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TEXTO JORNALÍSTICO
O caos da ortografia

Muito oportuno e necessário o artigo. Infelizmente não são só os neologismos e anglicismos que poluem o texto jornalístico hoje em dia. A afetação é apenas parte do problema, um sintoma entre outros. Muitos jornais estão se prestando, inadvertidamente, a veicular erros de português, a despeito dos esforços dos secretários de redação, que até publicam as broncas que dão em suas equipes. Não obstante, erros de concordância e regência verbal multiplicam-se espantosamente. Os verbos proliferar e procriar tornaram-se reflexivos de uma hora para outra. Sinônimos são usados como se obedecessem à mesma regência e concordância, o que nem sempre ocorre.

Plurais compostos parecem ter se tornado também um desafio para redatores, embora pertençam ao currículo ginasial. É cada vez mais comum ler coisas como "copos de cristais". Hoje mesmo, em seção de Notas de O Globo, informa-se que o Exército assinou convênio para dar cursos a cabos e soldados com a finalidade de "ingressá-los no mercado de trabalho". Na mesma página, "os nomes não foram divulgados (...) para não alertar os integrantes da quadrilha que ainda faltam ser presos" (!).

Tenho quase 20 anos de formada em Jornalismo e me parece que a falta de rigor gramatical nos textos jornalísticos (para não falar da internet...) tem contribuído para consagrar erros como regra e confundir toda uma geração de leitores. Tem-se a impressão de uma permanente confusão mental que volta e meia vem à tona em frases truncadas e equívocos semânticos. Se por um lado o jornais dão cada vez mais espaço a professores de Língua Portuguesa (como penitência pelo que escrevem?), por outro suas páginas a cada dia nos oferecem mais exemplos de como não se deve escrever. Que se leiam nas faculdades os artigos do Observatório e livros como o de Marcos de Castro, A imprensa e o caos na ortografia – para que um dia sua clareza chegue às redações.

Irene Zaide

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Desaforos contra a língua – Deonísio da Silva

 

ISTOÉ PARA CRIANÇAS
Faltou ouvir os céticos

Acredito piamente que o engenheiro José Colucci Jr. está 99% por cento certo, só discordo quanto às suas citações de produtos importados, mas isso não vem ao caso. O importante é essa estupidez de massa que se chama misticismo; essas "escolas" não só servem para tirar dinheiro dos mais crédulos, como também para manipulá-los. Alguém que realmente acredita em "forças" e que "busca o mistério" e ainda por cima vem com essas baboseiras de nova era não tem o mínimo senso crítico. O que é o óbvio mais óbvio. A reportagem em si não tem nenhum problema, a não ser o fato de ter falado dessas bobagens mágicas sem ter sequer debochado de "Paulo de Saint-Germain". Esse que é o absurdo.

O jornalista deve ser sempre cético e investigar os dois lados dos fatos. Se a matéria é sobre misticismo, magia branca e coisas parecidas, além de se entrevistar os "magos" também deveriam ser entrevistados céticos especializados no assunto, no caso até teólogos poderiam ter sido fonte.

O ceticismo é essencial no jornalismo, pois sem ele é possível a sociedade engolir tudo, até esses embusteiros entrevistados pela lamentável reportagem da IstoÉ.

Daniel Bender

 

Sobrou para o "mago"

Não li a matéria da IstoÉ, porque há muito deixei de comprar a revista, por essas e outras bobagens publicadas. Achei muito bem escrita a matéria do Colucci, mas minha pergunta é a seguinte: semelhantes observações não valeriam também para o "mago" Paulo Coelho, sobre o qual ainda não li uma resenha independe na imprensa?

Roberto de B. Emery Trindade

 

Exaltação de absurdos

Estou escrevendo para manifestar minha indignação com a reportagem de capa da revista IstoÉ. A credibilidade da revista é que está em jogo ao comentar livro do Sr. Rubens Saraceni chamado Livro das energias, contestado em diversos setores, dos científicos à OAB, que publicou em seu jornal interno várias páginas esmiuçando cada absurdo que este homem escreve. Professores da USP, da Unicamp, da Unifesp elaboraram dossiê, para tentar tirar este livro de circulação, por conter absurdos do tipo "o quanto antes o adolescente praticar sexo melhor", e isto é só o começo. Será que os repórteres não pesquisaram isto, será que isto não é relevante para se fazer uma matéria de denúncia e não de exaltação?

Adriano Gonçalves

 

Os bruxos não gostaram

Em primeiro lugar,"Tio Zezé", seu texto não teve a menor graça, sendo assim, se foi essa a sua intenção, desculpe desaponta-lo, mas não surtiu o efeito esperado. Em segundo, tratar a crença alheia de forma tão desrespeitosa é um absurdo, pois nem você, no alto de sua prepotência, nem ninguém tem o direito de julgar as verdades alheias. Chamar os seguidores do ocultismo de "patéticos" e "com menos de meio cérebro" não ofende somente a nós, mas a todos os seguidores de qualquer crença religiosa. Os católicos seriam idiotas por acreditarem que a humanidade se originou de Adão e Eva? E o que dizer dos judeus, que estão esperando o Messias até hoje? Otários? E por falar em "menos de meio cérebro", acho que é você quem está confundindo as coisas... o fato de seguirmos uma religião em que fazemos feitiços, rituais na lua cheia etc. não significa que acreditamos que realmente existe uma "Hogwarts" ou em bruxos que lançam raios de suas varinhas para fulminar pessoas.

Ah, só mais um detalhe, não trouxemos de volta a bruxaria do século 17 para os dias de hoje, por dois motivos: primeiro, porque tal prática antecede o período a que você se referiu, pois tem no mínimo 3.000 anos. Segundo, porque ela sempre esteve presente no mundo desde então, ainda que com menos ou mais adeptos. Quanto aos ocultistas de Salém, bem, um dos princípios básicos do jornalismo é checar a veracidade das informações; portanto, antes de dizer que as pessoas de Salém não levam a sério a bruxaria, você deveria ter verificado com as instituições Clã do Dragão, Fontes Pagãs do Maine, Cassius Julianus, Templo de Diana, Irmandade de Thalia, Artemisia Botanicals, Lilith McLelland. Ufa! Você tem um monte de fontes agora!

Bem, fico por aqui com a esperança de que a religião pagã seja tratada com mais respeito. Não terá sido suficiente a perseguição sofrida na Idade Média, ou mesmo alcunhas como "veneradoras do diabo"? Será que ainda teremos que aturar sermos chamadas de "burras" somente por termos uma crença diferente da maioria?

Marluce Ponte

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Manual do bruxinho colonizado – José Colucci Jr

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