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MÍDIA E VIOLÊNCIA
Superexposição condenável

A mídia estaria se comportando adequadamente na condução do assunto? Não estaria havendo uma superexposição de ambas as famílias, e, em especial, do menino nos meios de comunicação de massa? Debaixo de qual tapete jogaram a privacidade do menino e as garantias que o Estatuto da Criança e do Adolescente prevêem? Quando – como abutres – perseguem, encurralam, fazem vigília em frente à casa da família de Vilma, a mãe que seqüestrou o garoto, a mídia não estaria excedendo o limite entre o jornalismo e o shownalismo, aproveitando o termo do jornalista José Arbex?

Na faculdade, no trabalho ou em casa não se fala de outra coisa. Esse é o assunto da moda: "O caso Pedrinho", como ficou conhecido. Passado o primeiro momento chocante, a situação de superexposição do garoto. Sem qualquer pudor, qualquer mesmo, a mídia expôs enormes e recorrentes imagens do menino (menor de idade, diga-se de passagem).

Chamando o menino de Pedrinho, os jornalistas tomaram partido, saíram da condição de observadores dos acontecimentos, dos fatos, para serem torcedores, quando não animadores de auditório, ávidos pelo próximo momento eufórico da cena, até que ela se encerre. Estranho. A mídia passou a torcer, quiçá até distorcer os fatos.

Se é pela questão da prestação do serviço ao público, não seria melhor usar o tempo com reportagens ou matérias com desaparecidos/seqüestrados, e acompanhar o Caso Pedrinho com menos euforia e mais responsabilidade na observação?

Estou ficando preocupado... quantos Pedrinhos ou Oswaldos por semana serão necessários para manter a mídia "atuante" e "presente"? Quantos Richthofens? Quantas velhinhas espancadas, mal-tratadas e mortas precisam compor esse cenário? Isso é um problema da mídia ou somente, e estritamente, das relações humanas e, em vez de problemas, reedições de cenas de crueldade de outras épocas?

Geraldo Ramos

Só a aberração justifica

O caso dos alemães assassinados pela filha e o namorado em São Paulo me fez refletir um pouco sobre o papel da nossa profissão na sociedade. Não concordo com o destaque dado pela imprensa ao caso. Eu não questiono a notícia, mas o destaque dado ao fato. Aliás, jornalisticamente ele só se justifica pelo ineditismo, pela história e pela aberração. Como prestação de serviço à população esse fato passa longe. No que esse assunto me acrescenta enquanto leitor? Nada. Só acho que se justifica se for feita uma análise, por exemplo, do relacionamento entre pais e filhos, ou a perda de valores por parte dos jovens etc. etc. etc. Agora, simplesmente contar o fato... Lembro-me de uma palestra de Alberto Dines que assisti em 1995, aqui em Vitória, quando estava no primeiro ano de Jornalismo, e um dos assuntos era a divulgação de suicídios. A questão era: divulgar esse fato incentiva ou não outras pessoas a fazerem o mesmo? Hoje, não se divulgam mais suicídios.

Será uma mera coincidência o grande número de jovens assassinando pais e parente por alguma desavença? Vou citar três casos que aconteceram depois assassinato em São Paulo: aqui em Vila Velha, cidade da região metropolitana da Grande Vitória, um rapaz matou a mãe porque ela descobriu que ele usava cocaína e estava questionando seu vício. Uma garota mandou matar a mãe em Salvador porque se opunha ao namoro. Mais recentemente, um garoto viciado em cocaína matou a avó e disse que mataria a mãe. Será que a grande divulgação do fato não "deu a idéia" a pessoas que viviam situações semelhantes?

Alvaro Vargas Filho, jornalista

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