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ABOBRINHAS E RÓTULOS
Autênticos viram "radicais"
Manchetes dos jornalões em 1/2/2003:
** O Globo: "Radicais do PT hostilizam Palocci"; "A gritaria dos radicais";
** Jornal do Brasil: "Radicais do PT abrem fogo contra Palocci";
** Estado de S.Paulo: "Ala radical reclama e não aceita ser enquadrada"; "Dulci diz que rebeldes são minoria no partido".
Essas manchetes apenas confirmam que o governo federal está atendendo plenamente aos desejos do conservadorismo nacional, proprietário dos grandes jornalões. Não é nenhuma surpresa que esses jornalões utilizem a já tradicional tática de rotular quem vai de encontro a seus interesses com algum título potencialmente reprovável ou antipático. E como isso vem funcionando, certamente tentarão enquadrar aqueles que apoiaram e votaram em Lula pelas mudanças como figuras radicais, rebeldes, xiitas etc. e tal.
Talvez algum desses neoliberais enrustidos resolva, até, sugerir que há ligações desses insistentes petistas com a al-Qaida, ou Saddam, ou Bin Laden, ou o Bicho Papão. Talvez até convidem a Regina Duarte a dizer que tem medo deles... O governo abandonou as mudanças. Seus atuais timoneiros demonstram jamais ter acreditado na viabilidade das mudanças. Por sinal, o Sr. Luiz Dulci, secretário-geral da Presidência, fala em "Mudanças responsáveis, mudanças gradativas", o que nos apavora ao lembrar de Geisel e sua "abertura gradual e responsável". Assim, não resta aos oposicionistas ao modelo neoliberal continuar a luta pelas mudanças (sem restrições de conveniência), para as quais Palocci, Genoíno e tantos outros "figurões" do PT estão dando as costas.
Em vista disso, permanece válido o bordão "A luta continua", já que os "cabeças" do PT se mostram efetivamente preocupados em fazer as vontades do mercado, ocupar cargos bem-remunerados, agradar a mídia conservadora de sempre, e, enfim, deixar o tempo passar, até que os "radicais" sejam devidamente destruídos pelos rótulos. O eleitorado tem que ficar muito atento a estelionatos eleitorais (Cruzado, Collor, tiro final na inflação, real igual ao dólar, de FHC etc.). De todo modo, é bom constatar a reação dos petistas comprometidos com as mudanças e com as PROMESSAS de campanha. Não há por que arredar pé e aceitar as traições ao eleitor. E nisso contarão com o apoio de simpatizantes de outros partidos, que votaram em Lula e que também não aceitam as empulhações até o momento enfiadas goela abaixo dos mudancistas. A propósito da eloqüência do Sr. Palocci: votamos nele ou no Lula?
Gilmar Ribeiro, Petrópolis, RJ
Esquizofrenia e retórica
Talvez falte um debate sobre como criticar um governo de esquerda no Brasil. O colunista Fernando Rodrigues, no dia 29/11/03, disse o seguinte: "Lula não baixou a inflação. Pelo contrário, seu governo começou aumentando a taxa de juros. A popularidade continuou lá em cima". Essa frase é absolutamente retórica, porque, como o noticiário econômico da Folha indica:
1) A inflação estourou no fim do governo FHC, e as causas são controversas: questões eleitorais, inconsistência do plano econômico administrado pelo ex-presidente etc. Mas os índices inflacionários eram anteriores à posse, e dificilmente um economista sério esperaria que ela baixasse em um mês.
2) O aumento dos juros foi uma estratégia usada em todo o governo FHC para atrair investimentos estrangeiros, por um lado, e, por outro, para encarecer os empréstimos internos e, justamente, combater a inflação. Não seria esse mesmo motivo que um ator tão comentado pela Folha, o mercado, tenha adorado o aumento dos juros?
3) Curiosamente, a Folha se alinha aos "radicais do PT" e aos economistas defensores de uma saída mais rápida do modelo macroeconômico de FHC. Emir Sader, nessa Folha, criticou o governo Lula por isso, caracterizando-o de "esquizofrênico".
Pois eu diria que a Folha anda esquizofrênica, inexistindo no meio de comunicação uma relação lógica entre o que é matéria de especialistas e o que dizem os colunistas. Essa esquizofrenia é salutar no marketing para defender um pseudopluralismo, mas permitir que os colunistas façam exercícios de retórica para assegurar uma oposição inconseqüente ao governo é patético. Talvez todos pudessem compor com o Macaco e o Jabor um só caderno, pelo menos assim poderíamos ter mais humor, em vez de permitir que a contracapa encha de autoridade críticas mal feitas.
Celia Colen
Confeiteiros bem-alimentados
A indústria dos Confeiteiros sem Fronteira (que nome ridículo...) é, sim, e muito, alimentada pela mídia. Logo surgirão (se é que já não existem) os Granjeiros Sem Fronteiras, os Pedreiros Sem Fronteira etc. Enquanto render pontos no ibope, tá tudo valendo...
Robson Lopes dos Santos, São Carlos, SP
Implicância antiga
Concordo com a afirmação de Alberto Dines, sobre as grandes manchetes dos jornais. Tenho 19 anos, meu pai assina a Folha, e sempre que posso a leio. Tenho reparado que freqüentemente as manchetes do jornal são carregadas de sensacionalismo, não retratando, na minha opinião (aí mora o perigo), o tema central da notícia. Diria também que as manchetes têm sido tendenciosamente contra o governo Lula. Essa minha possível implicância com a Folha já vem desde as eleições no ano passado.
Luiz Carlos, São Paulo
Ciranda cobriu melhor
A mídia independente teve papel muito importante na cobertura do Fórum Social Mundial. Por exemplo, a Ciranda Internacional de Informação Independente contou com 800 jornalistas inscritos, de todas as partes do mundo, que cobriram o Fórum tanto com matérias quanto com fotos e vídeos. Visitem <www.ciranda.net>.
Kelen Pessuto
A vida trucidada
As abobrinhas estão em toda parte, não se vive a necessidade, vive-se o que se impõe; temos grande parte de instituições comprometidas com o poder, e a mídia se acha todo- poderosa, detentora do direcionamento da opinião pública. Enquanto grande parte da mídia distrai a atenção da sociedade brasileira e mundial, a vida é trucidada nos bastidores da política nacional e internacional.
Gostaria de externar minha insatisfação com esse modelo, que pratica a dominação de seus semelhantes com abobrinhas.
Fernando César de Souza
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Puxa-saquismo da esquerda
Pobres pessoas de bom senso! Sim, porque quase não se consegue ler os jornais escritos nem assistir aos televisivos do Brasil, de tanto puxa-saquismo da esquerda, com muitos e muitos jornalistas sendo pagos para falar bem da esquerda. Existindo um jornal exclusivo de esquerda então... Quem sabe a senhora Aleida Guevara pede um pouco de liberdade de imprensa lá na terra do Fidel? Liberdade política, liberdade econômica... Seria coerente.
No mais, é preciso mais do que nunca desmascarar essa turma do olhômetro hipercalculativo.
Jorge Vargas, Canoas, RS
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