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GUERRA E CIÊNCIA
Fala um palestino brasileiro

Prezado Ulisses, sinto-me grato por suas palavras. Sou neto de palestino e, com estes acontecimentos recentes, minha filha de 7 anos começou a questionar sobre os fatos. Senti necessidade de explicar-lhe que ela é descendentes de árabes, e que este povo não é um monstro ensandecido. Disse-lhe ainda quem foi seu bisavô, a origem de seu sobrenome etc.

Não compactuo com estas barbáries. Porém, me parece que não são fruto do acaso. A parte de minha família, netos de meu avô, que vive em Ramallah, na Palestina, sofre diariamente com a guerra, anos a fio. Milhares de pessoas morrem por uma luta inglória, sem mídia.

João Calil A. Mustafá Assem

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TRAÇOS DE FOGO
Charge engavetada

Meu caro Spacca, achei muito oportuna sua análise sobre o trabalho dos chargistas neste episódio dos atentados e diante da ameaça de uma nova guerra, com conseqüências imprevisíveis. A discussão sobre o papel do chargista é muito importante e nem sempre levada a sério (sem trocadilho). Principalmente em ocasiões como esta, em que se instaurou a perplexidade geral, é necessário que a discussão seja tratada em seu mais alto nível. Faço charges, como você, há algum tempo, e atualmente publico aos domingos na capa do Diário de Pernambuco (Recife). No domingo seguinte ao atentado ao WTC, porém, a charge não saiu, apesar de ter sido feita. Não se tratou de censura do jornal. Prevaleceu, sim, o bom senso, diante da magnitude da tragédia. Concluímos que não havia espaço para o humor naquela circunstância.

Não sei bem, mas acho que esta charge poderia se enquadrar na categoria de anarquista – segundo a sua classificação –, apesar de que, num primeiro impulso, minha intenção foi produzir uma peça com um leve toque de romantismo e poesia, ao me referir ao charme que Manhattan tem (?), tão bem retratado no filme homônimo de Woody Allen. Se fosse possível incluir som, não faltaria o solo de clarineta de Rhapsody in blue. Fica aqui o registro.

O debate sobre o assunto não termina aí. Como os ataques, muitas charges ainda virão. Um abraço do leitor-freguês deste Observatório.

Ricardo Melo

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