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NEGROS & PRETOS
Equívoco ou opção?
Belíssimo, como sempre, o texto do Muniz Sodré. Mas ele incorre num equivoco, na verdade muito comum, que ajuda a confundir o tema: embora sejam sinônimos na linguagem de senso comum, "negro" e "preto" têm significados distintos quando se trata de pesquisas quantitativas. O IBGE não usa a categoria "negro". Trabalha com "brancos", "pardos", "pretos", "amarelos" e "indígenas" – esta última recentemente acrescentada. Os dados mostram, então, um grande fosso a separar "brancos" e pardos, e uma pequena distância entre estes e os "pretos". Isso leva uma parte dos pesquisadores que trabalham sobre esses dados a juntar "pardos" e "pretos" numa outra categoria, que pode ser "não-brancos", "afro-descendentes" ou "negros" – como defende o movimento negro.
Assim, quando se fala – como o grande Muniz faz em seu texto – em "negros e pardos" estão-se misturando alhos com bugalhos, ou seja, uma categoria tradicional do IBGE e outra que corresponde a uma visão mais critica e comprometida com a mudança. Uma categoria mais abrangente com outra que dela faz parte. Como se estivéssemos dizendo "pretos e pardos e pardos". Como advertem os metodólogos, temos de ficar atentos às armadilhas do senso comum.
Carlos Alberto Medeiros
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FÁTIMA PACHECO JORDÃO
Desculpas à socióloga
Gostaria de pedir desculpas a Fátima Jordão, já que minha observação era para ser dirigida ao jornalista Luiz Weis – ou ao seu editor, caso tenha. Minha indignação refere- se à matéria imediata à entrevista da socióloga. Chapéu: "Ecos da Campanha". Título: "Cadê Dona Maria?", referindo-se a uma Maria de nome composto e sobrenome! Recapitulando: chamar mulher de dona Maria (ou algum José de "seu Zé) é uma forma preconceituosa de "querer" dar voz aos pobres, aos da "periferia", às donas-de-casa. Antes, era uma expressão – que fez história – pejorativa, dirigida às mulheres, de maneira geral, que "ousavam" tomar o volante de suas vidas... e, para as que o tinham, de seus automóveis.
Faço também a observação de que as matérias poderiam ter um outro sistema de separação, evitando-se o equívoco que cometi, e que só me dei conta porque um leitor, muito educadamente, me escreveu, por não achar o motivo da minha indignação – palavras minhas – na entrevista mencionada. Foi bastante desconfortável perceber minha injustiça... Que a socióloga me perdoe. E, a quem couber, que vista a carapuça...
Marli Ribeiro
Nota do OI: Prezada leitora, seu erro não se deveu ao "sistema de separação" das matérias, mas a uma falha no link do "Envie seu comentário", que equivocadamente traz no cabeçalho da mensagem "Fátima Pacheco Jordão", e não "Ecos da campanha". A leitora provavelmente não percebeu que tal cabeçalho nada tinha ver com o artigo que acabara de ler. Quanto ao artigo citado de Luiz Weis, convém reiterar que o Observatório tem editor, sim. O título da matéria é "O povo, cadê o povo?" Os dois intertítulos incluídos no texto são "Cadê Dona Maria?", retirado do trecho do artigo onde está escrito "(...) de Dona Maria, a dos retratos, nenhum sinal de vida a mais"; e "Cadê o morador?", originado do último parágrafo do texto, onde está o seguinte: "Mais difícil – ou para dizer a verdade, impossível – é encontrar na matéria a fala de um único morador da Vila Kennedy, dizendo por que votou em Lula, o que sente por ele e o que sentiu com a sua vitória".
O editor que assina esta nota, responsável pelo fechamento da citada matéria, achou desnecessário explicar aos leitores que, pelo fato de haver um título com interrogação, perguntando onde está o povo; e no meio da matéria um personagem dotado de nome e sobrenome, mas que o articulista, por uma questão de estilo, tratou, num determinado momento por "Dona Maria"; e, a seguir, ter ele, o autor, numa crítica a matéria jornalística, perguntado cadê o morador da Vila Kennedy que votou no Lula; por tudo isso, como dizia, o editor calçou-se nas três interrogações, está convencido de ter dado um tempero na edição da matéria e é categórico em refutar a acusação de preconceito contra as mulheres, contida em sua mensagem. (Luiz Egypto)
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