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Edição de Marinilda Carvalho
Um dos assuntos preferidos do leitor do Observatório é o mau uso da língua portuguesa, a falta de leitura, o analfabetismo funcional, a desnutrição cultural – males que grassam nas escolas de Comunicação, na mídia, no país.
Como a edição número 200 continha três textos sobre o assunto o leitor ficou feliz: neste caderno, são 18 cartas de críticas ou elogios a seus autores.
Boa leitura!
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Nota da Redação: O Observatório da Imprensa não publica mensagens assinadas com pseudônimo ou iniciais. Cartas só serão acolhidas quando claramente identificada sua autoria.
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DESAFIO AOS LINGÜISTAS
Em torres de marfim
Adorei o artigo de Caia Fitti. Concordo em gênero, número e grau. Essas universidades são torres de marfim onde se escondem os supostos donos do saber. Pesquisam sobre nada o tempo todo. Ostentam títulos e mais títulos que também não querem dizer nada. Enfim, trabalhar que é bom, nada. O dinheirinho (ou melhor, dinheirão, pelo que fazem) está na conta no fim do mês, e o resto do tempo é usado para maquiavelices sobre qual a melhor forma de enganar o governo para engordar o salário: bônus por isso e por aquilo, viagens ao exterior, congressos daqui e dali. Cadê serviço para comunidade? Ah, eles não podem sujar as mãos para distribuir cultura para o seu povo. Continuam fechados no palácio enquanto o povo sofre de fome de aprender. E os temas das pesquisas? Vergonhosos. Pesquisam sobre "a influência do pingo d´água no guarda-chuva". E recebem títulos de doutor por isso! Mais uma vez, parabéns pelo artigo:lúcido, acima de tudo.
Sonia Bidutte, Atibaia, SP
Há muita pesquisa prática
Discordo da articulista: há inúmeros estudos sobre o português. O Lael, da PUC de São Paulo, por exemplo, contribuiu para alterar os PCNs (planos curriculares) de Língua Portuguesa para lhe dar um tom mais prático e mais próximo da realidade e das necessidades dos alunos, deixando a metalinguagem gramatical em segundo plano e os usos concretos em situação em primeiro, e tem desenvolvido inúmeras teses a respeito.
Sou aluno de doutorado da PUC-SP, mas não é por isso que defendo: eu mesmo não sabia de tudo o que se faz lá antes de entrar como aluno. O que provavelmente não está acontecendo é um movimento que siga as teses do deputado Aldo Rebelo, que deseja alterar o dinamismo da linguagem por decreto, algo que nunca funcionou nem vai funcionar, como o mostra a história.
Concordo, porém, com relação à arrogância de certos acadêmicos. E concordo que é preciso mudar, na prática concreta diária, a orientação que se tem dado ao ensino da língua. Acho que, se se deve defender as variedades, deve-se ainda defender a unidade da língua e dar acesso universal a todas as variedades. Tanto a articulista como eu usamos a linguagem dita culta.
Adail Sobral
Com o livro, "coisa de pele"
A respeito do interessante artigo de Caia Fitti sobre o "Bobajol acadêmico", tenho a dizer que nunca fui de estudar gramática, matéria que me parece enfadonha. Ainda assim, não sou de cometer erros de português, pelo menos não com a freqüência berrante que se observa, hoje em dia, em todo lugar. A questão é que, desde a adolescência, cultivo o hábito da leitura e, também, o da escrita. A gramática nos descreve como é uma fruta, mas o sabor da fruta é de quem a prova.
Mais incrível foi ter flagrado um professor de Gramática cometer um sério erro de concordância quando quis exemplificar aquilo que explicava – ou seja, quando se passa da prática para a teoria, até os gramáticos erram. Deve entender tudo de compêndios gramaticais, mas nunca deve ter lido um romance.
Nas escolas americanas existe uma matéria chamada "Library", que consiste em as crianças irem uma vez por semana à biblioteca da escola para fazerem o que quiserem, inclusive folhear livros. Quer dizer, estando os livros ali, e nós aqui, começa a rolar uma "coisa de pele". Vale por mil compêndios.
Martim Cardoso
Engajamento agressivo
Impressionantemente agressivo o engajamento da professora. É uma pena porque idéias boas de serem debatidas quando são apresentadas de forma agressiva perdem seu valor.
Pedro Perini-Santos
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