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Edição de Marinilda Carvalho

Esperta a leitora Lilian Mitsue Chiba, que na carta "O modelito da Folha" comenta texto cheio de "xxx" publicado no site do jornal. "Não pertenço ao mundo jornalístico", diz ela, mas creio que, além das matérias semiprontas, deve existir o hábito de usar modelos de reportagem. Na hora oportuna, substituem-se os textos-chave."

Não se trata exatamente de "modelo" de matéria. Mas existe, sim, o hábito de deixar pronta uma matéria e acrescentar depois dados que chegarão mais tarde – no caso, uma pesquisa do Datafolha. É bem diferente da megabarriga do Estadão, mas é igualmente resultado da eterna urgência do fechamento.

O diabo é a internet. No frenesi de dar primeiro, o responsável pelo jornal online vê matéria dando sopa e pimba! – solta na rede. Sem nem verificar se está faltando alguma coisa, preocupação (um pouco) mais presente no jornal impresso.

E assim caminha o jornalismo.

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Nota da Redação: O Observatório da Imprensa não publica mensagens assinadas com pseudônimo ou iniciais. Cartas só serão acolhidas quando claramente identificada sua autoria.

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OBSERVATÓRIO ELEITORAL
O que fizeram os diplomados?

Não consigo entender o discurso dos "pós-graduados" em Harvard, em suas campanhas políticas. Há uma reiterada insistência a respeito da desqualificação do Lula, da sua falta de preparo que esconde, na verdade, um preconceito vil e inconstitucional a respeito das pessoas que não têm curso universitário. O que observo é que as pessoas que, historicamente, têm governado este país, ao longo dos anos, têm se beneficiado da ignorância e da falta de cultura do povo que, fatalmente, leva esta população a escolher mal seus governantes e legisladores.

Parece que o eleitor ignorante só serve para passar uma procuração aos doutores; para isso, a ignorância é útil. No entanto, este povo, segundo estes senhores, não tem capacidade de se governar, de escolher seus destinos e políticas. Coitado do cidadão comum que ouse arvorar-se em candidato! Será tachado de despreparado por nunca ter exercido um cargo de relevância etc. etc. Mas como fazê-lo se eles não desocupam a moita?

E ainda, o que fizeram os diplomados pela democracia em toda a nossa história? Se o Serra quer fazer tanto, por que o FHC não faz, desde já, se isso beneficiaria o país e sua população? Essa raiva de cheiro de povo é conhecida e recorrente.

Não vejo esses qualificados falarem em fazer, verdadeiramente, uma democracia para todos, um beneficiamento geral da qualidade de vida, um aprimoramento profissional do trabalhador brasileiro, educação geral e irrestrita em todos os níveis, moradia e saneamento básico universal, para que este povo, finalmente, nas campanhas políticas deixe de ser chamado de despreparado e ignorante. Espero esse dia com ansiedade.

Gilson França Goulart, advogado


Jornalismo não é propaganda

É constrangedor ouvir em rádio, ver em TV ou ler em jornais e revistas argumentos que tentam, a todo custo, garantir que o "país não pode arriscar mudanças bruscas sem rumo certo". Chamada de capa do jornal O Estado de S. Paulo de sábado, 21/9/02, é sintomática deste cenário de boataria, ameaças obscuras e chantagens típicas de um mundo desinformado, para não dizer no limiar da ignorância consentida.

"Queda de Lula em pesquisa faz dólar cair e Bolsa subir", afirma o título da primeira página, seguido por um texto de apoio que afirma sem escrúpulo que "Pesquisa Ibope divulgada ontem (20/9) revela que o candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, perdeu 2 pontos em relação à pesquisa anterior, caindo de 41% para 39%, o que diminui sua chance de eleição no primeiro turno. A queda de Lula fez o dólar cair 1,3%, cotado a R$ 3,405. A Bovespa teve alta de 2,27% e o risco Brasil caiu 5,2%, em 2.050 pontos." Nada de marcação dirigida, pois o dito periódico é apenas um exemplo de uma série de pérolas que se pode encontrar facilmente nas bancas de jornais.

