02/09/2003 2/12

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MÍDIA E BOMBAS
Exercício de relativismo

Muito boa a discussão a respeito do papel da mídia na cobertura dos eventos. Uma vez que, pressupõe-se, no estado democrático pleno as ações devam ser regidas pela vontade popular, colocar em discussão na sociedade aquilo que deve ser divulgado (ou não) pode ser interessante, contudo os resultados poderão se mostrar desanimadores. É preciso deixar claro que, para os eventos serem classificados como tais, torna-se necessário que tenham testemunhas, senão viram suposições e caem no campo mítico. Para um evento ter relevância e importância acentuadas na sociedade, é preciso então que a mídia seja a testemunha. Ou seja, em certa situação vira ferramenta do organizador do evento.

Sabe-se ainda que nenhuma matéria é tratada sem substância. Quem expressa a informação traz uma bagagem cultural própria, e o evento é transmitido carregando-se os "genes" dessa cultura. É assim o fluxo de informações na espécie humana. Não esqueçamos que a linguagem é um dos atributos de nossa espécie, e usá-la faz parte de nosso aparato de sobrevivência. A maneira como os eventos são transmitidos, os enfoques a serem dados e os objetivos que se deseja atingir transformam um órgão de mídia em bom ou ruim (ou eficiente). Convenhamos, quem domina isso e deseja transmitir um recado à comunidade usa a mídia a seu bel prazer.

Cabe agora, fazendo um exercício de relativismo, que a divulgação do evento tem o conteúdo descrito pelos vencedores (alguém já disse isso), ou seja, os do lado de cá. Exemplificando, enquanto os do lado de lá são guerrilheiros e heróis, os do lado de cá os chamam de terroristas; enquanto os do lado de lá são líderes comunitários, os do lado de cá os chamam de narcotraficantes; enquanto os do lado de cá são descritos como empresários e empreendedores, os do lado de lá os descrevem como imperialistas e usurpadores. A mídia, de um lado ou do outro, conta aquilo que seu lado quer ouvir (ou ler). É a história do direito à informação.

Alexandre Carlos Aguiar, biólogo, Florianópolis

 

O outro lado

Fica difícil levar em consideração as opiniões do Sr. Alberto Dines sobre o terrorismo internacional e a mídia, enquanto se cala em face das medidas repressivas do Estado de Israel à intifada, que lança mão do assassinato seletivo de adversários, da construção de muros para separar as comunidades palestinas e judaica, e não tem pejo em lançar foguetes de helicóptero contra alvos em áreas urbanas densamente povoadas, prática aliás criminalizada pela Anistia internacional. Agravam-se estas atitudes por partirem de um Estado, e não de um aparelho terrorista.

Por outro lado, penso que se os que perpetraram os atentados de 11 de setembro visassem realmente atingir o maior número possível de vítimas, teriam escolhido outro horário – bem mais tarde – para encetarem sua ação terrorista. Alberto Dines é um jornalista de extraordinária competência, mas lhe prejudica o viés parcial em sua análise dos fatos internacionais, certamente marcada por razões de ordem pessoal.

Paulo Couto Teixeira, Brasília

 

Igualmente terrível

"...incentivar a imprensa, como instituição moral, para resistir às seduções do relativismo ‘politicamente correto’ e eticamente abjeto que finge lamentar o sangue derramado pelos terroristas enquanto cinicamente valida suas causas e métodos."

Achei estranha e apavorante esta matéria. É igualmente terrível a morte de inocentes, seja por terroristas ou por um boicote promovido pela ONU e superpotências contra nações menores como Iraque ou Cuba. Qual a diferença? O tempo que leva para os inocentes morrerem? Tudo é terrorismo, mas o terrorismo de Estado, este sim, parece que é "politicamente correto".

Nilson Dimas Xavier Pinto, Sorocaba, SP

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