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Edição: Marinilda Carvalho
Íntegra
Precisa-se de palpiteiro?
Está entrando em moda uma nova profissão, a de palpiteiro. TVs, rádios, jornais estão se munindo deste novo profissional, e de uma hora para outra o MEC regulamentará o curso nas universidades. Eu, como estudante de Jornalismo, na hora do anúncio troco de curso. Vou ser palpiteiro da imprensa. Seguirei o caminho de meus ídolos, Arnaldo Jabor e Boris Casoy, que são palpiteiros experientes. Tanto eles como eu não entendemos nada de política, jornalismo etc., mas é aí que está o quente da coisa. Quanto menos o profissional palpiteiro souber daquilo que palpita, melhor!
Rapaz, a coisa funciona da seguinte maneira: por exemplo, no programa do Boris, ele vê a matéria que seus repórteres trazem da rua. Se for do PT, de algum partido de esquerda ou de um político ordinário, ele redige um palpite descendo a ripa. Se for do governo ou de algum figurão de Brasília, ele chama a Salete! Eu também quero ter uma Salete. Quando a coisa engrossar eu chamo a Salete!
Já o Jabor é melhor ainda. Se não for Fernando Henrique, pode meter o pau. Aí fica sopa. Breve, breve, enviarei meu currículo a este jornal solicitando vaga como palpiteiro da imprensa. Já tenho até o tema para a primeira palpitada: "Depois que eu assisti, domingo desses, à Sra. Meneghel anunciando uma gravidez no programa de auditório daquele gordo, imaginei: "Êta TV idiota. Vou ler minha revista semanal, pelo menos assim adquiro informação e cultura". Qual não foi meu choque quando deparei-me com a capa da semana: Xuxa anuncia gravidez. Pensei em correr atrás do carteiro, ora, o idiota tinha jogado a Caras no meu jardim, em vez da Veja. Mas não, era Veja mesmo. Uma matéria de capa, com direito a um estudo sobre as raízes da família do namorado de Sra. Meneghel.
Já antevejo o exemplar da Folha de S. Paulo de setembro: Nasce o rebento de Xuxa. Neste dia, é partir para as montanhas. Um abraço e parabéns pelo jornal que melhor palpita sobre nossa imprensa.
Ranier Bragon
Comunicação empresarial
Como jornalista quero parabenizar a todos pela iniciativa. Sou profissional da área há mais de dez anos, e agora dedico-me ao jornalismo empresarial. Apesar dos "narizes torcidos" dos jornalistas de redação, sei que o que faço é de suma importância, à medida que geramos informações ao público de forma ética e profissional. Logicamente existem os inescrupulosos que acabam por colocar os jornalistas de assessoria numa mesma panela de "antijornalismo", como a revista Veja publicou em matéria sobre "profissões". Tal matéria gerou profunda indignação em centenas de profissionais, que diariamente abastecem as
redações de Veja com sugestões de pauta, releases, fotos e informações importantes, sem as quais, hoje, seria impossível fazer jornalismo nas redações.
Portanto, em nome da necessidade e da missão que cabe a todos nós, jornalistas, de gerar informações de qualidade, gostaria que o OBSERVATÓRIO se manifestasse quanto a esse ponto. E que, principalmente os futuros colegas, ora em seus bancos de faculdade, tivessem uma opinião diferente sobre o jornalismo empresarial, tão honrado quanto o que é feito nas redações.
Mônica Kimura
Pauta
No momento em que se comemoram 50 anos da Declaração Universal dos Direitos do Homem, sugiro como pauta, e até como debate, que esta revista dê destaque ao seu Artigo XIX, que trata da ampla liberdade de expressão e de imprensa.
Sugiro ainda que seja dado um amplo destaque também aos Dez Princípios do Tratado Internacional de Chapultepec e aos Artigos 5º e 220º da Constituição Federal. Todos estes documentos somam esforços na ampla defesa da liberdade de imprensa e de expressão, e que por motivos óbvios e corporativistas vêm sendo boicotados pela mídia e seus representantes.
