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RBS NA BERLINDA
Queremos respeito
Gostaria de comentar alguns pontos do texto do estudante Daniel Bender. O assunto em questão não é simplesmente acabar com a RBS, nem acreditar que isso iria mudar alguma coisa, pois se uma emissora fosse embora outro grupo entraria no lugar. Mas o ponto é que existe um movimento social emergente no qual a ética na comunicação está sendo colocada em xeque.
O autor do texto, talvez por ingenuidade ou por ter uma opinião extremamente imparcial num assunto que não é parcial, esquece que o caso RBS não é só o das pesquisas de Ibope (o instituto erra pelo menos nas últimas quatro eleições, ou melhor, desde que o país é democrático, sempre a favor de seu candidato), nem apenas no caso dos Seguros da Cidadania (nesta caso, podemos nos perguntar: como uma CPI da Segurança Pública, que poderia acabar mesmo com a banda podre da polícia, virou em direção das contas do Partido dos Trabalhadores? Quais foram os interesses dos envolvidos, principalmente de Vieira da Cunha e Cia.?). Vamos lembrar o caso Ford, a volta da editoria de polícia justamente no governo Olívio (lembramos que no anterior, a editoria policial havia sido banida).
Também existe o caso do Diário Gaúcho, que estampou uma foto de capa e contracapa, bem ao estilo O Sul, com o aniversário do jornal, onde aparece o então pré-candidato Sérgio Zambiasi à frente de um mar de pessoas. Podemos citar também a pesquisa "Os 100 dias do governo Olívio": a pesquisa teve uma amostragem desigual na região de Guaíba, Eldorado do Sul e Barra do Ribeiro, local que receberia a Ford. Será que os dados são imparciais ou há manipulação? Ou vamos rememorar a famosa capa do jornal Zero Hora no dia das eleições de 98, com os dizeres de FHC: "Se o Britto ganhar, a ajuda será mais fácil". Há outros casos famosos.
O autor fala que os estudantes de Jornalismo sabem da parcialidade do meio de comunicação, mas qual a parcela da população que estuda Jornalismo? Somos nós, repórteres, jornalistas, RRPPs, publicitários o alvo do engodo? Ou será que as pessoas pretendidas são aquelas de outras áreas de formação ou até mesmo sem formação alguma?
"Mesmo assim, é muito pior tentar calar uma voz porque não reza a cartilha do partido no governo." O estudante Daniel Bender fala de imprensa independente do governo. De qual governo? Ela foi independente do governo Britto? Ou de FHC? Aqueles anúncios de página inteira dos editais do Banrisul dias antes do fim do governo do PMDB eram independentes? Tudo bem, talvez a minha visão disso seja errônea, mas dizer que o grupo RBS é independente do governo, aí já é demais. A questão é inverter os papéis: o governo tem de ser independente da imprensa, o que aconteceu neste governo. Claro, em muitos momentos houve erros por parte do governo petista e de Guaraci Cunha: a independência foi muito grande e não houve a comunicação devida entre os atores estatais e comunicacionais.
Se colunistas e jornalistas do veículo foram processados e perderam é porque algo está errado. Assim como aconteceu com petistas que falaram demais e acabaram perdendo processos. O ponto principal não é calar a RBS. Na minha opinião, é puritanismo da parte do autor do texto achar isso. O movimento que aparece nos últimos tempos é um reflexo da sociedade, que começa a cobrar por informações de qualidade, sem distorções. Não é simplesmente tirar a RBS de cena, mas sim fazer, apertando onde dói mais, ou seja, no bolso, com que este veículo respeite leitores, ouvintes e telespectadores. É isso que nós queremos, ser respeitados, que nossas inteligências sejam respeitadas. Se quiséssemos formadores de opinião falaríamos com professores, palestrantes e estudiosos. Mas não, a função do jornalismo não é formar opinião, mas sim informar fatos imparcialmente.
"Milhares de assinantes já cancelaram suas assinaturas e mais ainda estão por vir." O que uma pessoa quer quando assina um jornal? Eu, por exemplo, quero informações nas quais eu possa confiar. Se estas pessoas estão cancelando as assinaturas é porque não confiam mais no veículo. E é um direito de todos, como compradores do serviço, continuar dando seu dinheiro ou não.
Por fim, desculpe, mas a crítica à RBS não é apenas de petistas. É comum este costume de rotular as pessoas, e o de petista está na moda nos últimos anos, com o crescimento do PT. Agora eu posso estar sendo puritano ao pensar que existirá um veículo imparcial, mas, dentro dos preceitos jornalísticos, onde o mais importante é a credibilidade, se este quesito da RBS está abalado é porque alguma coisa está acontecendo. E olha que é um movimento marginal, sem apoio de nenhuma mídia, mas que cresce a cada dia. A pergunta que fica é a seguinte: por que isso está acontecendo?
