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DINHEIRO NO GLOBO
Brincadeira com coisa séria
Abaixo, cópia de carta que enviei ao Globo.
Angelica Silva
"Fiquei surpresa como, em espaço nobre deste jornal, a coluna do Ancelmo Góis informou sobre o investimento da Telemar para levar telefones a lugares de difícil acesso no território brasileiro – uma nota cheia de estilo e de metáforas, porém, com conteúdo dúbio e perigoso. A coluna cita que "pelo menos um terço dessa dinheirama será enterrada em lugar que é prejuízo na certa". Prejuízo em que sentido? Comercial a curto prazo, suponho. Pois a "dinheirama"de 3 bilhões de reais vai trazer benefícios sociais inigualáveis aos recônditos isolados deste imenso país. Não só isso. Aumentará o número de usuários dependentes do serviço desta concessionária, encabeçada por uma multinacional gigante nas telecomunicações.
"Aquela coisa de pedágio social imposto pelo falecido ministro Sérgio Mota" é a diminuta contribuição social das concessionárias, prestadoras de serviços à população, que são também megaempresas, remetendo seus lucros ao exterior e beneficiadas pela política de privatização do atual governo.
Enfim, a ilustração do dinheiro numa fogueira e o título "A morte do dinheiro" demonstra um tipo de jornalismo não a serviço do direito à informação do cidadão brasileiro, e sim comprometido com a lógica empresarial de um lucro imediato e desmedido. Deixemos o estilo "engraçadinho" de lado e cumpramos o papel de fornecer uma informação ética para a formação de uma opinião pública crítica e ativa. Angélica Silva – Assessora de Comunicação do Canal Saúde/Fiocruz e da Organização de Direitos Humanos Projeto Legal."
FOLHA DE S.PAULO
Notícia novinha. De 91
Mando aqui uma cópia de mensagem enviada ao ombudsman da Folha de S. Paulo referente a matéria publicada no dia 20 de setembro. Seria um grande orgulho para mim colaborar com o Observatório.
Danilo Di Giorgi
"Caro ombudsman, gostaria de registrar aqui o sentimento de incompreensão que a matéria ‘Suíça pune bancários ligados à lavagem’, publicada pela Folha no dia 22 de setembro, deixou em mim. Como estudante de Jornalismo, tenho aprendido, tanto na faculdade como nos estágios, a importância da ‘novidade’ envolvida na notícia. Profissionais da comunicação, sejam eles de assessorias de imprensa ou de publicações, diárias, mensais ou semanais, sabem bem disso, é o nosso dia-a-dia.
Deve-se, sim, evocar fatos relevantes do passado para ilustrar o assunto, mas o pilar da reportagem deve ser atual. Na reportagem em questão, o título ‘engana’ o leitor, dando a impressão de que atualmente a Suíça pune acusados, quando na verdade a Suíça aprovou lei que permite a punição de bancários em 1991. E é apenas esta a notícia. Repito: mais de meia página do caderno Brasil de sábado está dedicada a uma notícia que aconteceu em 1991! Pior: a reportagem não esclarece se alguém foi punido desde então ou se a lei ficou no papel. A não-citação de casos de punição traz a impressão de que nunca alguém foi punido. Ainda: o repórter foi ‘enviado especial a Genebra’, e, aparentemente, não fez entrevista alguma. Da matéria consta apenas uma frase: ‘Somente após 1991 a lavagem de dinheiro é considerada crime’, do advogado Luc Thévenoz, diretor do Centro de Estudos Jurídicos Europeus, da Universidade de Genebra. Obviamente, não precisava estar na boca de uma autoridade, uma vez que é um fato expresso como lei.
Mas o que realmente me preocupou e me fez parar em frente ao computador para me dirigir ao senhor foi o fato de que, coincidentemente, havia poucos dias eu lera, na última edição da revista Caros Amigos, uma entrevista com um deputado suíço, Jean Ziegler, perseguido pelo governo do seu país por atacar o sigilo bancário, que considera imoral, mas que é mantido pelo governo por ser, segundo ele, a base da economia suíça. Aliás, este seria o grande motivo por que a Suíça não faz parte da comunidade européia. Uma vez membro, teria que mudar sua política com relação aos bancos.
Aí fiquei preocupado: seria esta uma forma de acalmar o leitor que, como eu, ficou chocado com as afirmações do deputado suíço? Atenciosamente, Danilo Di Giorgi."

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