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BORIS CASOY
Ele quer o quê? A ditadura?

Venho reparando nos comentários do Sr. (jornalista não-formado) Boris Casoy. Interessante perceber que, dialeticamente falando, ele achincalha sempre que pode a esquerda brasileira, mais especificamente o PT. O que teria Boris contra a esquerda que tanto o aflige? As enchentes em São Paulo existem há décadas, mas só porque uma petista é a prefeita, a cobertura "discretamente" insinua que o problema começou ontem. Se o PT faz aliança, é motivo de crítica, se não, leva chumbo do mesmo jeito. Se apóia a CPMF, leva bordoada. Como ele espera que seja? Se a esquerda assumir, de onde vai tirar dinheiro para implantar seu pacote social, já que a tão propagada Lei de Responsabilidade Fiscal obriga os estados e a União a pagar até mesmo dívidas advindas de precatórios com cheiro de irregulares?

Talvez tanta "raiva" venha da falta de noção do que significa ter que "rebolar" para implantar um programa de governo. E não deve saber mesmo, afinal, do conforto de sua redação.

Gostaria que nossos leitores reparassem na sutileza com que o Sr. jornalista desfere golpes no Partido dos Trabalhadores. Alguém deveria explicar-lhe que política, como já apregoava Sócrates milênios antes de nós, se faz com negociações, bom-senso e um inevitável "abrir mão de algo" de vez em quando, em prol de algo maior. Pois se ele imagina que todas as trocas em política são sempre um "toma-lá-dá-cá" inescrupuloso, como é que ele gostaria que fosse nosso regime? Ditatorial? Onde nada se negocia e não existe Congresso?

Ah, Bóris... a democracia tem defeitos, e não são poucos. Mas é bom lembrar que se o Brasil está desse jeito não foi a esquerda quem o deixou assim, pois, afinal, ela nunca esteve no poder. Criticar por criticar, eu também faço, como estou fazendo agora. Quero ver, estando na mesma situação, fazer melhor...

Pedro Ceto, Curitiba

 

URNA ELETRÔNICA
Faltou uma alternativa

Acho que seria razoável a opção "Nenhuma das instituições citadas acima" na enquete realizada, tendo em vista que um órgão que legisla, executa e julga não poderia, nem de longe, ser chamado de democrático, quanto mais figurar de guardião da democracia. Considerando-se ainda a farsa da urna eletrônica, por sinal muito pouco debatida na mídia (por que será?), é de se surpreender que a Justiça Eleitoral tenha sido considerada pelos votantes da enquete como a mais apta a realizar a fiscalização. A mídia... é melhor pular essa. ONU? Ah, aquela organização pseudo-defensora da democracia, à qual certa potência mundial limitou-se a comunicar que ia invadir certo país? Do meu ponto de vista, a ONU nada mais é que um capacho do G-7, e como certos candidatos interessam mais à tal potência do que outros (não que os outros sejam de grande valia), não creio que essa ONU tenha autoridade para fiscalizar processo eleitoral em parte alguma.

Não votei por falta de opção. Acho que seria sempre bom oferecer esse tipo de alternativa em qualquer enquete, porque senão fica uma coisa meio induzida, com pouquíssimas chances de traduzir a realidade dos leitores.

Eneida Melo

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