O CHEFE E SEU CLUBINHO
Também reclamei

Li o artigo "O chefe e seu clubinho" [ver remissão abaixo], e gostaria de relatar um fato relacionado a ele, envolvendo este cidadão que vos escreve e Adriano Silva, da SuperInteressante.

Como o articulista, também me senti ultrajado pela forma desrespeitosa com que o jornalista se refere ao seu subordinado. Portanto, me dirigi a Adriano Silva por e-mail e dele recebi uma resposta imediata. Abaixo, transcrevo minha indagação e a resposta do jornalista. Peço desculpas pelo tom irado da minha indagação e por algumas observações talvez exageradas, mas creio que consegui, ainda que em linhas tortas, expressar minha indignação.

"Caro Adriano Silva: meu nome é Érico San Juan, tenho 25 anos, sou artista gráfico e cartunista. Minha mãe, Maria José Gaspar San Juan, é assinante da revista. Sempre a acompanho e gosto especialmente da seção "SuperPolêmica". Li o número de abril (163) e tenho um comentário a fazer no que diz respeito à última "Carta ao Leitor", em especial quanto à frase "(...) (graças ao bom Deus, não carrega o sotaque caipira da região)".

O comentário sobre o sotaque caipira foi infeliz e preconceituoso. Como humorista que sou, compreendo que o nobre jornalista pode ter se utilizado do recurso da ironia. Também creio que, por ser humorista, eu despreze o modo "politicamente correto" de ver o mundo. Mas o comentário foi infeliz. Se Monteiro Lobato, um homem visionário, do interior, adentrasse hoje a redação da SuperInteressante e fosse lhe falar, você o rejeitaria, por causa do sotaque? Se um jornalista do interior de São Paulo, com sotaque, estivesse entre os selecionados para uma vaga em sua redação, e fosse visivelmente mais qualificado que os candidatos restantes, você o rejeitaria?

Sotaque, caríssimo Adriano Silva, certamente jornalista viajado que crê ser sotaque um sinônimo de pensamento atrasado, é patrimônio de um povo. Não sou provinciano, reconheço o quanto é bom que haja uma cidade como São Paulo, um pólo de progresso e idéias renovadoras. Mas é preciso lembrar que ela também tem seus defeitos? É preciso lembrar que muitos de seus colegas estão fugindo... para o interior? É preciso lembrar que muitas indústrias estão indo para o interior? Porque a vida também pode ser inviável em São Paulo. E, no entanto, nunca vi um "caipira", alcunha utilizada por você no sentido pejorativo, tratar mal nem deixar de acolher um colega seu. E qualquer outro ser humano vindo da metrópole. Posso estar errado em escrever esta catilinária a um digníssimo jornalista de São Paulo. Afinal, caipiras não merecem ser interlocutores de gente da cidade grande, não é mesmo? Você me considera um ser humano? Sou do interior! Na minha área de atuação, não sei se você sabe, mas há um Salão Internacional de Humor, em Piracicaba, que é o mais famoso e conceituado do mundo, há mais de 25 anos! Sabia? Talvez não. É coisa de jeca que não tem o que fazer, ficar montando exposição...

Que uma empresa de tradição como a Abril, cujos produtos consumo desde os meus 6 anos, tenha mais respeito com seus assinantes e leitores do interior de São Paulo. Sotaque é um elemento enriquecedor, não necessariamente prova de atraso. Exijo retratação. E respeito."

Resposta de Adriano Silva

"Érico, tudo bem? Por favor, não me entenda mal. Não acho que a tiradinha que coloquei na minha Carta ao Leitor tenha sido ofensiva. Como você disse, foi ironia. Brincadeira pura. Você me pergunta se eu o "considero um ser humano" ou se escolheria um repórter pelo sotaque. A resposta a essas perguntas me parecem evidentes. Eu não escrevi um ensaio contra o sotaque caipira. Apenas brinquei a respeito. Veja: eu sou gaúcho. Teria que me engalfinhar todo dia com alguém se fosse levar a sério e ficar chateado com as piadas que se fazem em São Paulo a respeito de gaúchos. Viva o bom humor, Érico. Um abraço, Adriano"

Obrigado pela oportunidade de acolherem minha manifestação de repúdio, um abraço.

Érico San Juan



IBSEN PINHEIRO
Poderzinho por quê?

O que exatamente o ex-deputado cassado Ibsen Pinheiro quer dizer com a expressão "poderzinho de representar a União judicialmente"? A Advocacia Pública, que tem na Advocacia-Geral da União sua principal instituição é, da mesma forma que o Ministério Público, função essencial à administração da justiça, e também fundamental dentro de um Estado Democrático de Direito.

Karla Simões N. Vasconcelos, advogada da União



Volta ao índice

Caderno do Leitor – próximo bloco

Caderno do Leitor – bloco anterior




Use o e-mail para nos mandar sua contribuição

Para garantir a publicação de sua correspondência, use correio eletrônico. Críticas e denúncias contra veículos de comunicação citados nominalmente serão submetidas aos mesmos, para que tenham oportunidade de resposta simultânea à publicação da crítica ou denúncia.

Clique aqui para enviar sua mensagem



Observatório | Índice da edição | Busca
Objetivos | Purposes | Edições anteriores | Modo de Usar
Banca | Jornalistas na Net | Equipe | Quem é você