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OBSERVATÓRIO ELEITORAL
Casoy e o denuncismo
Vi uma demonstração disso. No programa do Boris Casoy ouvi o relatório policial mais minucioso jamais veiculado na TV num só programa. Tratava-se do assunto "Corrupção nas prefeituras do PT". Nesta matéria, pude constatar a magnitude dos esforços que a polícia pode empreender quando quer, e quantos detalhes podem ser veiculados pela TV em seu tão propalado exíguo tempo. A partir da retomada de uma denúncia (não sei se do Ministério Público) sobre coleta de lixo em São Paulo, pelo que a repórter falou foi detectada uma verdadeira rede, uma máfia mesmo (a narrativa articulou os fatos de modo a construirmos mentalmente uma rede) em torno das prefeituras petistas, envolvendo muitas delas – São Paulo, Santo André e até mesmo Belo Horizonte.
Apuraram o envolvimento de até mesmo um militante petista! (Fiquei com medo, achando possível na próxima apurarem envolvimento dos eleitores desse partido). Mas não ficou claro se eram fatos consumados ou estavam ainda em fase de apuração. Ela não falou nenhum "suposto", fazendo a diferenciação necessária, dando a entender que se tratava de matéria decidida "transitada em julgado". Pior que isso só o que acompanhei uma vez na Bandeirantes, quando um jornalista renomado ficou uma semana falando dos atos corruptos envolvendo Lula, 10 mil reais e a compra de um Omega usado.
Nilce Marcondes
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Deus e o diabo na terra do Siqueira
Infelizmente é tudo verdade. Moro no Tocantins e o Serra apareceu por aqui sim, mas foi ontem (28/9/2002), de madrugada, na calada da noite. Para variar, a imprensa local não mostrou uma nota sequer sobre a famigerada matéria do Estadão. Triste imprensa esta nossa.
Eleição é coisa séria, seriíssima. O país vai mudar e os veículos de comunicação são responsáveis por expor estas mudanças. O caso da Folha de S. Paulo é evidenciado por ser um veículo de âmbito nacional. Agora, imaginem as corruptelas deste Brasil a quantas andam?
Moro em Palmas e aqui as coisas são difíceis, dificílimas. Um jornal local, apelidado de "Panfletão do Governo" – por coincidência do destino coronelista, homônimo da Folha –, faz tudo, menos jornalismo. Para se ter uma idéia, praticamente todas as manchetes, desde o começo da campanha eleitoral, enfocam (com dezenas de fotos do tamanho de meia página) apenas um dos candidatos a governador do Tocantins. Obviamente, o apadrinhado por Siqueira Campos, atual governador.
Se já é complicado cobrar uma postura ética (imparcial como queiram) da Folha de Sampa, imagine da Folha do TO?
Aqui vai um exemplo singelo da edição de 25/9/2002 do editorial desse respeitável jornal sobre o atual senador destas paragens, por sinal, filho de Siqueira:
"Eduardo, de um lado, viveu a emoção de ver o pai saindo de uma cirurgia que envolveu riscos e traumas. Do outro, a responsabilidade de manter o dinamismo da campanha, o entusiasmo dos candidatos, o voto do eleitor. O discurso de antes perdeu o significado. Agora, ele tem cara de senador, tem cara de líder, tem a fibra de Siqueira. Tem futuro."
Lucas Milhomens
Na mira, o "Coronel do Cerrado"
Foi uma grata surpresa ver no Observatório da Imprensa, finalmente, uma grande cobertura sobre a guerra midiática que vivemos em Brasília. Como bem escreveram Alberto Dines e Vera Silva, a imprensa brasileira deixou o Correio Braziliense sozinho no front contra Joaquim Roriz, e só agora percebeu a ditadura que se instalou na Capital Federal. Tanto se falou de Jader, ACM, Sarney e outros déspotas, e deixaram o "Coronel do Cerrado" lindo, leve e solto. Parabéns aos colegas da Universidade de Brasília pelas brilhantes análises.
Alexandre Sena, Brasília
O modelito da Folha
Foi cômica a matéria da visita de Serra a Palmas. Não pertenço ao mundo jornalístico, mas creio que, além das matérias semiprontas, deve existir o hábito de usar modelos de reportagem. Na hora oportuna, substituem-se os textos-chave. Como o fim da matéria "Presidenciáveis tentam ‘seduzir’ mulheres, que podem virar o jogo", de 29/9/2002, da Folha, na qual a jornalista Fabiana Futema esqueceu-se de substituir os "xx%". Vejam em <http://www.uol.com.br/folha/brasil/ult96u38647.shtml>:
"Segundo o Datafolha, o preferido do eleitorado feminino é Luiz Inácio Lula da Silva, com xx% das intenções de voto, seguido por José Serra, com xx%. O ‘charme’ dos candidatos será decisivo nesta última semana da campanha eleitoral já que xx% das mulheres ainda estão indecisas. Quem abocanhar o voto desse eleitorado exigente tem grandes chances de reverter o resultado das urnas e consolidar uma vitória nas eleições de 2002."
Lilian Mitsue Chiba, São Pulo
Voto pelo Datafolha?
Exercício proposto ao leitor: o que será que a Folha quer dizer quando afirma, em seu comercial, que "não da pra votar num candidato sem antes conferir o resultado da última pesquisa Datafolha"?
Hamilton Verissimo de Oliveira
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