E o texto? Ora, isso parece mais boletim de campanha, assessoria parlamentar ou comunicado oficial de um daqueles inesquecíveis generais de outros tempos. Jornalismo, isso? Só se for para quem está muito satisfeito com a qualidade de vida, a segurança pública, os aumentos injustificáveis de gás de cozinha, combustível, pedágios em tudo que é pista por onde se passa, as altas taxas de juros, entre outras coisas que viraram rotina no país do Carnaval e pentacampeão mundial de futebol.

Não parece exagero – e tampouco conspiração – pensar que os poucos grupos que historicamente controlam a política brasileira, perpetuando a má distribuição de renda e a desigualdade social, devam vibrar quanto lêem notícias do gênero... E os educados contribuintes brasileiros, apresentados como a extinta classe média verde-amarela, parecem aplaudir satisfeitos ou indiferentes, em nome do preconceito e de uma ausência de horizonte, porque ainda não se aprendeu a acreditar que esse mundo pode ser melhor.

Se não fosse tão real, próximo e visível, daria para pensar que esse era o clima da Guerra Fria ou coisa do passado. Não! Parece mais um desespero para manter uma história de 500 anos de dominação, miséria e desigualdade social. E justo aqui, no Brasil, onde os próprios oligarcas de plantão se orgulham de viver num regime democrático – onde até pouco tempo se comprava frango mais barato, pão francês a 10 centavos e dentadura – essa não parece ser a melhor tática.Ora, não subestimem novamente esse povo tão sofrido, que implora por uma vida digna, trabalho e escola decente para os filhos, sem maiores regalias e privilégios. Respeitem o eleitor, por favor! Não tentem vender propaganda oficial, sem qualquer preocupação com uma informação plural e contextualizada, como se fosse jornalismo.

Sérgio Luiz Gadini, jornalista, professor da UEPG/PR

 

Perguntas ao candidato

A imprensa, principalmente a televisiva, está bem tendenciosa, e isso é lamentável. Leio os principais jornais e revistas semanais do país e costumo, sempre que possível, acompanhar as notícias nos diversos telejornais. A parcialidade está impregnada em toda a mídia. E se era para ser parcial, que fosse com todos os candidatos. Darei dois exemplos.

1) Pergunto: por que a imprensa não divulgou nem comentou – e nenhum jornalista perguntou ao candidato José Serra – a razão de sua saída do Ministério da Saúde 45 dias antes do prazo e no auge da epidemia da dengue? Este ato foi, no mínimo, um descaso com a população brasileira, principalmente em se tratando de um candidato que usa na sua propaganda eleitoral o título recebido no Fórum Mundial de "o melhor ministro da Saúde do mundo";

2) No Distrito Federal os hospitais estão em péssimo estado, as farmácias destes hospitais desabastecidas e os doentes que dependem de remédios indispensáveis para tratamento de doenças renais, diabetes e outras têm passado por muitas dificuldades. Isso sem falar nas filas para atendimento.

A imprensa deveria ter se preocupado em discutir e analisar os programas de governo dos candidatos, tentar resgatar informações sobre a vida política de cada um – o que já fez, o que não fez, as promessas de campanhas que cumpriu e as que não cumpriu.

A reportagem de capa da edição nº 207 da revista Carta Capital [ver remissão abaixo] está muito interessante. Trata da manipulação da mídia na atual eleição. Quem tiver oportunidade de lê-la poderá compreender melhor o que está acontecendo. Nela são citados nomes de pessoas conhecidas e importantes no meio político e é feita uma análise sobre a parcialidade da mídia e como esta tem promovido e beneficiado a campanha de determinado candidato. Esta reportagem é desalentadora e deixa qualquer cidadão desanimado e descrente quanto ao futuro do pais. Pior, descrente quanto à idoneidade dos meios de comunicação.

