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DIPLOMA EM XEQUE
O problema é o registro

A bombástica liminar da juíza da 16ª Vara Cível da Justiça Federal de São Paulo, Carla Abrantkoski Rister, acabando com a obrigatoriedade do Diploma para o exercício da profissão de jornalista, mantém a confusão entre exercício profissional do jornalismo e o direito de expressão. Mas só isso? Claro que não, pois a liminar permite a concessão do registro profissional sem a obrigatoriedade do diploma. Desde então, milhares de novos registros profissionais foram concedidos, inclusive a pessoas sem nenhum grau de instrução.

o problema não é o diploma, mas o registro. O jornalista Vitor Ribeiro, diretor do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de São Paulo e assessor da Câmara de Vereadores de Piracicaba (SP), então, decidiu fazer ampla pesquisa para conhecer o que chama de "Exército Profissional do Jornalismo no Mundo", já que, tudo indica, lá fora o registro é irrelevante, tanto quanto o foi no Brasil, até que o governo militar decidiu saber quem era quem a fim de censurar e punir os que não rezassem por sua cartilha.

No caso de Vitor Ribeiro, em matéria de Miriam Abreu distribuída via Internet, a idéia é saber "quais as exigências para que alguém possa exercer o jornalismo". Confusão total, repetimos, pois diploma, pode ser, mas registro, pra quê?

Diploma é o título ou documento oficial com que se confere um cargo, dignidade, privilégio, título de habilitação, em uma arte. Engenheiros, médicos, advogados etc. são diplomados. Registro é o ato de se inscrever em livro próprio a cópia ou extrato de um documento, e no caso, do diploma. Médicos, engenheiros, advogados têm diplomas, mas não precisam de registro, como o jornalista, conferido pelo Ministério do Trabalho. Eles são agrupados em uma ordem (Ordem dos Advogados do Brasil), ou conselho (Conselho Regional de Medicina).

É justamente disso que precisamos. Grandes jornalistas brasileiros, do passado e do presente, não tinham ou não têm diploma. Rui Barbosa, Alcindo Guanabara, Carlos Lacerda, Samuel Wainer, Roberto Marinho, Líbero Badaró, Paulo Barreto (João do Rio), Roquette Pinto, Hipólito da Costa, Costa Rego, Tavares Bastos, Assis Chateaubriand, David Nasser, Evaristo de Moraes e tantos mais. Fazendo nossas as considerações do jornalista Carlos Arthur Pitombeira, conselheiro e Diretor da ABI, repetimos que "estamos discutindo talento, vocação e conhecimentos generalizados". Daí a necessidade de um conselho ou de uma ordem federal para avaliar a capacidade técnica e intelectual de quem se propõe a ser jornalista. O governo, através do Ministério do Trabalho, ficaria fora disso. O registro profissional atual, pois, deveria ser revisto sob a responsabilidade dessa ordem ou conselho.

Somos a favor dos cursos de Jornalismo, tanto ministrados pelas faculdades de Comunicação Social como por particulares, inclusive os próprios jornais, como estes aliás já vêm fazendo sob o nome de trainee, ou seja, o estágio tão necessário a qualquer profissão.

O que não se pode, frisa Pitombeira, é ignorar a vocação, o talento e a condição de autodidata de alguns. Só que o teste do conhecimento deverá ser o caminho natural de todos, com ou sem formação acadêmica.

Natalício Norberto, autor de Jornalismo para Todos

 

COLUNAS COLETIVAS
Três notas idênticas

Uma das principais características procuradas por quem lê colunas jornalísticas é a da exclusividade, além, é claro, da correção. Assim, é inadmissível que em dois jornais do mesmo dia (23/2/2003), em colunas de jornalistas diferentes, saiam nada menos do que três notas absolutamente idênticas. Refiro-me às colunas Informe JB, do Jornal do Brasil, e Comunidade Brasil, do Jornal da Comunidade.

Tenho curiosidade de saber o motivo. Plágio não é, visto que são do mesmo dia. Mesma fonte? Que feio. Se for, no mínimo, poderiam ter alterado o texto. Parece release copiado. Aliás, aquela do tal aparelhinho detector de grampos tem toda a cara de propaganda.

José A.N. Cesarino

 

UOL vs. PROVEDORES
Quebra de contrato

O e-mail abaixo foi enviado por mim ao colunista do Estadão Joelmir Beting, a respeito da coluna intitulada "Tem boi na linha", de 27/2/2003

Vicente De Luca

Prezado Joelmir Beting,

Neste país os únicos contratos em que não cabem distratos são o do jogo do bicho e o dos traficantes, com quem a multa é a extinção física daquele que quebra o contrato. Em suma, contratos estilo máfia. No Brasil não existe punição para a mentira. (...)

