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GRAMPOS NA BAHIA
O Globo deu bem

Considero que o jornalista Rodolfo Fernandes, diretor de redação de O Globo, está cheio de razão nesse caso criticado por Alberto Dines. É a conclusão a que chego a partir da leitura do diálogo entre eles. Como mostra Fernandes, já dia 11, terça-feira, seu jornal dava a manchete: "Planalto não quer CPI do grampo", o que indica, claramente, a isenção do jornal. O que transparece na crítica do Dines é sua intenção de dizer que O Globo se alinhou com o Planalto, como historicamente o teria feito, não importando quem governe. Considero, sim, que as Organizações Globo sempre representaram muito bem o papel de defensores da oligarquia brasileira e do capitalismo à moda da casa que desfrutamos. Mas isso não me leva a ser subjetivo ao ponto de distorcer o posicionamento do Globo no affaire "Grampos-ACM".

A argumentação comparativa que faz Dines, lançando mão do tratamento dado pela Folha de S.Paulo", que teria sido profissional, não é válida, visto que esse jornal e o seu sítio UOL, do qual sou assinante, tem mantido ataque constante ao governo Lula desde o primeiro dia, assim como o faz contra o governo da Marta em São Paulo. O artigo de Rui Falcão e Lino Bocchini, "A imprensa e o governo Marta Suplicy", publicado neste sítio, assim o demonstram.

Portanto, não é um bom ponto de apóio para a comparação. De fato, a FSP, no caso dos grampos da Bahia, imediatamente fez a vinculação ao governo Lula sobre sua mudança ao não apoiar a criação de uma CPI; dado o posicionamento partidário dos meios dos quais a família Frias é proprietária, em favor do PSDB, não é de estranhar o confortável que foi para a FSP fazer essa abordagem crítica. Eu até considero que uma CPI é necessária já, para apurar o Bahiagate, e vejo que o PT que governa o país atualmente não é o mesmo que foi votado pela maioria da população pobre deste país (talvez isso explique o tratamento isento dado pela Globo), mas ainda assim acho que devemos conservar a objetividade dos fatos como instrumento de análise.

Se com a publicação do "diálogo" o Dines queria a opinião dos seus leitores a seu favor acho sinceramente que não conseguirá. De todas as formas, o serviço prestado pelo OI à população dos "sem-meios de comunicação" é e continuará sendo muito importante e sério, mas reitero, não é por isso que se deva concordar com essa crítica em particular.

Socrates Guzman, Porto Alegre

 

O Globo deu bem – II

Como baiano que sou, e odiando ACM (politicamente e pelo que ele representa), tal como odeio, sinto-me no dever de defender O Globo, mesmo sem procuração para isto, na polêmica suscitada pela sua matéria "O fim das oligarquias na mão da mídia". Diga-se de passagem que seu levantamento sobre a cobertura da imprensa em geral nesta questão continua, a meu ver, bastante válido. O que não acho justo é considerar que O Globo esteja na mesma linha.

Pareceu-me, e ainda me parece, que O Globo, até mesmo pela ênfase que deu ao episódio, inclusive com uma série de manchetes, pode ter sido outras coisas; nunca discreto.

"Convenhamos, Dines, que não há a menor hipótese de ser correta a sua observação de que "o Globo tem sido discreto desde o início".

"Não estavam em questão quantidades de linhas, tamanho ou destaque das chamadas, mas o seu teor."

"O media criticism não se pratica com modelos matemáticos, estatísticos ou topográficos. A principal ferramenta para o exame do desempenho dos meios de comunicação é o estudo do contexto, a subjetividade, o tal "espírito da coisa".

Como mero observador da imprensa, sinto-me obrigado a defender a idéia de que a ênfase de uma cobertura jornalística pode e deve ser medida, dentre outras coisas, pela quantidade de linhas, tamanho e destaques das chamadas. Quanto ao teor, até onde pude ler, há uma condenação forte da violação dos direitos. Perdoe, caro mestre Dines, mas O Globo merece parabéns pela excelente cobertura.

José Augusto Andrade Júnior

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