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ILUSÕES ARMADAS
Com dor de estômago

Li os dois livros. Sinto-me vazio. Com dor no estômago. Ainda que, pessoalmente, tenha sido vítima dos covardes que Gaspari tão bem chama de "tigrada". Em 1970 estive preso em quartel do exército de Itu, quando tinha 16 anos. Fui torturado física e mentalmente por um bando de covardes com patentes de tenente até coronel, devidamente armados. Sentiam-se realmente protegidos pela alta cúpula, pois por inúmeras vezes o coronel me disse: "Você não vai sair vivo daqui, e ninguém vai fazer nada". Batia no coldre e falava "olhe aqui a sua revolução". Meu crime: protestar em redações na escola contra a ditadura militar. Portanto, a "tigrada" ficou parecida com o delegado Fleury, como diz Gaspari, e pior, sentiam-se institucionalizados, pois a tortura tornara-se ferramenta de poder político.

É preciso que se conheça nossa história recente, "para que nunca mais se repitam" as monstruosidades vividas pelo país.

Armando do Prado



MÍDIA E FHC
Aposentados vagabundos

Sei que já vai de longa data, porém, devido ao fato de ter um estabelecimento comercial e, ainda hoje, ouvir pessoas comentando sobre o fato de FHC chamar "todos os aposentados de vagabundos", eu, sabendo que isso é uma inverdade, resolvi buscar na internet o real conteúdo da frase, que encontrei em vosso site, no endereço <http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos/jd050698d.htm>.

A página exibe duas opiniões sobre a forma como a imprensa tratou o fato e, ao lê-las, e principalmente, ao analisar o pronunciamento feito por FHC, ficou óbvio para mim que, como já imaginava, a imprensa, ao contrário do que alega o Sr.Mauro Malin, pinçou e manipulou o pronunciamento de FHC, que foi o seguinte:

"O valor médio dos benefícios da Previdência Social cresceu e tem que ser mantido. Para isto é preciso fazer a reforma, para que aqueles que se locupletam da Previdência não se locupletem mais, não se aposentem com menos de 50 anos, não sejam vagabundos num país de pobres e miseráveis". E que os jornais abordaram da seguinte forma, conforme descrito pelo articulista: "A Folha de S. Paulo veio com o título "FHC diz que aposentado antes dos 50 é ‘vagabundo’". E forneceu um dado: "O total de aposentados e pensionistas do INSS com menos de 50 anos de idade era de 1.933.134 pessoas em dezembro de 1997".

O Globo, que institucionalmente se arrepia só de pensar em oposicionismo a um governo como o de FHC, pôs em manchete na capa: "FH diz que é vagabundo quem se aposenta antes dos 50 anos". E repetiu na página 8: "FH: quem se aposenta antes dos 50 é vagabundo". O articulista diz que o pronunciamento foi ambíguo, que só poderia ser abordado da forma que foi e que os jornais não foram "vagabundos nem preguiçosos" na forma da abordagem...

Discordo completamente de que haja qualquer ambigüidade, pois o sujeito da frase está muito claro, são "... aqueles que se locupletam da Previdência...", e na seqüência, os verbos, na forma que foram empregados, "...não se locupletem...", "...não se aposentem..." e "...não sejam vagabundos...", só podem referir-se ao sujeito da frase, isso é uma regra básica de português. O autor também diz que "Não existia, jornalisticamente, outra manchete a dar. O que o presidente disse – por infelicidade na formulação ou ato falho, cada um interprete como quiser – era o tópico principal.

Infelicidade ou ato falho foi o da imprensa em geral na forma da divulgação da manchete, pois quem conhece o bom português entende que a manchete poderia ser algo como: "FHC chama de vagabundos o que se locupletam da Previdência" ou, para torná-la mais receptiva ao povo: "FHC chama de vagabundos o que enriquecem às custas da Previdência", o que, convenhamos, daria uma conotação totalmente oposta à manchete, e uma justa apreciação das palavras do presidente pelos leitores (o que, me parece, não era a intenção da mídia naquele momento).

Portanto, posso até concordar em que os jornalistas não foram "vagabundos nem preguiçosos", porém minha conclusão é que ou a imprensa brasileira necessita de forte revisão gramatical e analítica da língua portuguesa ou que houve má fé na forma da divulgação do fato, principalmente quando se juntam números para corroborar a forma errônea do tratamento. Não me causa espanto nem comoção esta constatação, pois há muito conheço o "espírito" que permeia a imprensa nacional, que, salvo raras exceções, é tendenciosa e até então oposicionista. E hoje, como podemos constatar ad nauseum, chapa-branca.

Nelson de Ornelas Dias



PERNAMBUCO
Índios desrespeitados

Acompanhei indignado a cobertura da imprensa em relação à crise financeira enfrentada pelo escritório da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Pernambuco, situação que tem obrigado os indígenas que vêm ao Recife a arcarem com suas despesas básicas, como traslados, refeições e hospedagem. É constante ver índios vagando pelas ruas, vivendo de caridade. Sendo filho de antigo sertanista do extinto Serviço de Proteção ao Índio, daqueles que cruzaram selvas e sertões brasileiros, embalados pelo sonho patriótico do marechal Rondon, pude acompanhar desde a minha infância as preocupações de meu pai com a necessidade de manter no índio o respeito próprio, sua dignidade, evitando que uma gente honrada e orgulhosa fosse submetida ao constrangimento de ter de mendigar.

Júlio Ferreira, Recife



SÍTIO CONTRA A FIAT
Justiça cala cliente

Fiat conseguiu na Justiça liminar para tirar do ar o sítio de um cliente insatisfeito.

Ernesto Marra

Multinacional italiana desafia Constituição brasileira e tira quatro sites de consumidor insatisfeito da internet. O Relatório Alfa copiou o site e o recolocou no ar hoje: <www.relatorioalfa.com.br/Fiat>.

Mostrando-se despreparada para gestão de crises e com pouquíssimo respeito por um de seus consumidores insatisfeitos, ou pela imprensa, a Fiat Automóveis conseguiu transformar um problema pequeno em um desastre de marketing que está começando a riscar a lataria de sua imagem, do porta-malas até o motor. O Relatório Alfa tenta há 32 dias obter a versão da empresa, que bateu o telefone ao saber que a ligação partia dessa publicação. Por Aldo Novak, editor.

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