Afinal, a liberdade de imprensa e de expressão é um patrimônio inalienável de qualquer cidadão, e não apenas dos jornalistas ou dos proprietários de jornais, como querem muitos incautos e apedeutas.
Lucas Tadeu Ferreira
Anhembi-Morumbi
Sobre a matéria "Upgrade suspeito até na matéria-paga" (ver remissão abaixo): Alberto Dines lembra a história nada abonadora da Instituição de Ensino Anhembi-Morumbi no affair que culminou com a saída do professor Giannotti do Conselho Nacional de Educação. Na época pouco se falou, e coube ao senhor ACM (que sempre dá o tiro final nas questões tucanas) encerrar a barafunda, quando espinafrou o Sr. Covas acusando-o de haver intercedido por esta Instituição junto ao Conselho (coisa que, aliás, o Sr. Ministro Paulo Renato acabou confessando, meio a contragosto...).
O que poucos se lembram é que esta mesma instituição acabou servindo ao Sr. Covas, no início de seu Governo, para permitir as contratações estilo "Baneser" - explicando melhor: sem concurso público.
Resumo da ópera: Covas atirara a criança fora com a água do banho - ao extinguir o Baneser, de maneira destemperada e circense, deixara sem funcionários setores vitais da Administração, particularmente aqueles que cuidavam de questões sociais. Todos viram, mas achavam que o gesto simbólico da extinção do Baneser valia mais que algumas crianças do SOS-Criança ou Febem... Deu no que deu, é só ler os jornais da época (ou os de hoje, já que nada ou pouca coisa mudou).
A Sra. Marta Godinho, sua Secretária do Bem-Estar Social, caiu na esparrela. Autorizada por um decreto do governador, firmou um convênio com a Instituição Anhembi-Morumbi (por que com esta instituição? Curioso, não?), através do qual enviava funcionários para serem contratados pela Faculdade e postos à sua disposição. Vários destes haviam sido demitidos do Baneser com a assunção do Sr. Covas ao Governo paulista...E voltavam assim pelo mesmo método (só trocaram as moscas...).
O Ministério Público descobriu, a Secretária (uma pessoa séria, na mesma proporção que ingênua) acabou sendo processada, e agora está em palpos de aranha, correndo o risco de ter de pagar vultosa soma, bem como de perder seus direitos políticos. Ela já foi condenada, e irá recorrer.
Já o Sr. Covas, como sói acontecer na imprensa chapa-branca paulista, continua vendendo sua imagem de vestal, ao mesmo tempo que faz cara de que o assunto não é com ele... O professor Giannotti, este quedou no esquecimento, com direito a fama de excêntrico e amalucado...
Pano rápido.
Alexandre Pelegi
Ainda Requião
Parabenizo a iniciativa do OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA em trazer-nos temas atuais e polêmicos sobre a vida pública nacional. Acerca das matérias que fazem alusão à denúncia do senador Roberto Requião sobre tráfico de influência política no Ministério da Saúde, percebi na página de Alberto Dines um claro ranço de raiva (não julgo se com razão ou não), ao indicar para os leitores os artigos da seção Entre Aspas, desvalorizando em seu comentário o objeto da denúncia.
Para retomar um assunto esquecido, faço uma sugestão: que o autor possa esclarecer, nas edições do OBSERVATÓRIO, as denúncias feitas pelo senador Requião à época da CPI dos Precatórios, acerca de seu vínculo com o Governo do Paraná. Sinceramente, gostaria de receber a versão do próprio jornalista acerca daquela polêmica, a fim de formar uma opinião sobre o grau de isenção ou comprometimento com o qual ele possa ter agido naquela oportunidade.
Carlos Gallo, Londrina
O assunto é antigo. Resposta a pergunta semelhante foi dada por Alberto Dines em maio de 1997, na Caixa Postal

Upgrade suspeito até na matéria paga, O Circo da Notícia,
Inícuo do Caderno do Leitor
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