02/09/2003 7/12

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ELITES SAUDOSAS
Ainda na monarquia

Muito bem colocado o texto pela Cláudia Rodrigues. Quanto aos projetos referentes ao desenvolvimento do Vale do Rio São Francisco, não é de hoje que se os vem inviabilizando. Um dos que deveriam ser considerados ídolos da burguesia brasileira, Delmiro Gouveia, assassinado em 1918, tentou um projeto de industrialização daquela região. E, recordemos, a industrialização do Sudeste começa mais ou menos por esta mesma época.

De outra parte, seria interessante, no que tange às "jantas" e expressões coloquiais, que recordássemos o escândalo provocado na sociedade quando D. Nair de Teffé, primeira-dama no governo Hermes da Fonseca – respeitável marechal que reprimiu com mão de ferro a Revolta da Chibata em 1910 (afinal, quem mandou a "ralé nojenta" achar que a disciplina sobre os praças na Marinha poderia ser de modo diverso do que as bem-aplicadas chibatadas? E ainda o João Bosco e o Aldir Blanc resolveram homenagear o João Cândido, que se atreveu a liderar tal movimento e foi chamado pelos rebeldes de "Almirante Negro"!) –, executou, em dueto com Chiquinha Gonzaga, um ritmo popular, plebeu, havido como maldito pelo próprio presidente da República, o maxixe!

Pena, realmente, que a nossa elite ainda não tenha chegado à Revolução Francesa! Dentro do ideal do próprio liberalismo político, quem esteja em situação igual à dos demais deve ser tratado em pé de igualdade, independentemente de haver nascido em berço d'ouro ou palha.

Ricardo Antônio Lucas Camargo, advogado em Porto Alegre

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Sociedade em mutação

Caro Muniz Sodré: seu comentário enfoca bem a sociologia do colunismo social. Gostaria de adicionar: ele nasceu, no Rio, na primeira década do século 20, com Figueiredo Pimentel, que usava o bordão "o Rio civiliza-se", logo após as reformas de Pereira Passos. Também foi a época de novas fortunas e novos personagens, substituindo a antiga nobreza rural fluminense, falida apos a Abolição. Uma classe social estável não precisa aparecer, mas no Rio persistiu uma camada circulando em torno das embaixadas e da alta burocracia, retratada por G. de A. (Gilberto Trompowski), que era da velha classe. Como em Nova York, de onde vinham as modas, a "alta sociedade" foi substituída pelo "café society", onde se agregaram as celebridades ou aspirantes, vindos da mídia, cujo divulgador era Walter Winchell, o Ibrahim de lá.

Um aspecto positivo é que isto mostra a "circulação de elites", mencionada por Pareto. O assunto merecia maior aprofundamento como espelho de sociedade em mutação.

Moyses Kessel

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