02/09/2003 9/12

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TEMPO REAL
De fato a notícia

O avanço tecnológico não deve ser lamentado pelo fato de ser irreversível. Resta-nos, profissionais da área, sabermos lidar com essas novas ferramentas. Como Luciano Martins Costa citou em seu texto, "esse jornalismo feito por transeuntes, anônimos ou não, vai funcionar numa estrutura semelhante a uma "nuvem de informação", na qual os fatos estarão em permanente estado de latência para se transformar em notícia". Ou seja, teremos fontes de notícias borbulhando a todo momento, e só o olhar atento de um profissional competente poderá transformar os fatos em notícias. Assim, cada vez mais o diploma de Jornalismo faz-se necessário e diferencia o mero transmissor do fato daquele que lapidará esse fato e o tornará relevante para a população, com interpretação crítica e análise histórica.

Élida Oliveira, estudante de Jornalismo PUC-PR

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MÍDIA & PROPINODUTO
Sem espaço para defesa

Gostaria em primeiro lugar de agradecer a publicação no Caderno do Leitor, em 10/6/03, de minha carta intitulada "Mídia & Propinoduto". Agora, novamente, me sinto atingida pela falta de compromisso com a verdade da imprensa, notadamente o jornal O Globo. Por isso, estou encaminhando aos senhores carta por mim dirigida ao diretor de redação e editor responsável, Sr. Rodolfo Fernandes, em 29/8/03, em que demonstro minha indignação por mais este episódio.

Estou tão descrente da imprensa e dos jornalistas... Estou exaurida, sendo massacrada há oito meses neste caso do Propinoduto! O poder da mídia é avassalador na destruição da dignidade de uma pessoa. O que você leva uma vida inteira para construir, sua dignidade, sua credibilidade, sua reputação pessoal e profissional, a mídia destrói em um segundo! É uma questão de grande responsabilidade com a vida do cidadão brasileiro que merece respeito acima de tudo.

Estou vivendo isto na carne, e nunca pensei que a maioria dos jornais estivesse mais interessada em vender jornais do que apurar fatos! Isto é muito grave para a profissão de jornalista, que sempre admirei.

Márcia Rodrigues da Rocha

Sr. editor Rodolfo Fernandes, bom dia! (rodolfo@oglobo.com.br)

Minha carta dirigida ao senhor é fruto da minha indignação como leitora de O Globo e, principalmente, como cidadã atingida mortalmente pelas notícias veiculadas pela mídia sem o menor compromisso com a apuração da verdade dos fatos.

Depois de longos oito meses de muito constrangimento e sofrimento por ter sido injustamente envolvida no escandaloso caso do "Propinoduto", e de forma dramática ver minha vida enxovalhada pela mídia, estou tendo hoje pela segunda vez, a oportunidade de verificar o descompromisso com a omissão da verdade "total" dos fatos por este jornal:

Primeiro no episódio do meu depoimento, no dia 03/06/03, ao D. Juiz da 3ª Vara Federal do Rio de Janeiro, onde tive a oportunidade de esclarecer e me defender dos fatos a mim imputados. Já naquela ocasião, fiquei perplexa com as notícias veiculadas no jornal do dia seguinte, onde não foi reproduzida nenhuma palavra sequer do meu depoimento.

Diante de minha perplexidade do fato acima descrito, no dia 04/06/03 enviei uma carta para ser publicada na "coluna dos leitores", que até hoje não foi publicada!

Pensei que, como cidadã digna e acreditando na seriedade deste jornal, teria pelo menos minha carta publicada na seção "carta dos leitores".

Hoje mais uma vez, este jornal, nas pessoas dos jornalistas Evandro Éboli e Flávio Pessoa, que tiveram acesso ao Relatório de Auditoria da Corregedoria da Receita Federal, há muito esperado e de grande valia para elucidação do caso do Propinoduto, distraidamente esqueceu de informar a única notícia nova, qual seja, a de que haveria no meio dos oitos fiscais acusados de causarem à União um prejuízo de pelo menos R$ 200 milhões, uma auditora fiscal inocente, segundo informado pelos jornais O Dia e Jornal do Brasil, na edição de hoje [30/8], em apenas duas linhas: "Leão afirmou que nada foi encontrado contra a auditora Marcia Rodrigues da Rocha, inicialmente investigada como uma das envolvidas no esquema."

Será que numa reportagem de primeira página e em outra de página inteira não sobrou espaço para notícia tão importante, ou este jornal só se preocupa em informar meias verdades?

Aguardo que desta vez minha carta seja publicada, é o mínimo que eu mereço para tornar a acreditar neste jornal!

Atenciosamente,

Márcia Rodrigues da Rocha, auditora fiscal da Receita Federal, Itaipu, Niterói, RJ

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