Edição de Marinilda Carvalho
** Mentalidade detestável é
esse complexo de inferioridade que norteia a mente da elite brasileira,
incluindo a imprensa. (Marcos Aurélio Silva)
** É um traço antropológico
(seria atrevimento classificá-lo dessa forma?) bastante peculiar
dos brasileiros essa "defesa" da memória dos mortos,
principalmente quando se trata de mortos poderosos. (Amanda Torres)
** A mídia, de um lado ou do
outro, conta aquilo que seu lado quer ouvir (ou ler). (Alexandre
Aguiar)
** O Brasil está tentando sair
do século 19, confundindo empresários com czares.
(Eduardo Rodrigues)
** Acho que a saída (provavelmente
vista como elitista) é a criação de veículos
de mídia para públicos mais específicos. (Claudio
Janowitzer)
** No fim da história parece
que os ricos vencerão. (Djacyr Silva)
** Pena, realmente, que a nossa elite
ainda não tenha chegado à Revolução
Francesa! (Ricardo Camargo)
Como se pode ver pela amostra acima (incompleta, por sinal), a
elite é preocupação de boa parcela dos leitores
que participam desta edição.
Em terra de excluídos – da cidadania e da mídia –,
é sempre um bom tema para debate.
E urgente.
***
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***
DESASTRE DE ALCÂNTARA
Problema com os militares
Gostaria somente de fazer uma observação. Quando
o autor do artigo afirma que "no Brasil, tudo é uma
questão de mentalidade. De mentalidade detestável",
ele se auto-inclui nesta categoria de brasileiros. Todos os desencontros
do nosso programa espacial não devem ser muito diferentes
dos desencontros de programas semelhantes em outros países.
Mentalidade detestável é esse complexo de inferioridade
que norteia a mente da elite brasileira, incluindo a imprensa. O
programa espacial brasileiro deve continuar e certamente com êxito,
pois pessoas obstinadas não deram seu sangue em vão.
Quanto ao astronauta brasileiro, parece que a imprensa só
vê sentido em ações estratégicas estrangeiras.
Claro que na prática o nosso astronauta deve ficar um tanto
ocioso, mas o valor simbólico e político de enviar
um astronauta em qualquer missão ao espaço é
imensurável. O nosso astronauta pode e está alimentando
o sonho de se chegar ao espaço de inúmeras crianças
brasileiras, que no futuro comandarão nosso programa espacial.
Comentários deste tipo são realmente míopes
e desprovidos de qualquer tipo de patriotismo. Mas ser patriótico
na imprensa brasileira parece ser um pecado capital. Parece que
a imprensa brasileira tem algum problema com militares.
Marcos Aurélio Silva,
civil, engenheiro de sistemas computacionais
A grande imprensa não dá
Parabéns pelo artigo! É por isso que estou sempre
lendo o Observatório da Imprensa. O que acho um absurdo
é que a chamada "grande imprensa" nunca informa
convenientemente o público. Por exemplo, sei que nunca veria
esses aspectos abordados pela Veja ou pelo Jornal Nacional.
Auricélia
de Paula Rodrigues
Paralelo intrigante
A respeito do brilhante texto de Ulisses Capozolli, não
posso deixar de comentar. Num momento em que circulam na internet
e mesmo em veículos de imprensa respeitáveis boatos
não-confirmados de sabotagem, e embora o assunto seja sequer
mencionado ao longo do texto, que função cumpriu a
informação de que Eduardo Dorneles Barcelos morreu
no mesmo momento do acidente em Alcântara? Sobretudo com o
comentário "Quem deixou uma perigosa mancha de óleo
na pista, sem preocupar-se com um possível acidente? Ninguém
sabe, ninguém viu, ninguém é responsável"?
Chamar a atenção para a simples coincidência
ou acrescentar uma pitada de mistério ao tema polêmico
por si só, apontando a necessidade, de fato, de não
excluir sequer a possibilidade de uma – e seria hedionda – investida
orquestrada contra o já combalido Programa Espacial Brasileiro?
Intrigou-me o paralelo...
Jeferson Martinho
Inúmeros contras
É uma pena que um país abençoado como o nosso,
com tantos recursos para ser, se não o melhor, um dos mais
confortáveis lugares do mundo para se viver, tenha que conviver
com tantos desmandos, contratempos, contra-sensos, contramãos
e inúmeros outros contras, que acabam maculando a belíssima
obra que o Criador nos deu de presente e que teimamos em não
cuidar com o devido carinho e respeito.
Miriam Heilborn
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