As companhias telefônicas que estão esbravejando contra a renegociação de contratos são as mesmas que recentemente participaram e proporcionaram os meios para que o provedor de internet UOL quebrasse contratos com mais de 200 pequenas empresas que prestavam serviços de dial-up ao UOL. Empresas estas denominadas de Afiliados. Nós mesmos sofremos o golpe, pois tínhamos um contrato com três anos para vencer, rescindido unilateralmente pelo UOL. Contrato este que abrangia serviço nas cidades de Barretos, Bebedouro, Catanduva, Colina, Olímpia e Votuporanga.

Estes mais de 200 provedores ficaram na rua da amargura, assim como seus mais de 10 mil funcionários. Assim, antes de o UOL chutar o traseiro desses provedores, arquitetou e tramou o golpe com Telefônica, Telemar, Brasil-Telecom. Adquirindo o serviço destas empresas em substituição aos chutados, sob a égide do "Bom e Barato".

O UOL é presidido por Luiz Frias do Grupo Folha, e penso que é uma sociedade anônima cujos principais acionistas são o Grupo Folha e Portugal Telecom (Telesp Celular). Portugal-Telecom e Telefonica de Espanha têm vários negócios em comum. Coube ao Sr. Caio Túlio Costa, diretor-geral do UOL, um dos principais arquitetos do golpe, sair de cena, antes do desfecho final. Saiu calado, querendo dar a impressão de que nada tinha com o golpe. Em verdade, um vilipendiador da cidadania, que um dia escreveu isto: "Coube a mim dar forma, implantar e consolidar um serviço de atendimento ao cidadão num país onde a cidadania nem chega a ser uma noção – é um desejo difuso e uma possibilidade distante".

Dizem que no mundo nasce um otário a cada minuto, no Brasil nascem 10! Infelizmente, sou um deles. Interessante que em toda a grande imprensa não tenha saído um único artigo a respeito deste golpe. A Folha, por motivos óbvios. O Estadão também, por ter o rabo preso com as teles, pois alem da publicidade ainda participa em uma aberração do mercado, que é o provedor gratuito Ibest.

E assim nos pequenos vamos cumprindo nossa sina de sermos esmagados. Como quer a Teoria de Darvin. Vicente E. De Luca, engenheiro.

Leia também

O uso comercial da "liberdade" – Carlos Wander F. de Souza

Seduzidos e abandonados – Alexandre Coelho

 

PROPAGANDA HUMANITÁRIA
A lei do mais cruel

Ao lado dos reality shows e de outras estultices sem nome na televisão, por exemplo (de cujos orçamentos individuais a mais breve idéia que se pode fazer leva a números com não menos de seis casas decimais), pipocam anúncios endereçados às "consciências" pelos quais trafegam os diversos aspectos da miséria humana insolúvel. Se de fato é prioritário o suporte a iniciativas humanitárias, tantas solicitando auxílio nos meios de comunicação, por que não resolvê-las sem mais rodeios?

Refiro-me às verbas destinadas à publicidade, provas máximas dos resultados do lucro. Sem qualquer burocracia as comportas de dezenas, de centenas, de polpudos empreendimentos se abrem sobre iniciativas de fomento à estupidez, enquanto projetos bem-intencionados se empilham sobre as escrivaninhas de funcionários públicos mal-humorados à espera de aprovação para então saírem a campo em busca de patrocínio.

É a civilização corroborando sua vocação para arremedo, versão piorada, da natureza indômita. Por séculos vem-se condenando, por exemplo, a lei do mais forte, em aparência o princípio vigendo da selva às savanas, passando por pântanos, mares e desertos. A sociedade dos homens sempre creu ter por fim distanciar-se deste e de tantos outros preceitos naturais considerados como injustos, estabelecendo a busca da eqüidade: poucos são, talvez, os que sustentam algum modelo de barbárie com argumentos. Tem sido preciso o auxílio do moderno pensamento ecológico para despertamos do nosso sono dogmático, mostrando haver mais equilíbrio e harmonia no repasto sangrento de um felídeo que numa bem posta mesa aristocrática, em farta cumplicidade com os suplícios de incontáveis espécies, inclusa a humana.

A lei do mais forte, no habitat do auto-intitulado ser mais inteligente, tornou-se a lei do mais esperto, e, como esperteza tem fronteiras com a covardia e esta com a crueldade, essa regra pode chamar-se, sem incorrer-se em hipérbole, de lei do mais cruel.

Waldemar M. Reis

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