente de trabalho mesmo, quando em contato com colegas que juram não saber falar o idioma, vejo-os entender perfeitamente quando se lhes pede para "printar o documento", dar um "boot no sistema" e fazer uma limpeza no "hard disk", clicando o "mouse" no ícone correto...
Os franceses que embarcaram nesta aventura de aplacar a inexorável e necessária evolução da maior conquista do ser humano que é a linguagem bem o sabem, embora possam relutar em admiti-lo. Eis que pela lei francesa "software" não existe, é "logiciel"; um avião Jumbo não seria pela lei um jumbo, mas "un avion de grande porteur" ou coisa parecida, e embora todos usem tais palavras continuadamente na França de nossos dias le weekend não existe, tão pouco le pick nick...
O Brasil tem certamente outras coisas com que se preocupar. And that’s that. C’ést tout e fim de papo.
Ian Fraser-Downey
Em boa hora
A lei veio em boa hora. É horrível ouvir e não entender, ler e não saber em que língua está escrito. Outro fato agravante é o tempo do verbo. A mídia não tem futuro, não tem passado, não tem condicional, não tem gênero, não tem número, não tem grau. É a mídia do "vai ser" que nunca foi e nunca será. Quem fala numa língua que a maioria não entende ou é burro ou não quer ser entendido ou é esnobe. É comum um repórter falar uma língua estrangeira, e quando fala a sua cometer vários erros de concordância tipo "fazem vários anos que fulano esteve aqui" (Jô Soares). Estive na Colômbia em 98: falava português, mas era tido por italiano, francês, nunca brasileiro! A língua é a nossa identidade, vamos preservé-la.
Targino Silva
Qual é o idioma?
Após ler o artigo me ficou a impressão de que estão achando pedir demais ter personalidade no falar, ler, escrever. Acredito que seria bem pertinente o jornalismo defender a tradução de outdoor para painel. Nos Estados Unidos, as únicas palavras que vi em português (não falo ou leio inglês) foram lidas nas lojas cujos proprietários eram brasileiros.
Com globalização ou sem globalização, deveríamos sim, agir como os franceses e na medida do cabível convertermos para o português aquilo que é ditado pelo idioma "americano" e não inglês, por mais que se nomeie inglês o idioma dos americanos. Às vezes, conversando com determinados profissionais, como os de "marketing", fico pensando qual é, hoje em dia, o idioma vigente: o nosso ou o "dos outros"?
Ana Maria Cordovil
A capital do estado da arte
O tema dos estrangeirismos presentes em nosso idioma tornou-se assunto em praticamente toda a mídia nacional ultimamente. Depois de ler tantas críticas sobre o uso de palavras e expressões estrangeiras, principalmente da língua inglesa, creio que ainda caberia uma pequena observação: pesem os esforços dos tradutores por fazer valer o idioma português sobre os demais, ainda é freqüente observarmos na imprensa a má tradução de uma expressão idiomática muito usada no meio informático.
Senhores tradutores, a expressão inglesa "state-of-the-art" não se traduz como estado da arte! Isso não tem o menor sentido na nossa língua. O equivalente seria "a última palavra" ou "o mais moderno". Mas, conformem-se, em outros idiomas "não ingleses" também é comum o erro: jornais de língua espanhola substituem a expressão espanhola "el no vá más" ou "lo último en" pelo bendito "state-of-the-art". Ou será que estou desatualizado e já existe algum estado nos EUA com esse nome?
José B. Silva
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