02/09/2003 6/12

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TV POUCO A VER
Falta reagir

Um dos meus maiores questionamentos é em relação ao uso do quarto poder, o da comunicação. A mídia tem buscado denunciar os podres sociais do nosso país, mas isso com certeza não tem surtido efeito compensatório para a sociedade. Os telejornais se limitam a denunciar, quando poderiam orientar e buscar a qualidade de vida no país. A violência tem sido denunciada diariamente em vários telejornais, resolveu alguma coisa?

Não, e sabe quando será resolvido? Somente quando houver uma radical transformação na forma de se educar a população, parar com uma programação ridícula de passatempo e criar programas de façam o cidadão comum pensar e saber o quanto ele pode fazer para mudar o país. Não adianta a mídia mostrar as chagas sociais, enquanto o povo continua afundado em falta de cultura e de informação, o que prejudica e muito a sua capacidade de reação. Um canal realmente educativo aberto atenuaria o problema: o que esta faltando é ensinar ao brasileiro que ele pode mudar o país, basta se unir e reivindicar. É com atitudes que se muda uma mentalidade, não com notícias esporádicas que anestesiam mentes e corações, fazendo do terror da violência um fato corriqueiro do nosso cotidiano.

Marcos Cleber

 

O lixo da indústria

Domingão do Faustão, Superpop (notável a inépcia de Juliana Gimenez) são lixos da indústria cultural. Salta aos olhos o quanto se desenvolve-se o analfabetismo cultural e jornalístico via TV. E aquelas entediantes e supercorriqueiras tardes de domingo, a saltar no ibope com tecnologia de última geração. Roberto Marinho vai revirar ainda mais no túmulo.

Beijamim Ribeiro

 

Requer coragem

Dar menos abobrinha aos usuários da mídia requer coragem da própria mídia. O grande público é cada vez mais o que os americanos chamam de couch potato. O cara que fica na frente da TV comendo batata frita sem prestar muita atenção ao programa. Será que a única alternativa da mídia séria é dar circo ao povo – porque a circulação aumenta e os anunciantes gostam? Acho que a saída (provavelmente vista como elitista) é a criação de veículos de mídia para públicos mais específicos. O próprio Observatório da Imprensa é um exemplo.

Talvez isso signifique que o jornal de grande circulação (que procura atingir todos os públicos) venha a ser gradualmente substituído por veículos mais segmentados. Mais ou menos como as grandes lojas de departamentos foram substituídas por novas formas de varejo.

Claudio Janowitzer

 

ROBERTO MARINHO
Hipocrisias oficiais

Professor Caroni, como é consoladora a voz da honestidade! A gente habita um mundo de hipocrisias oficiais. Ao fazerem as declarações que fizeram, os declarantes de ocasião, do governo atual, cometem um crime de traição contra os companheiros que se foram, nas mortes acobertadas e nas sessões de tortura não denunciadas pelas Organizações Globo. Poderá parecer de mau gosto o que vou citar, mas é coisa do grande (este sim!) Millôr: num cemitério, ao ler as lápides, todas elogiosas, um marciano comenta com o parceiro: "Eu só gostaria de saber onde, aqui na Terra, eles enterram os canalhas..."

Humberto Crivellari

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