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ABOBRINHA DA SEMANA
Fútil, egoísta, segregacionista
O tom grosseiro da reportagem apenas reforça a cartilha fútil, egoísta e segregacionista do consumismo. E depois vem a folha de sp (gravo assim mesmo, com minúsculas) arrostar-se a condição de guardiã dos valores democráticos, da liberdade, da busca por uma sociedade mais igualitária. Pura balela. Classifico tal procedimento de irresponsável, pois depõe contra a cidadania, tão combalida neste país. Deviam pensar seriamente, pois os leitores, notadamente os jovens, precisam de exemplos positivos, e tal intento não pode restringir-se a uma linguagem e uma diagramação "moderninhas". O que importa são os valores.
Gerson Chagas
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Fonoaudiologia invasiva – A.D.
DIPLOMA EM XEQUE
À espera de ressarcimento
Será que não há nada a ser feito de concreto para mudar a decisão da juíza da 16ª Vara da Justiça Federal de São Paulo? Vamos ter que simplesmente aceitar um absurdo desses? E os sindicatos dos jornalistas, não vão fazer nada? Muitos profissionais precisarão então ser ressarcidos pelo investimento que fizeram na profissão. Como fica tudo isso?
Maristela Félix
JORNALISMO CIENTÍFICO
Faltou falar do álcool
Achei interessante o artigo de Ulisses Capozzoli no Observatório da Imprensa comentando matéria da Folha de S.Paulo, dos jornalistas Fabiane Leite e Mario Cesar de Carvalho, sobre a " máfia" da indústria do fumo. No fim o artigo faz menção à questão da indústria de fármacos e suas experimentações, e acho que seria muito pertinente alguma matéria sobre o assunto, pois com o desenvolvimento dos genéricos é possível que exista muito gato passando por lebre; seria interessante discutir e mostrar o papel que os Comitês de Ética em Pesquisa de cada instituição, e em nível nacional o Comitê Nacional de Ética na Pesquisa, vêm exercendo em relação às propostas das pesquisas em curso.
Fiquei surpreso, como sempre fico, com a ausência de comentários no artigo sobre a propaganda relativa ao álcool, cujo consumo estimulado aumenta assustadoramente, em especial em relação às mulheres. Hoje já sabemos, pois as pesquisas e estatísticas nos mostram, que o consumo está intimamente associado ao aumento das taxas de mortalidade por causas externas, com picos de sexta à tarde até a madrugada de domingo, atingindo em especial a faixa etária mais jovem e em plena capacidade produtiva.
A venda de bebidas alcoólicas em lojas de conveniência dos postos de gasolina nos fazem presenciar cenas como ocupantes de carros bebendo pelo gargalo, inclusive o motorista. Fim de semana passado ocorreu acidente com automóvel que caiu no Canal de Marapendi, Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Quando o automóvel foi retirado do canal foram encontradas várias latas de cerveja vazias e garrafa de uísque. Resultado: todos mortos, jovens na faixa dos 20 anos. Até quando imprensa, marqueteiros e sociedade acharão naturais esses acontecimentos?
Vemos agora propagandas de cerveja, em horários nobres, sempre apresentando os mesmos atores das campanhas fumageiras: jovens saudáveis, bonitos, na praia, como a mais recente na qual a blusa da jovem e bonita atendente, vai sendo desfiada no seu trajeto entre uma mesa e outra e de cada mesa, com quatro consumidores em média cada uma, entoam em coro: "Mais uma schin". Até quando?
Maximus Santiago, médico em Niterói, RJ
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Tabaco, saúde e ciência – Ulisses Capozzoli
Brincadeira com a saúde
Sou professor da UFSC, doutor em Saúde Pública pela USP e participo de lista eletrônica de discussões sobre o tema. Enviei à lista a mensagem abaixo, com comentários sobre matéria alarmista e sem embasamento científico apresentada no programa Fantástico, da Globo, em 26/01.
Marco Aurélio Peres
Ontem, mais um prosaico domingão, fomos surpreendidos no Fantástico com uma matéria sobre uma "pesquisa" realizada em várias cidades do Brasil que perguntou aos pesquisados sobre qual seria a mais importante invenção de todos os tempos. Para quem está pensando em computadores, celulares ou automóveis como os prováveis eleitos, a matéria revelou uma grande surpresa: a escova de dentes foi a escolhida. Sim, a escova de dentes. Fiquei muito surpreso e muito satisfeito, afinal é uma demonstração cabal do apreço que as pessoas têm pela saúde bucal, apesar de muitos profissionais da área, sem evidência alguma, cansarem de afirmar que o brasileiro não dá valor à saúde bucal.
Na seqüência da matéria o repórter passa a entrevistar as autoridades da área, dois dentistas e um cardiologista, acerca da importância da escovação, dos males que ela evita e tudo o mais.
Bom, diante de uma audiência estimada de 40 milhões de pessoas de todo o Brasil foram passadas as seguintes informações, transcritas aqui em um linguajar mais técnico:
1) A doença periodontal é fator de risco para doenças coronarianas;
2) A doença periodontal em gestantes é fator de risco para o baixo peso ao nascer do recém-nascido;
3) Deve-se escovar os dentes três vezes ao dia;
4) Deve-se visitar o dentista uma vez ao ano;
5) Foi explicada detalhadamente com auxílio de modelos uma técnica de escovação, a que seria a correta.
Estas "informações" corroboram o resultado de pesquisa recente divulgada na Folha: apenas 2% das informações sobre saúde veiculadas na grande imprensa têm embasamento científico.
1) Não há evidências científicas que comprovem que doença periodontal é fator de risco ou cause doença coronariana (ver editorial e dois artigos publicados na Evidence Based Dentistry 2000;
2) O mesmo se aplica à relação entre doença periodontal e baixo peso ao nascer. Este tema vem sendo investigado no Brasil por, pelo menos, dois pesquisadores: Diego Bassani (Maria Teresa Olinto, orientadora), doutorado em Epidemiologia da UFPel, e Abelardo Nunes Lunardelli (Marco Aurélio Peres, orientador), mestrando em Saúde Pública. área de Epidemiologia na UFSC (resumo em <www.ccs.ufsc.br/geosc>);
3) Não há evidências de que três escovações diárias com dentifrícios fluoretados tenham maior eficácia do que duas (Murray JJ. Prevention of Oral diseases; 1996)
4) Alguém conhece alguma pesquisa bem conduzida, que possa ser considerada forte evidência científica, que conclui que temos que ir ao dentista uma vez ao ano ou uma vez a cada seis meses?
5) Da mesma forma, existe pesquisa sobre a superioridade, em termos de eficácia, de uma técnica de escovação sobre outra?
Os mesmos profissionais que tiveram à disposição inacreditáveis 10 minutos em "cadeia nacional" (a Globo é quase isso) no horário nobre de domingo nada mencionaram sobre medidas eficazes de saúde pública, o papel do flúor, do açúcar, do tabagismo, em como se pode ter acesso a dentista no Brasil, ao SUS... Este foi o show com a vida.
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