SABEDORIA UNIVERSITÁRIA
Não generalizem

Li a matéria a respeito dos universitários que participam do Show do Milhão, e gostaria de registar minha opinião a respeito. É inegável que muitas perguntas por eles não respondidas ou para as quais deram respostas erradas retratam a falta de preparo dos jovens que cursam uma faculdade. É absurdo um estudante de nível superior não saber, por exemplo, que o triângulo que tem todos os lados diferentes é o escaleno, e não o retângulo. Concordo. Porém, é preciso levar-se em consideração que muitas das perguntas apresentadas no programa têm uma probabilidade muito pequena de ser respondida até para quem é especialista no assunto, ainda mais para quem estuda num ramo completamente oposto. Acho errado, por exemplo, discutir a capacidade e a formação de um estudante de Química pelo fato de ele não saber qual o rio que separa a França da Holanda.

Esta é uma pergunta que muitos que cursam Geografia não saberiam responder. E este é apenas um exemplo das muitas perguntas absurdas formuladas pelo programa. Na própria reportagem vocês citam o fato de um universitário não ter respondido a uma pergunta sobre o nome verdadeiro de um determinado cientista (acho que era isto!). Eu não saberia responder àquela pergunta, muito embora esteja cursando pelo segundo ano um dos melhores cursinhos pré-vestibulares de São Paulo e esteja sempre entre as maiores notas. Não acho que meu conhecimento deva ser medido pela capacidade de "decorar" certos nomes e datas que me acrescentam muito menos do que um conceito amplo sobre determinado assunto.

Acho, enfim, que as pessoas deveriam analisar melhor este assunto em vez de generalizar a qualidade dos estudantes ou das faculdades que cursam, classificando o ensino como precário.

Fernanda Ramos



Intelectualzinho mal-amado

Sou fã do programa Show do Milhão, e testemunho que no mínimo há uma má vontade com os universitários. Eles têm e tiveram acesso a mais informações que a maioria das outras pessoas, mas não a obrigação de que de tudo saibam com absoluta certeza. O índice de insucessos dos universitários é de cerca de 10%, segundo estatísticas da produção do programa. Desse total não chega a 1% o índice de respostas errôneas sugeridas por eles, sendo o restante referente à abstenção, por dúvidas quanto às opções de resposta.

No programa ocorrem perguntas muito difíceis por se tratarem de assuntos muito específicos, como medicina, literatura, língua estrangeira, geografia, política etc. É óbvio que quando a pergunta é considerada fácil o concorrente a responde, não usando a ajuda dos universitários. Restam a esses as mais complexas.

Acho que há dois equívocos nesta avaliação: que os universitários têm obrigação de saber tudo sem titubear; e que quando acertam (na imensa maioria das vezes) não há o mesmo impacto de que quando erram. E olhe que já vi acertarem perguntas impressionantes.

Há em nossa cultura uma prática que me entristece muito. Tudo que faz sucesso e se destaca tem logo seus defeitos, e sempre os há, enaltecidos. Enquanto as virtudes são relegadas à indiferença. É como o senhor que mostra, em sua forma de se exprimir e redigir, ser inteligente e culturado. No entanto prevalecerá, em avaliações populares a seu respeito em nosso país, a de que é um intelectualzinho mal-amado, chato, metido a besta etc.

André Gasparian



O MEC referenda

É louvável e justo o comentário feito pelo ilustre professor, contudo, vale lembrar que os universitários que dão gafe no jogo do milhão não são os provenientes das universidades públicas, pois estes obtêm um ótimo aproveitamento no jogo. A promiscuidade das universidades particulares é referendada pelo MEC, porque o ensino básico público é deficitário, e sem elas (universidades que o MEC tenta fechar) o aluno da escola pública não alcançaria um curso superior, o que seria ruim para o próprio MEC.

Alex Richard von Haydin, funcionário público, São Paulo



Ela duvida, ele "duvido"

Lamento "a sabedoria universitária", como lamento muitas coisas que acabam em descaso aqui no Brasil. Lembro que quando fiz o primário a professora, corrigindo uma colega, explicou a diferença: mulher agradece dizendo "obrigada", e homem, "obrigado". Até hoje ouço pessoas formadas falando errado – são coisas que ficam em nossas mentes. Mas gostaria de comentar que uma colega de trabalho (formada em magistério, e que já havia dado aulas) admirou-se quando falei que tanto mulher quanto homem fala "eu duvido", que não há masculino e feminino nesse uso. Imaginemos estes alunos com uma professora que comete tal erro.

O "novo" vocabulário de muitos apresentadores na televisão hoje: "É nós aqui, mano", "é nós na fita", "os mano", "as mina" e por aí vai. Sempre que estou em dúvida procuro um dicionário ou livro onde possa esclarecê-la. Acho que devíamos ter chamadas, nos intervalos dos programas de televisão, para o valor de nossa língua e indicações de fontes nas quais pudéssemos resolver nossas dúvidas. Eu, particularmente, tenho muitas.

Herbert Levi



Bom começo

Achei fantástica esta reflexão. É necessário que incorporemos hábitos em nossa vida que promovam o nosso crescimento enquanto pessoas. Desse modo, penso que começar pelo bom hábito da leitura é excelente. Está de parabéns o comentarista.

Jussara Maria Barbalho Bahia


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A sabedoria universitária – Deonísio da Silva



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