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OBSERVADORA ATÔNITA
A gestação do terror

Também sou uma observadora atônita. Se esperar nossos jornais e revistas para saber o que está sedo cogitado para enfrentar um movimento em prol da barbárie, ficarei mais atônita ainda. Tenho tentado ler o que é publicado em jornais e revistas americanos, além de assistir a telejornais de TVs estrangeiras, livrando-me de frases pretensamente de efeito das manchetes nacionais.

"Mas" – ultimamente as conjunções têm sido repudiadas... – não posso me furtar a mostrar que fico atônita com o volume enorme de colunistas e outros que expressam horror a comentários sobre possíveis eventos que estariam, de uma forma ou de outra, inspirando atos terroristas. Penso que diante de fatos bárbaros como os que o mundo viveu em 11 setembro, para poder prevenir, evitar sua repetição, é inescapável encararmos como tais coisas são gestadas.

A primeira pergunta que me faço: de onde vêm, e como são formadas as pessoas que pilotaram os vôos destruidores. De imediato, foram tais atos atribuídos ao extremismo islâmico. Continuei pensando: onde estão instalados? Estão no Oriente, onde Hegel pensava que a História não seria possível, pois a História, como obra do Espírito, só seria possível no Ocidente. O filósofo, sempre invocando o Espírito como manifestação de Deus, parece que esqueceu onde nasceu Jesus... Há uma parte do mundo que parece não contar, contribuindo para deixar boa parte da humanidade sem perspectiva de futuro. Em tal ambiente, o que dá para "frutificar"?

Com certeza os "Bin Laden "da vida... O fanatismo, que não se distancia muito da loucura, cria algozes e vítimas ao mesmo tempo. A barbárie só viceja na miséria. Urge, então, que a miséria seja vencida, e nesta batalha o hegemônico EUA não têm colaborado muito.Erro muito em minha avaliação?

Quem tem hegemonia é que poderá liderar a luta contra a miséria, contra a sua outra manifestação, o terror. Entendo que os criminosos que usam do terror para ganhar terreno devam ser buscados, detidos, processados nas Cortes Internacionais. Mas, ao mesmo tempo, temos que vasculhar seus esconderijos, propiciando outras condições de vida aos que não são terroristas e lá estão condenados a viver, sem qualquer esperança de uma vida com um mínimo de dignidade. Se os líderes terroristas, sob o manto de uma crença, desenvolvem o ódio dos seus "compatriotas" contra o "satã" do ocidente, necessário se faz mostrar uma outra imagem, que pode ser feita com ações humanitárias promotoras de um mais claro conhecimento sobre o que passa do outro lado do mundo, revelando àqueles que são tiranamente mantidos no obscurantismo, que é possível ser diferente sem ser excluído. Que é possível manter a fé sem ser exterminado por ser diferente. E isto deve valer para o Ocidente e o Oriente.

"Portanto, contudo e todavia", temos que ter postura crítica em face da política hegemônica americana, para que o povo americano saiba que estamos com eles, não para bombardear à distância o Afeganistão, mas para combater a miséria que deu ensejo a que Bin Laden use de sua fortuna para manter os seus companheiros de fé submetidos à falta de esperança que o terror dissemina.

A nação americana tem muitos méritos, mas têm muitos vícios, e estes precisam ser encarados por ela e por todas as outras nações em prol da humanidade.

Ana Lúcia Amaral

 

Tiro para todo lado

Para quem criticou o "infantilismo" de Celso Furtado, o autor do artigo beirou um ataque de nervos. Atirou para todos os lados, ao fim e ao cabo não acertou em nada, a não ser em si mesmo. A pergunta sobre Sebastião Salgado é inclassificável, tanto quanto a reivindicação do Pulitzer para a TV americana, retórica pura e sem fundamento. Está evidente que o jornalista está muito atônito, de fato... é melhor que tome um chá, durma e depois volte para escrever.

Wilma Pessoa

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