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A ÚLTIMA DA VEJA
Ofensa a Parra e Jara
Realmente a revista Veja ultrapassou os limites do bom senso e da honestidade. Ou será simplesmente ignorância pura de seus redatores? Encaminho abaixo o e-mail que acabei de enviar à redação da revista, pois creio que interessa a todos os cidadãos pensantes desmascarar uma revista que se diz de "informação" e no entanto publica uma torpe desinformação sobre o valor artístico de Violeta Parra e Victor Jara. Se possível, espero que o Observatório da Imprensa dê destaque a essa infame matéria publica na página 96 da edição de 5/2/2003.
Celso Euzébio de Oliveira, São Paulo
Sr. Diretor de Redação, recebi sem ter solicitado um exemplar de Veja em minha residência. Ressalvo que deixei de assinar a revista há muito tempo por não concordar com as mudanças ocorridas na linha editorial, tendo me manifestado por e-mail a V.Sas. que a "nova" revista Veja estava (e está) recheada de matérias supérfluas, análises sem profundidade (nada que acrescente ao que se publica diariamente nos jornais), enfim, a nossa antiga e querida Veja se transformou num "mix" de Caras + Superinteressante + Almanaque Abril. A matéria de capa da edição de 5/2/2003 é simplesmente um horror, feita sob medida para cabeças não-pensantes, pois fica no óbvio ululante, sem nenhuma análise crítica e substância. Qualquer coluna assinada do Estadão tem maior consistência que a revista inteira. Assim, realmente não dá para voltar a assinar.
Mas, o que realmente me deixou indignado foi a matéria sob o titulo "Para los tigrones", na página 96, cujo autor deve ser um mentecapto por afirmar logo no inicio que "finalmente, os brasileiros podem se considerar vingados pelasmúsicas chatíssimas dos chilenos Violeta Parra e Victor Jara que inundaram o país na década de 70. Em baixa por aqui há mais de três anos, a axé music virou moda no Chile, levada pelo grupo Axé Bahia."
Será que eu li direito? Pedi a minha esposa que lesse e ela levou um susto com tamanha ignorância. Como e com que direito o anônimo redator de Veja escreve tal baboseira e ainda tem a desfaçatez de falar em nome de todos os brasileiros? Provavelmente, deve ser alguém que jamais ouviu Elis Regina interpretar "Gracias a la vida". Para esse "nerd" da Veja, eu transcrevo e dedico os versos de Violeta Parra da maravilhosa canção "Gracias a la vida". E também um texto do inesquecível Henfil para quem Victor Jara era o Chico Buarque do Chile. Agora, é imperdoável uma revista nacional do porte de Veja difundir tamanha ignorância sobre o valor artístico de uma Violeta Parra e de um Victor Jara. Eu realmente me senti ofendido. Meus pêsames.
PS: Podem suspender o envio gratuito de novas edições da revista. Sou professor e fico realmente preocupado com o programa "Veja na sala de aula", pelo péssimo exemplo de desinformação sobre assuntos culturais.
CARTILHA DA DESINFORMAÇÃO
Estamos crescendo
Vejo a cartilha "Manual do deputado petista 2003" com olhos diferentes dos de Alberto Dines e, por não ser jornalista e não fazer parte do grupo que a organizou, talvez possa trazer outro ponto de vista. Há muito que o OI vem chamando a atenção sobre o comportamento da grande mídia, sobre a postura d o jornalismo-show. Algo não muito diferente do ilusionismo que o artigo "Homens-bolha, grupos-bolha" tão bem discute. A cartilha discutida em "Deputados do PT devem desconfiar da mídia" não é pioneira nos altos escalões da política nacional.
Em vários momentos da história já foram propagadas regras, se não impressas, de boca em boca, para o comportamento diante da imprensa, ávida de depoimentos que inquietem e atraiam a atenção do leitor ou espectador. As recomendações da cartilha são por vezes descuidadas, como muito bem aponta o artigo, mas são instrumento utilíssimo (que se façam as correções) para o relacionamento sadio entre partido e mídia, para que esta última tenha menos chance de ressaltar detalhes tão insignificantes como a falta de um dedo, que insistiu até aqui em explorar.
