MÍDIA ESPORTIVA
Paysandu discriminado
Todas as emissoras que transmitem os jogos do Brasileirão manifestam bairrismo. Moro aqui no Norte (Belém do Pará), eu que o diga. Ainda não assisti a um só jogo na televisão do meu time no Brasileirão, e olha que o Paysandu foi uns dos representantes do Brasil na Libertadores (o que fez com muita garra), mostrando nosso futebol lá fora, inclusive derrotando o Boca lá na Argentina. Globo, Record, SBT e Bandeirantes ainda não transmitiram um só Jogo do Paysandu aqui para o nosso estado. Isso mostra o desrespeito para com o povo paraense; eles preferem transmitir os jogos de Palmeiras e Botafogo (2ª divisão) a mostrar um jogo do time bicampeáo da 2ª divisão, campeão da Copa Norte, campeão dos Campeões.
Eu gostaria que eles fizessem uma pesquisa para ver como anda a audiência deles aqui, e como anda a audiência das televisões a cabo (locais), que transmitem os jogos dos nossos times. Aliás, já está correndo um movimento organizado pelas duas maiores torcidas do Norte-Nordeste (Paysandu e Club do Remo) para boicote a estas emissoras extremamente bairristas. E que nos perdoem as idiotas das afiliadas locais destas emissoras, pois a audiência delas vai pras "cucuias". Chega de tentar empurrar as porcarias delas, nós não somos obrigados a assistir ao que elas bem entendem.
Carlos Botelho
Esporte (nada) espetacular
Após o atleta Cristiano de Souza, treinado por mim, vencer o campeonato "O homem mais forte da América do Sul", fomos convidados a participar do quadro Desafio espetacular, do programa Esporte Espetacular, da Rede Globo. Esse desafio seria contra Jair Gomes, que já está na mídia há quase um ano se dizendo invencível. Viajamos para o Rio de Janeiro e levamos conosco trajes gaúchos para participar do programa a pedido da produção. No dia das gravações, nos levaram para um local chamado Recreio dos Bandeirantes. Lá chegando, já estavam presentes Jair Gomes, seu técnico e mais umas 30 pessoas. Imediatamente, começaram a nos insultar com palavras de baixo calão, e a caçoar de nossas roupas típicas, dizendo que nós e todos os gaúchos somos homossexuais. Fui cumprimentar o "atleta" Jair Gomes, e ele me recebeu com palavrões e ameaças, dizendo que esta seria nossa "última viagem para o Rio de Janeiro", pois iríamos "morrer". O técnico de me agrediu e nos ameaçou de morte, dizendo que iria nos "encher de chumbo", inclusive, mostrando a arma que carregava na cintura. Enquanto isso, o restante da "torcida" continuava a nos humilhar, dizendo que assim que terminassem as gravações nós sairíamos de lá "quebrados e mortos".
O Sr. Dorli, motorista contratado pela Rede Globo para nos conduzir até o local, ligou para polícia por três vezes, mas ela não compareceu. Assim, com o estado psicológico do atleta Cristiano completamente abalado, o resultado foi no mínimo duvidoso. Enquanto as câmeras filmavam outra coisa, o atleta estava sendo xingado e ameaçado.
Sou vice presidente da Associação Mundial de Levantadores de Peso (W.A.B.D.L.), e como atleta sou três vezes campeão do mundo e represento o Brasil em campeonatos mundiais há 12 anos, e jamais passei por uma situação dessas, com tanta falta de respeito e desonestidade. Acredito que o esporte tenha outra finalidade que não o terrorismo. Algumas perguntas que ficaram sem respostas:
1) Por que nos falaram que prova seria disputada somente cinco dias antes do desafio, enquanto o "super-herói" Jair Gomes já estava treinando havia dois 2 meses?
2) Por que fomos obrigados a usar straps (suporte de tecido que se enrola nos punhos e nas mãos) na prova, que foi levantar e sustentar no ar uma caminhonete, sendo que a regra não permite que se use e nós treinamos sem straps?
3) Por que a prova não foi cronometrada por um árbitro neutro, e sim pelo repórter Edson Viana, da Rede Globo?
4) Por que a prova não foi cronometrada com um cronômetro, e sim pelo relógio de pulso do referido repórter?
5) Por que foi permitido ao técnico de Jair Gomes usar um cronômetro?
6) Por que quando Cristiano concluiu a prova o repórter não me deixou verificar o tempo?
7) Por que não havia segurança no local?
8) Por que não havia ambulância no local?
9) Por que não havia um médico no local?
10) Por que o repórter me indagou por três vezes antes da prova quanto tempo Cristiano sustenta a caminhonete no ar?
11) Por que não me permitiram ficar ao lado do meu atleta durante a prova, para que pudesse auxiliá-lo psicologicamente depois de tudo o que fizeram conosco?
12) Por que não fizeram um sorteio para decidir que atleta faria a prova primeiro?
Após todos esses fatos, no dia seguinte compareci à Rede Globo e falei com o diretor de esportes que, após me ouvir, sugeriu que eu não registrasse ocorrência na policia, pois não adiantaria nada, eu perderia tempo e isso também não seria "bom" para o programa, que está com uma audiência muito boa e Jair Gomes é um "excelente" personagem.
Disse me também que iria "apurar" os fatos. E aí fica mais uma pergunta: apurar de que forma? Fui à delegacia e registrei a ocorrência. Até quando vão continuar essa brincadeira de "super-herói", de "invencível" e esta falta de respeito com atletas de verdade, que levam a sério o seu trabalho?
Vilmar Oliveira, vice-presidente da W.A.B.D.L., presidente da Federação Gaúcha de Levantamentos Básicos