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GRAMPOS NA BAHIA
Do eufemismo à desinformação

Amante – Substantivo – "pessoa que tem com outra relações sexuais mais ou menos estáveis, mas não formalizadas pelo casamento". [Dicionário Houaiss]

Tenho vários amigos e amigas que se enquadram nesta definição, e no entanto, não consigo me referir a eles utilizando esse substantivo. Por razões que não são da conta de ninguém, a não ser deles mesmos, resolveram levar a vida juntos sem "formalizar o casamento", como diz o Houaiss.

Até a Justiça e o Código Civil entendem e já não exigem mais a formalização. Aceitam por "decurso de prazo" ou "uso capião" que a relação é estável apesar da não-formalização. Entendem que "de fato" são marido e mulher. Achei pouco precisa a definição.

Já o Aurélio chega mais perto da definição que eu entendo ser a mais correta.

Amante – Substantivo – "Pessoa que tem com outra relações extramatrimoniais".

Extramatrimonial = extraconjugal

Extraconjugal – "Que está fora dos direitos e deveres conjugais; estranho ao matrimônio; extramatrimonial"

Passa mais a idéia de que para um deles ser o amante o outro tem que ser casado. Casado com uma terceira pessoa evidentemente. Se essa terceira pessoa for um homem podemos chamá-lo de "corno".

Corno – S. m. – Chulo: Marido de adúltera; cabrão, aspudo, cervo, faz-de-conta, cornudo, chifrudo, galheiro, galhudo, cabrum, mumu.

Pelo jeito o Aurélio não admite a hipótese de o traído ser mulher. Um tanto quanto machista. Então, em sendo mulher a terceira pessoa, só nos resta chamá-la de "corneada" ou "traída". Prefiro "traída". É mais elegante. E aí voltamos à origem do problema.

Eufemismo – S. m. – Ato de suavizar a expressão duma idéia substituindo a palavra ou expressão própria por outra mais agradável, mais polida

Mas neste caso acho mais adequado. Melhor ainda seria não falar da "traída". Tirar fora da confusão. Afinal de contas ela têm que aturar as barbaridades do "coronel". Já é castigo bastante.

Agora, chamar a "amante" de "amiga" ou "namorada" já é demais. Isso é outra coisa.

Tergiversar – V. int. – Procurar rodeios, evasivas; usar de subterfúgios.

Evasiva – S. f. – Desculpa ardilosa; subterfúgio, escapatória.

Subterfúgio – S. m. – Ardil empregado para se esquivar a dificuldades; pretexto, evasiva.

Desinformar – V. t. d. – Deixar de informar, ou informar erroneamente.

Só falta começar a chamar o "adúltero" de "nobre senador". Aí é a falência geral. Acho que mais exato seria chamar de "cabra safado".

Cabra – S. m. – Indivíduo, sujeito

Safado – Adj. – Pop. Desavergonhado, descarado, cínico, impudente.

É. Fica melhor.

Antonio G. T. dos Santos

 

A mulher de Ciro é o quê?

Em adendo ao artigo "Namorada é namorada, amante é amante", gostaríamos de lembrar- lhe que quando da recente eleição presidencial a mídia brasileira, ao referir-se àquela que fazia companhia ao então candidato Ciro Gomes, primou pela inconsistência: numa publicação lá estava que "o candidato Ciro Gomes se fazia acompanhar da namorada Patrícia Pillar"; uma outra destacava a força que o candidato recebia da "esposa" Patrícia Pillar; outra se referia à artista global como a "companheira" de Ciro Gomes.

Em nenhuma delas foi usado o termo "amante" que, tudo indica, seria (ou é?) o termo mais apropriado, já que a relação dos dois iniciou-se quando o próprio ainda era casado com a outra Patrícia (Gomes). E hoje, qual é mesmo o termo adequado para rotular aquela que vive com o ministro Ciro Gomes? Esposa, namorada, companheira, amante ou gato?

Ou será que por se fazer acompanhar de um "presidenciável" ou "ministro" qualquer mulher tem seu vínculo indefinido?

Jose Nilton Mariano Saraiva, Fortaleza

 

Quebra da ética

Tenho acompanhada as discussões éticas envolvendo a matéria de Luiz Cláudio Cunha e Weiller Diniz, "Eu mandei grampear o Geddel", na IstoÉ. Creio que o que está em questão é a existência de duas éticas: uma de interesse privado e outra de interesse coletivo. Será que essa regra existe? Ou esta segmentação não fica colocada ao sabor das interpretações do momento? Conforme o interessado no interesse coletivo podem ocorrer alterações em sua aplicação. Só para exercitar o pensar vamos imaginar que estamos em 1972 e o senhor Antonio Carlos Magalhães, governador da Bahia (acho que era) é denunciado publicamente como responsável por um grampo telefônico. A revista XYZ, entrevista o governador, que afirma ser o autor e solicita que não haja publicação para que os grampeados possam ser indiciados e julgados por subversão. Posso estar enganado, mas não acredito que o interesse coletivo apontasse na direção da publicação do off.

Em relação à minha profissão, a medicina, os limites são ainda mais estreitos. Se um médico, durante uma consulta, souber que um paciente cometeu um crime, está eticamente impedido de denunciar seu paciente à polícia tendo, inclusive, cobertura legal, pois está tipificado no Código de Processo Penal: Artigo 207: "São proibidas de depor pessoas que, em razão de função, ministério, ofício ou profissão, devam guardar segredo, salvo se, desobrigadas pela parte interessada, quiserem dar seu testemunho."

Por essas razões não vejo como aplicar regra alguma a essas situações que, acredito, se repetem ad nauseum no cotidiano da imprensa. Entendo essa como uma questão de consciência que, por definição, é individual e portanto sujeita aos julgamentos de cada um. Desse modo, penso que a cada leitor (ou ao não leitor e apenas sabedor do fato) compete dizer se foi ou não uma conduta antiética e, caso haja uma denúncia ao órgão competente de fiscalização da profissão de jornalista, compete a ele julgá-los e à revista. A minha opinião, como creio já ter deixado claro, é que informação dada em confiança não deve ser responsável pela quebra dessa confiança e que, se tal fato ocorreu, houve comprometimento da ética.

Sylvain Nahum Levy

 

Momento de punir

É o momento de punir um crime que está relacionado com a ditadura militar, deixar passar isso em branco é criar raízes para que os filhos de ACM "malvadeza", como ele é conhecido aqui na Bahia, cultuem essa prática, ferindo a Constituição Brasileira.

Acumulam-se agora os episódios da fraude do painel eletrônico e do grampo criminoso com 300 vítimas desse crime. Vai ficar impune mais uma vez, já que ele não foi punido em nenhum dos crimes cometidos.

R. S. Barreto

 

Solução contra crápulas

Se for para descobrir criminosos ou grupos criminosos que estejam prejudicando os cofres públicos, o sistema off deve ser utilizado, sim. É o único jeito de tirar o crápula da sociedade organizada e ordeira.

Nemias Ferreira Viana

Leia também

Máfia do grampo e cumplicidade da mídia – Alberto Dines

Namorada é namorada, amante é amante – Chico Bruno

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