TV POUCO A VER
Os ricos vencerão
As novelas de uma forma ou de outra acabam reproduzindo o sistema capitalista e todas as desigualdades por elas evidenciadas. No caso da Globo é comum vermos uma realidade que não existe na prática – pessoas separadas se dão o luxo de morar em hotéis altamente luxuosos e dondocas podem comprar com seu dinheiro até padres. A felicidade é possível desde que se tenha dinheiro. No outro lado dessa história vemos que há várias saídas para perpetuar a discriminação e continuar a vitória do macho, que pode com certeza desfrutar de seus dotes de galã e continuar a conquistar e arrancar suspiros das pessoas que muitas vezes não sabem o que se esconde num folhetim desinteressado.
No fim da história parece que os ricos vencerão, a jovem comprará o padre com seu dinheiro, o rico médico terá as mulheres que quiser, pois sua ética com colegas de profissão não importa. Por outro lado, a prostituta, ou garota de programa, já morreu, e não será empecilho para o bom andamento de uma sociedade comportada, machista e excludente.
Não devemos ser inocentes e ver que em meio a uma simples novela está todo o reflexo de uma sociedade carcomida pela discriminação, que só mostra o lado bom aos que podem e têm dinheiro para comprar até a possível felicidade. E que tudo isso é possível a partir do ter e não do ser.
Francisco Djacyr Silva
de Souza, professor
Vem mais barbaridade aí
Gostaria que o Observatório da Imprensa dedicasse atenção bastante especial aos tabus que a novela Mulheres apaixonadas quebrará nos seus próximos capítulos. Além de já ter provocado grande repercussão com as cenas de violências exageradas, culminadas com a morte de uma personagem em decorrência de "bala perdida", vêm aí outras grandes barbaridades, confessadas pelo próprio autor (um tremendo cínico travestido de autor de novelas), como cenas de sexo entre um aluno menor e uma professora com idade de ser sua mãe e uma cena em que duas mulheres se beijarão. Já não basta aquele lixo de fim de tarde chamado Malhação, que tenta induzir a juventude a ser igual aos personagens criados, seja no visual ou na vida particular?
É lamentável ver até mesmo a maior rede de televisão de nosso país ser uma das principais contribuintes para o aumento da baixaria na TV de nosso país.
Hugo Polis,
Florianópolis
Lesbianismo, pão e circo
Leio sempre o OI para, como leitor "analista de sistema", saber o que acontece no meio jornalístico pela visão de especialistas e autônomos da imprensa. Venho nesse e-mail falar sobre o que está acontecendo na imprensa em relação ao lesbianismo. Em todas as emissoras o assunto é tratado e, as vezes, de modo exaustivo, cansativo e desnecessário. Esta semana foi a vez da MTV. No Brasil tentaram fazer com que as atrizes da novela global dessem seu beijo no palco – sem sucesso –, e nos EUA a emissora conseguiu o feito, apesar de todas as envolvidas terem casos amorosos com homens. Fica a questão sobre a validade desses acontecimentos. Será que é esse o caminho para os homossexuais (os verdadeiros) conseguirem seus direitos ? Essa exaustão não acaba atrapalhando?
Pra mim isso tudo está parecendo uma grande atração circense, do tipo "Assistam ao programa de hoje a noite, duas mulheres vão se beijar!", ou então "Vá à premiação que acontecerá uma dança lésbica erótica". Use roupas mínimas, rebole no palco e beije garotas. Pão e circo para os homens!
Daniel
Alves_Coherence
Esquerda raivosa
Detestável o texto "A produção de sentido no Jornal Nacional", de Marcelo Salles. Naturalmente que as posições e imposições da estrutura global são passíveis de eternas e válidas discordâncias. No entanto, ligar funcionários públicos ao MST e chamar a ambos de "movimentos que possam ameaçar o status quo" é no mínimo pobreza de análise. O texto representa toda uma esquerda raivosa que se prende a teorias ou estruturas que não se ligam ao mundo, e sim às vontades de intelectuais. Em vez de defender o status quo num país de estruturas frágeis, a verdadeira esquerda deveria lutar pelo progresso social do país. E definitivamente uma luta de classes em defesa de privilégios, sejam quais forem, não deveria ser um caminho a ser considerado.
Como são abusivos os lucros dos bancos, é também absurdo o prejuízo do Estado financiado por esses bancos. A grande revolução social é desendividar o governo, obrigando os banqueiros a lucrar com o dinheiro de investimentos.
Governistas sempre serão "a favor de tudo que está ai". Assim é a Rede Globo, e assim é José Sarney, viciados no poder estatal. Mas a democracia envolve lidar também com abutres, não só com o "proletariado" e os "mais fracos".
João Guilherme
Lacerda
Marcelo Salles responde
Ué, eu não sabia que a esquerda defendia o status quo, como afirma o leitor... E também gostaria de esclarecer que nosso Estado não é sustentado pelos bancos – é parasitado por eles. Quem sustenta essa nação são os brasileiros. Talvez o leitor estivesse querendo dizer que sucessivos governos têm sido sustentados pelos bancos. É preciso muito cuidado para não confundir Estado com governo. Se não a gente acaba achando que o país não tem jeito... E é justamente isso que os donos do poder querem. Grande abraço. (M.S.)
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A produção de sentido no Jornal Nacional – Marcelo Salles