Edição de Marinilda Carvalho
A carta do leitor Elber Vianna é muito oportuna: é paupérrima a cobertura da greve dos servidores públicos pela imprensa. As reportagens sobre o anúncio do aumento do salário de várias categorias de funcionários públicos nem foram associadas ao movimento.
É como se não fizesse diferença para as cidades que grandes hospitais estejam praticamente parados, as universidades completamente sem aulas, afetando cidadãos em várias capitais.
Se não tiver cadáver, muito pouca coisa comove a mídia hoje em dia.
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GREVE
Só a da França é notícia
Os controladores de vôo da França foram notícia nos principais jornais brasileiros. Estes mesmos jornais brasileiros "esqueciam-se" de falar das greves que cá ocorrem. Servidores públicos federais e universidades em greve não constam das reportagens exibidas. Hoje os cariocas sabem que não é um bom dia para se ir a França, mas talvez não saibam, por exemplo, que o Hospital Pedro Ernesto está parado, tamanha é a falta de compromisso da imprensa brasileira. Fica a pergunta: será que Le Monde está cobrindo a greve da Uerj?
Elber Viana
5º CONGRESSO
Faltou convidar
Não faço uma crítica. Prefiro uma sugestão: da próxima vez que convidarem o sector público cabo-verdiano, peçam que enviem um jornalista (pelo menos), e não um administrador... que de jornalismo e comunicação não sabe grande coisa. Cabo Verde tem muito para contar. Cordialmente,
José Manuel Lima Leite, jornalista da Radiotelevisão Cabo-Verdiana, componente Rádio
CURTO-CIRCUITO
Emissoras negligentes
No universo da mídia, a impressão é que a globalização provocou um colossal curto-circuito: deveríamos ser mais informados, mas, na verdade, somos mais desinformados. Tanto a televisão como os jornais querem nos fazer crer em lendas mediáticas, como o bug do milênio, ou transformam em "notícia" casos banais do dia-a-dia. Cito de memória uma pergunta que Eliot se fazia: "Quanta informação perdemos devido à comunicação? Quanto conhecimento perdemos por causa da informação?"
Por trás de todas essas perdas encontra-se a ignorância de vários jornalistas e o condicionamento de muitos editores.
As maiores emissoras do país, SBT, Record e Globo, têm realmente alguma coisa informativa, que aumente o nível cultural e intelectual? O que se esconde nos bastidores destas emissoras? Quais são os critérios adotados na escolha dos programas? Se houver ausência de conteúdo informativo, de quem é a culpa? O que as emissoras verdadeiramente visam com a atual grade de programação?
Marcelo Queiroz, Recife
LINHA 174
Seqüestro e subliteratice
A edição relativa ao seqüestro do ônibus da linha 174 no site do Observatório da Imprensa [veja remissão abaixo] seria primorosa, não fosse o espaço ocupado por um tal de Otto Francis para fazer um lamentável exercício de estilo. Já que vocês são tão críticos e rigorosos, como permitem a esse subliterato perpetrar um texto medíocre e desrespeitoso num espaço que poderia ser melhor aproveitado?
Queria apenas registrar minha indignação pela atitude oportunista deste sr. Francis (o cinismo tem algo a ver com o nome?), que se aproveita de uma tragédia para exercitar seu nihilismo inconseqüente. O pior é que se aproveita de uma vítima – a jovem Luana, que se comportou digna e heroicamente no citado episódio – para desfiar sua pretensa erudição, com citações fora de lugar, desrespeitando a vítima e os leitores.
Orlando Maretti
Resposta de Otto Francis
Fico estarrecido com a leitura equivocada de Maretti sobre meu texto. Caro Maretti, leia de novo, com cuidado e sem ranços quaisquer e verá que não quis me aproveitar da Luanna, como ele diz. Pelo contrário, achei mesmo a atitude dela extremamente digna. Me comoveu. Quanto a questões de estilo, o que posso dizer? Não tenho pretensões a cronista lírico a la Paulo Mendes Campos ou coisa que o valha. Escrevi, tá escrito, publicado e lido, o que é melhor. Uma leitora disse que se sentiu mal após ter lido o texto. Pelo menos tirou uma da apatia generalizada. Ponto para mim. Quanto a ofensas pessoais, bem, o que tenho a dizer? Cínico, oportunista... Talvez. Quem sabe. Mas desrespeitoso jamais. Não sou um erudito nem acho que o texto pretenda a destilar alguma erudição. É simples como uma carta a que se propõe. Meu caro Moretti, só tenho a lhe aconselhar melhores e mais acuradas leituras. Você está vendo chifre em cabeça de um humilde cavalo. Ou burro, como preferir.
Otto Francis
Sangue e desgraça
Estava lendo no Observatorio a sua análise referente ao caso do seqüestro do ônibus no Rio, que você batizou como "Carta para uma refém", onde você observa o caso enfatizando a pessoa de Luana. No dia do acontecido eu estava em casa e só liguei a televisão mais ou menos às 18.30 hs, quando o caso estava quase no final, quando mudei para a Record e ouvi os berros do repórter José Datena, logo mudei de canal, pode acreditar em mim que tive esta atitude; só fui saber realmente o que havia acontecido nos jornais, mais tarde. É necessário que a imprensa nos informe tudo o que está acontecendo, mas por outro lado todos nós já passamos do limite há muito tempo.O público sedento por sangue e desgraça alheia, a nossa vida sem graça na qual precisamos o dia inteiro vampirizar a vida dos outros; o Brasil totalmente abandonado por nós mesmos; somos um "bando" de imcompetentes; não deixando de lado as meninas Luana e Janaína que me parece que adoraram os seus l5 minutos de fama. Parece que quando a televisão está no meio tudo pode ser transformado geralmente para pior. Obrigado pela sua crônica meu caro Otto, pois hoje me senti a pior das criaturas; é duro perceber que somos uma grande porcaria, longe de nos tornarmos gente de verdade. Um abraço.
Célia Cristina
PELA METADE
O miado da Folha
Minha contribuição:
O jor da Fô piorô
Macova repri profe na av.pauli
Pitta retor à prefê de sampa
João Evangelista

A Fô pen que é fó – Ivanir Yazbeck

Fotomontagem – Alberto Dines
Veja e MST
Continuação do Caderno do Leitor
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