P. S. Ramos

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E a máquina avança – Bob Fernandes, no Entre Aspas


Estadão.com.serra

Vejam o que diz a coluna Painel do jornal O Liberal, de Americana, SP:

O Estadão.com.serra

"’Em clima de vitória, o governador do Tocantins, Siqueira Campos (PFL), reuniu os principais aliados para recepcionar o candidato da Grande Aliança (PSDB/PMDB) à Presidência, José Serra’ (...) ‘Numa visita que durou menos de quatro horas, Campos arregimentou 134 dos 139 prefeitos do Estado e os demais candidatos ao governo e ao Senado em torno do tucano para uma carreata e um comício em Palmas’. Era o que distribuía a Agência Estado na sexta-feira para todos os seus assinantes, assim como informava o Estadão.com aos internautas. O detalhe: Serra não foi a Palmas.

Estadão.com.serra – 2

Tem mais. A reportagem cita a ‘participação de José Serra numa carreata’, ‘que passou pelas principais áreas da cidade, pelo bairro de Aureny (um dos mais pobres), e a avenida principal’. Diz ainda: ‘Em frente ao único shopping da capital de Tocantins, ele fez um comício, que segundo cálculos da organização reuniu cerca de 20 mil pessoas’. Relembramos o detalhe: Serra não foi a Palmas, já que cancelou a viagem àquela cidade, em razão do mau tempo.

Estadão.com.serra – 3

Numa errata veiculada anteontem à noite no Estadao.com, o grupo Estado diz: ‘Por erro técnico, a Agência Estado veiculou hoje, às 13h07m, em seu site na internet, texto relatando uma suposta visita do candidato à Presidência da República José Serra à cidade de Palmas, capital do estado do Tocantins. A visita, que constava da agenda do candidato, não existiu: foi cancelada à última hora. A repórter enviada ao Tocantins redigira um texto preliminar, com embargo interno, com o propósito de deixar arquivadas no sistema as informações que já colhera no local, enquanto aguardava a chegada do candidato. Após a visita do candidato, que acabou não acontecendo, as imperfeições do texto seriam corrigidas e dariam lugar ao relato fiel dos fatos em versão definitiva. A Agência Estado se penitencia pelo erro e pede desculpas aos seus leitores pelas informações equivocadas que foram divulgadas pelo site estadao.com.br. A Agência Estado informa ainda que tomou todas as providências cabíveis neste caso e para evitar que esse tipo de erro se repita’.

Estadao.com.serra – 4

As explicações do Estadão não convencem. Primeiro, porque informações preliminares são diferentes de profecia. Não dá para dizer como foi a carreata ou o comício se eles nem existiram. O que a matéria estava relatando só poderia ter sido escrito se o protagonista da história relatada – Serra – estivesse em Palmas. Uma dúvida ainda fica no ar: por que fazer o texto antes para corrigir depois? Haveria correção caso o sucesso da visita não se realizasse como profetizou o Estadao.com?

Estadao.com.serra – 5

Soa ainda mais estranha a matéria porque o jornal O Estado de S.Paulo já disse, em editorial, que Serra é o melhor candidato. Também faz constantes ligações entre a liderança do candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas pesquisas às turbulências econômicas. Ontem, na submanchete do jornal, estava estampado: ‘Queda de Lula em pesquisa faz dólar cair e bolsa subir’.

Estaríamos revivendo o que a grande imprensa fez com Collor? (Marcos Brogna)"

Alessandro Elias Gumier


Episódio lamentável

É lamentável deparar com tamanha falta de respeito ao leitor, no episódio sobre a falsa visita de José Serra a Palmas. Fico em dúvida sobre a imparcialidade de jornalistas e veículos quando se trata de eleições ou política. Espero que no exercício da profissão eu e meus futuros colegas possamos mudar, ou pelo menos tentar reduzir esse quadro vergonhoso da imprensa comprada.

Vanessa Bonon

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Agência Estado: "Notícia" do fato que não houve – Caderno do Leitor


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