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ESPERANÇA
Debocham mais do Brasil

Não entendi muito bem o que quis dizer a colega quando afirma que a novela mostra um italiano podre, mas a primeira coisa que me ocorreu foi a antiga frase que se lê ao fim de cada capítulo, "esta é uma obra de ficção ". E parece que pegando carona nas idéias do cinema brasileiro, que gosta de imitar a realidade, muitos telespectadores se revoltam quando não avistam a realidade ao pé da letra na tela. Não estou aqui para defender o autor de Esperança, muito menos a emissora porque observo na mídia, não só na brasileira, uma carência de documentários sobre as culturas estrangeiras que ainda estão vivas hoje em nosso país, o país de maior mistura de culturas do mundo. Mas dizer que a novela é um deboche me parece um exagero.

Críticas semelhantes fizeram à minissérie O quinto dos infernos. Foi uma pena, muitos não entenderam. Os portugueses aqui chegaram, fizeram de tudo e mais um pouco e por conta de toda aquela avacalhação deixaram até hoje a marca de que o Brasil é um país só de desordem. Nenhuma emissora do mundo gosta de mostrar o que o Brasil produz, ninguém publica o que o Brasil tem de bom. Do Brasil só falam de carnaval, mas não contam o que representa cada fantasia porque não sabem mesmo. Do futebol mostram um pouco da nossa alegria de torcer, mas logo falam da vida miserável que cada jogador famoso teve na infância. Das favelas e da fome dispenso comentários. Dos meninos de rua e mulheres nuas fazem divulgações espetaculares e nos ridicularizam em jornais, revistas e na televisão. Somos discriminados em exagero pelo mundo afora e não reclamamos. Nós brasileiros até que não debochamos de povo nenhum, se observarmos bem vamos ver o quanto debocham da gente.

Elaine Karl, jornalista

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GALILEU
Vida longa em questão

A revista Galileu, em seu número 137, exibe na sessão Correio (pág. 80) um destaque intitulado "Elogio em espaço crítico", onde cita o Observatório da Imprensa ("Galileu praticamente só tem sido citada positivamente nesse espaço crítico", a propósito de um comentário de autoria do professor Deonísio da Silva, em (http://www.observatoriodaimprensa.com.br/ofjor/ofc201120021.htm), "que elogia nossa reportagem ‘A mentira da vida longa’", matéria de capa da edição 146.

Importante destacar que essa não é uma opinião unânime, como é comum em ciência.

A matéria é claramente parcial, e a talvez seja explicada pela presença da reportagem de capa de seu concorrente direto da Editora Abril, justamente oposta, relatando as pesquisas favoráveis à longevidade. A conclusão é que talvez, somente talvez, a opinião de Galileu tenha sido, digamos, reforçada pela necessidade de fazer frente ao concorrente. Perde o leitor, que quer matérias do "mundo da ciência", a priori isentas desse tipo de necessidade mercadológica.

Enviei o texto abaixo por e-mail no dia 17/11/2002 à redação de Galileu, mas não foi publicado.

"A matéria sobre a impossibilidade de se prolongar a vida, na minha opinião de leitor, não faz jus à excelência habitual da revista. Primeiro por contradizer-se lá pelas tantas, de que "contando com as novas tecnologias, poderemos acrescentar mais 15 anos, com muito otimismo". E em segundo lugar, por confundir expectativa de vida independentemente da presença de doenças limitantes. É possível aumentar os anos de vida sim, ao contrário do que afirma a matéria, entre 5 a 10 anos segundo a Organização Mundial da Saúde. É evidente que existe uma limitação física, que ainda se discute qual seja, se é de 90, 103 ou 117 anos, existem sérias dúvidas. O que podemos fazer na prática é evitar doenças e promover a saúde. Nesse sentido a matéria é absolutamente omissa. Segundo a OMS, de um conjunto de 25 grandes riscos evitáveis selecionados e estudados em detalhes, os 10 mais importantes a nível mundial são: baixo peso infantil e materno, práticas sexuais sem proteção adequada, pressão arterial elevada, uso de combustíveis sólidos em ambientes fechados, deficiência de ferro, e a obesidade e o sobrepeso. Esses fatores comprometem no mundo todo em torno de um terço dos anos de vida saudável perdidas anualmente. Quem desejar mais informações pode visitar o site da OMS sobre o tema, em espanhol, no endereço <http://www.who.int/mediacentre/releases/pr84/es/>. Cordialmente, Cyro Masci, médico."

Em tempo: entrei agora (30/11/2002) no site da revista, e Galileu noticia que "Enzima explica por que comer menos faz viver mais", sobre pesquisa que "mostrou que a diminuição do funcionamento dessa enzima nesses insetos ativa o mesmo gene, o Sir2, que em leveduras submetidas a restrição calórica aumenta a longevidade desses animais" e que "estudos com levedura, roedores e outros organismos verificaram que uma redução drástica nas calorias estende a duração da existência, e pesquisadores estão se empenhando para descobrir como isso acontece. A esperança é que drogas para humanos possam ser desenvolvidas imitando esse efeito, sem que seja necessário comer menos".

Sem dúvida, Galileu ainda é uma ótima fonte de novidades científicas, inclusive das pesquisas que indicam possibilidade de se obter uma vida mais longa.

Cyro Masci, médico

HORÁRIO DE VERÃO
Falhamos no esclarecimento

Percebi que Ulisses Capozzoli tem opinião consolidada sobre o assunto e já sabe o que vou dizer. Mas muitas pessoas não têm essa informação, e acho que nós da imprensa, e o governo, principalmente, falhamos ao não deixar explícito que o objetivo do horário de verão não é a economia de energia pura e simples. É o deslocamento do consumo para´fora do horário de pico, da mesma forma que as cidades ajustam os horários de comércio e de bancos. Não se faz ajuste de horário de transporte para reduzir o número de pessoas transportadas, mas sim para reduzir a quantidade de ônibus que serão necessários na operação.

No setor elétrico essa redução de carga por volta das 19h chega a 4%, e já é significativa para o sistema. Os técnicos nos dizem que isso permite, por exemplo, programar o desligamento de máquinas para manutenção. Se este benefício compensa o custo são outros quinhentos, e é aí que se deve dar o debate.

José Ramos

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