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GUERRA FRIA – PARTE 2
Cinismo no OI

Caro Sr. Alberto Dines, lamento, mas só posso considerar detestável o artigo "Guerra Fria, Parte 2 – A mídia como campo de batalha" [ver remissão abaixo]. Apesar de concordar com os argumentos iniciais – a imprensa se preocupa em vender-se de todas as formas, prolongando debates fúteis e improdutivos sobre um tema, servindo à fatídica e mundana causa terrorista exatamente como o terrorismo programara –, julgo inaceitável parte de suas considerações. Ora, não podemos esquecer o passado pleno de vilanismo dos EUA só porque eles são, neste momento, vítimas. Não se trata de justificar ou relativizar o atentado e as 6 mil mortes, mas o passado os condena, sim.

Isso realmente não pode e não deve justificar o atentado terrorista de 11/9, mas o desejo insensato e insano de vingança traz à tona a possibilidade de se discutir o papel dos EUA no mundo ocidental "civilizado". E isso também não pode servir para chorarmos as 6 mil mortes mais do que se chorou por outras tantas vidas perdidas em outras ocasiões, em números até maiores – se é que isso importa –, muitas delas ceifadas com enorme parcela de responsabilidade dos que agora são as vítimas.

Não se justifica o atentado, isso é algo fora de questão. Mas não é por isso que todos os desmandos dos EUA sejam agora ignorados e esquecidos. Dizer que há um "esforço para suavizar e relativizar a barbaridade dos atentados com cínicas justificativas ideológicas", isso sim, é cinismo. E quase má-fé. Ideologia, onde? Atacar opiniões contrárias às suas ou opiniões emitidas por pessoas das quais você discorda não cabe no seu papel de observador.

Por fim, sociólogo que sou, repilo firmemente seus comentários a respeito do "opinionismo e achismo". Se a mídia perde o rumo em seu desespero publicitário, de vendas, audiência e assistência, não é culpa daqueles que são chamados a "opinar", é problema dela e de sua forma de ser. Exceção feita a imbecis que enviam currículos disponibilizando-se para entrevistas e depoimentos, todos os consultados, sociólogos, historiadores, cientistas políticos, filósofos têm sua opinião. Assim como jornalistas. E estes outros profissionais, aceite ou não, potencialmente deveriam ter no mínimo mais argumentos para discutir a questão. Se não é assim, falha novamente a mídia, que procura os profissionais menos preparados.

Ou será que o "media watcher" Alberto Dines acha que o que vale é a opinião de jornalistas, e os demais devem permanecer calados, inclusive a opinião pública?

Sergio Luiz do Prado, São Bernardo do Campo (SP)

 

Mídia controladora

Gostei muito dessa matéria sobre o campo de batalha da mídia. Eu não sabia quase nada a respeito, e ela me esclareceu muito. Isso prova mais uma vez como a mídia pode controlar facilmente a opinião do povo, mostrando informações não verdadeiras.

Danilo S. Lima

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