Vale lembrar que somos um povo que está desenvolvendo, ainda que tardiamente, a sua consciência como eleitor participante. Somos ainda suscetíveis a criar estigmas destruidores a partir de detalhes inócuos. Estamos crescendo, e esta cartilha tem o seu valor.
Vicente Gosciola
Leia também
Deputados do PT devem desconfiar da mídia – A.D.
Homens-bolha, grupos-bolha – A.D.
UFES
Reitor recorre a "mordaça"
Segue, abaixo, transcrição de matéria publicada pelo jornal-laboratório Universo Ufes <http://www.universoufes.cjb.net/>, editado por alunos do curso de Comunicação Social da Universidade Federal do Espírito Santo. O texto trata da proibição imposta pelo magnífico reitor José Weber Freire Macedo de que funcionários da universidade prestem informações ou dêem entrevistas sem expressa e prévia anuência do próprio reitor. O assunto, de tão cabeludo, já foi parar nas páginas dos jornais diários de Vitória. O Sindicato dos Jornalistas também se envolveu e assumiu, como se espera do sindicato, o direito dos jornalistas de acesso às fontes e da sociedade à informação.
O objetivo da medida, já "assumido" pelo reitor, é dificultar o trabalho dos jornais- laboratório que, segundo ele, se tornaram veículos políticos de oposição à reitoria. Para quem conhece o reitor – que dificulta processos de aprendizado dos alunos da própria universidade que dirige –, a medida, surrealista – não chega a espantar.
Joca Simonetti
Lei da mordaça vigora na Ufes
O Congresso Nacional aprovou no final do ano passado, em caráter de urgência, a chamada lei da mordaça. A universidade não está muito distante desta realidade. Os alunos de Jornalismo enfrentam problemas para entrevistar funcionários docentes e servidores. Estes só podem repassar informações mediante ofício assinado pela Reitoria com antecipação do assunto a ser tratado e somente a respeito do tema explicitado, sendo necessário um ofício a cada nova entrevista e cada novo assunto.
Segundo a vice-diretora do Departamento de Comunicação, Tânia Mara Ferreira, o departamento deveria tomar uma posição oficial sobre o caso e enviar uma nota ao reitor José Weber Macedo como forma de protesto, além de avaliar possibilidades de mover uma ação no Ministério Público. De acordo com Tânia, a imposição do silêncio aos funcionários diante dos alunos de Comunicação Social impede que a comunidade acadêmica tenha acesso a informações necessárias para garantir a transparência na gestão da universidade.
"Por se tratar de um espaço público, toda a sociedade deveria ter direito à informação. A universidade é um espaço público, portanto, qualquer cidadão – membro ou não da comunidade acadêmica – tem o direito a todas as informações referentes à universidade". De acordo com a presidente do Sindicato dos Jornalistas do Estado do Espírito Santo, Mônica Santos, a exigência dos ofícios fere dois direitos constitucionais: o direito da comunidade de acesso à informação, quando dificulta ou até impede a divulgação por parte dos alunos de comunicação, e a liberdade de expressão dos docentes e servidores, quando lhes impõe "condições formais" para conceder informações.
Várias informações úteis à comunidade foram simplesmente não publicadas graças à sonegação de informação. A justificativa repassada pelos servidores procurados para entrevistas é que a exigência dos ofícios tornaria menos constantes as entrevistas dos alunos de comunicação, que "às vezes atrapalham o trabalho por falta de tempo".
Quem perde com isso são os alunos de Comunicação que ficam limitados de trabalhar em seu jornal laboratório, a comunidade acadêmica que não tem acesso a informações institucionais, o conjunto de todos os estudantes que deixam de saber de fatos relevantes ligados aos seus cursos e, por fim, a própria sociedade como um todo, que aos poucos tem assistido pequenas violações e desrespeitos às liberdades constitucionais adquiridas.
O assessor de Imprensa da Ufes, Luiz Vital, foi procurado mas não quis falar sobre o assunto.
Afinal, como polemizar, se até o Congresso Nacional já aprovou a Lei da Mordaça?
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