Rafael Limberger, estudante de Jornalismo da PUC-RS
A Globo fez o mesmo
Antes de mais nada quero deixar bem claro que não estou defendendo a RBS e nem a Zero Hora, mas não podemos esquecer que a Globo também fez das suas, lembram das eleições de 1989, entre Lula e Collor? Pois é, a Globo conseguiu eleger um presidente corrupto. Penso que a nossa profissão deveria ter um pouco mais de ética e menos mentiras.
Alisson Cassol Dozza, estudante de Jornalismo da Universidade de Passo Fundo
Parcial também no esporte
O Grupo RBS não manipula apenas na política. No futebol também há uma clara preferência pelo Grêmio, que inclui a doação do atual placar eletrônico do Olímpico. Mas é nas manchetes que fica clara esta parcialidade:
** Em geral, quando o Grêmio perde um jogo importante, a notícia nem aparece na capa; quando ganha, a foto ocupa quase meia capa, mostrando os jogadores festejando.
** Quando o Internacional perde um jogo importante, a foto da capa ocupa meia página e mostra invariavelmente um torcedor chorando no portão 8; quando ganha, uma pequena foto aparece na capa, quando aparece.
** Quando jogadores ou dirigentes do Grêmio se envolvem em problemas extra-campo, muitas vezes nada aparece no jornal; quando o jogador ou dirigente é do Inter, uma reportagem detalhada explica todos os problemas.
Em geral, esse jornal é uma peça de ficção. Se é para pagar para ver mentiras, prefiro ir ao cinema. Outro caso raro é o narrador "oficial", o Paulo Britto (não sei se tem algum parentesco com o Antônio). Em todos os jogos do Internacional ele consegue errar de maneira sistemática todos os nomes dos jogadores. Não sei se ele tem problemas de visão, ou tenta adivinhar, mas o fato é que chega a ser ridículo ver ele chamando o Fernando Baiano de Daniel Carvalho, o finado Librelato de Fabiano Costa e o zagueiro Cris de Luis Alberto.
Alexsander da Rosa
Demissão na Gaúcha
O Sr. Rogério Mendelski, um dos mais parciais e direitistas âncoras da Rádio Gaúcha, foi demitido hoje à tarde (26/11/2002), segundo fontes do Departamento Jurídico da própria RBS. (...) Este processo, ao que tudo indica, é mais uma tentativa desesperada do Sr. Nélson Pacheco Sirotsky, no sentido de fazer uma pretensa faxina ética nos órgãos de comunicação do seu grupo, que perde credibilidade a cada dia que passa, com o cancelamento de milhares de assinaturas, após a escancarada manipulação de pesquisas eleitorais que a RBS promoveu nas últimas eleições.
Joana dos Santos
Demissão na Gaúcha – II
Acredite se quiser: depois de 15 anos e nove meses de comentários preconceituosos através de seu programa matinal na Rádio Gaúcha (Gaúcha Hoje), onde fez do sarcasmo e dos ataques duros aos movimentos sociais, aos segmentos desfavorecidos, aos agricultores sem terra, aos sindicatos e partidos de esquerda o seu estilo, Rogério Mendelski foi demitido esta tarde (dia 26/11/2002) da emissora principal da RBS.
Carrasco do MST, do orçamento participativo, do Fórum Social Mundial e de qualquer outra coisa que signifique luta por igualdade, justiça, direitos humanos, Mendelski teria passado dos limites, no entender da mega empresa de comunicação do Sul do Brasil, ao criticar de modo duro a Tim Celular, em favor da concorrente Telefônica Celular – patrocinadora de seu programa.
Mendelski já estava suspenso há alguns dias do programa, e a medida foi transformada em "rescisão amigável de trabalho", na tarde de hoje, por volta das 15h.
Seja como for, após quatro anos em que cumpriu seu papel de crítico ácido do governo da Frente Popular, agora – na fase "boas notícias" que a RBS já anunciou, para o próximo governo estadual, digo, próximo ano –, o estilo de Mendelski ficaria deslocado.
Precisa ser considerado também que, em nível federal, a Presidência da República agora é do PT – partido que causa brotoeja no radialista radicalmente neoliberal, mas que está no poder maior do Brasil.
O desfecho do caso é a prova de que, na grande mídia, pressão política em defesa de excluídos pouco vale – mas quando se mexe com os interesses de grandes grupos econômicos – aí o jogo endurece.
Rejane Lempek
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