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Paixão de Cristo... por Madalena
Sugiro o relançamento do Acredite se quiser. No ano passado coincidiram a Páscoa judia e cristã. Anunciei que escreveria sobre a "Paixão de Cristo". Recebi centenas de e-mails ofensivos dizendo, em essência, que só um judeu poderia dizer que Cristo teve caso com Maria Madalena! E uma pessoa me escreveu para me consolar: "Seu Nahum, não se aborreça não. O senhor sabe que no Brasil tem muito ignorante. Ora, Cristo era boa pinta e não era bicha, por que não haveria de ter um caso com Maria Madalena?" Outro: "Você escreveu que num suicídio o corpo do suicida fica como pedacinhos de picadinho. Alguém come?" (O assunto: os homens-bomba suicidas). Desse tipo, dezenas e dezenas, inclusive de colegas. "Você poderia me explicar o que é inflação e desde quando ela existe no mundo? Onde começou?"; "Me diz, se o Abrão comeu a escrava da Sara por que a Sara não botou chifre no velho?". E esta foi ótima: "Se Deus fez Adão e depois Eva, os dois não sabiam transar. Quem ensinou?" As magníficas escolas de Jornalismo...
Já tive editora daí no Brasil que, depois de eu escrever que israelenses e palestinos brigam na Terra Santa me telefonou desesperada – era hora de fechar: "Onde fica a Terra Santa? Na Palestina ou em Israel? E esta, muito mais antiga: eu estava em Nova York diante da televisão, nas Nações Unidas, acompanhando a visita de Kennedy a Dallas. Vi que ele fora ferido, o sangue na roupa da mulher – peguei o telefone e liguei para o Jornal do Brasil, era hora do plantão da noite. Gritei para ele: "Aqui é o Nahum, acabam de atirar no Kennedy, avise o Dines!" "Kennedy? Nunca ouvi falar!" Eu disse: "O presidente dos Estados Unidos." O plantão: "Não f..., p...!" E desligou. Tive que descobrir o Dines, e ele correu pra redação, tirou uma edição especial e o JB foi o primeiro jornal do mundo a informar. O que recebo por dia é incrível!
Nahum Sirotsky, correspondente em Israel
"Centro de excelência"
Absolutamente impressionante a lista de e-mails dos estudantes que o OI publicou! Na época em que morei em Manaus, fui professor de 2º grau numa escola pública estadual na periferia da cidade. Foi uma das mais estarrecedoras experiências de toda a minha vida. A maioria dos alunos não sabia ler nem escrever mais que o próprio nome, no 2º grau! E a diretora da escola dizia que era minha obrigação (e de todos os professores) fazer passar todos os alunos! No fim das contas tive que reprovar um ou dois por ser, mesmo no nível extraordinariamente baixo dos demais, impossível passá-los. Depois, de volta ao Rio, percebi que o problema era infinitamente maior e não se restringia a escolas que abrigam os mais pobres (como aquela de Manaus, ironicamente chamada, pela então Secretaria de Educação do Sr. Amazonino Mendes, de "centro de excelência"). O problema inclui muitas escolas particulares e é avassalador.
Assusta-me imaginar que cidadãos essa massa gigantesca de semi-analfabetos poderá produzir... Fico desesperado só de pensar, mas temos que pensar, pois são exatamente eles que serão a maior parte dos meus alunos no futuro. E, enquanto isso, o mundo universitário se afasta cada vez mais do horizonte dessas pessoas. Mestrados que exigem conhecimento que os cursos de graduação nem sempre oferecem etc. Não sei como o Lula vai encarar essa herança infernal.
Alexandre J. Eisenberg
Péssima formação
Sou estudante de Jornalismo, 8º período, e coincidentemente estava conversando com um professor sobre a péssima formação dos nossos colegas. Tenho sorte de ter nascido numa família de aficionados por leitura, mãe e pai jornalistas, então para mim, escrever bem (corretamente em primeiro lugar) é natural. Temos um jornal local em Balneário Camboriú (SC) e me impressiona a quantidade de semi-analfabetos, formados na mesma faculdade que eu, que passam por aqui. Muitos, muitos erros de português, sem falar no texto. Não entendo a visão que esses caras têm do mundo. Bom, pelo jeito vocês sabem do que estou falando, pois têm muitos exemplos que chegam por aí... Que vergonha...
Caroline S. Cezar
Parei na metade
Nossa! Eu parei de ler na metade, principalmente, porque faço assessoria de imprensa de um cantor e compositor bastante querido pela "moçada" e por isso recebo, infelizmente, este tipo de solicitação todos os dias. Se nós aceitássemos, meu cliente teria sido alvo de, pelo menos, umas 50 monografias de conclusão de curso de Jornalismo, em forma de entrevista escrita ou em forma de programas de rádio. Não bastando, há algumas semanas recebi uma que me pedia respostas a cerca de 20 perguntas, para aquela semana, para um trabalho sobre assessoria de imprensa.
O interessante é que eles não perguntam se você pode (eles já te mandam as perguntas), e não gostam quando você responde que não será possível. O que é isso, falta de educação?
Adriana Bueno Casagli
Grande concurso OI
Repassei o texto sobre os e-mails surrealistas que o OI, pobrezinho, recebe... Veja a idéia de uma amiga: "Uma sugestão para o Observatório da Imprensa:
Grande concurso "O que é o observatoriodaimprensa.com.br"
Quem pode participar: estudantes de Jornalismo."
Isabel Rebelo
Desabafo e bom humor
Sou jornalista, e acabo de ler seu desabafo. Bem, agora que você já está mais calma, peço um favorzinho: poderia me indicar em que site da internet posso encontrar os nomes, endereços, telefones e e-mails das vítimas da bomba de Hiroxima?
José Sergio Rocha
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Para rir, chorar e pensar – Marinilda Carvalho
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