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Edição de Marinilda Carvalho

Paulo Henrique, uma versão

Uma colaboradora do Observatório queixou-se do sumiço do jornalista Paulo Henrique Amorim [ver remissão abaixo], após sua saída da TV Bandeirantes.

Ninguém deveria se preocupar com Amorim, pois ele já cumpriu sua missão na Band.

Sou estudante de Jornalismo da PUC-RS, e tivemos uma palestra com o jornalista Geraldo Canali, que apresentava o Jornal da Band aos sábados, na época do Paulo Henrique. Canali, que foi demitido, contou o motivo de sua demissão, e o episódio justifica a saída de Amorim.

Durante a campanha eleitoral, Amorim editou matéria bombástica, guardada em segredo, sobre as irregularidades na compra de um apartamento envolvendo o candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva. No dia em que Lula iniciou sua campanha na TV, a matéria, de oito minutos, foi ao ar.

Os direitos de resposta vieram em seguida, mas eram respondidos pelo editor no próprio telejornal. Canali percebeu a falta de ética da situação, principalmente quando um dos direitos de resposta concedidos pela Justiça foi lido antes do horário normal do Jornal da Band. Paulo Henrique Amorim é um jornalista experiente e esperto. Não foi por acaso que ele preparou essa reportagem para veicular no início da propaganda na televisão. O objetivo era claro: desgastar a imagem de Lula. O pior de tudo é que Amorim conseguiu criar uma imagem de credibilidade entre os telespectadores.

A Rede Bandeirantes premiou Amorim com uma bela demissão, depois de usá-lo da pior maneira possível. Enquanto isso, Geraldo Canali vai muito bem, obrigada. Ele está trabalhando na TVE do Rio Grande do Sul, e é um exemplo para os estudantes de Jornalismo sobre o valor da ética na profissão, que custa um emprego, algumas vezes.

Isabela Junqueira Vargas

 

O novo (?!) Globo Repórter

Acho que ainda merece um comentário dos nossos especialistas em televisão a matéria do Globo Repórter sobre "dragões assassinos", de uma distante ilha da Indonésia (dia 4 de junho). O repórter Francisco José, que já fez algumas belas matérias – evidentemente dentro dos limites do telejornalismo que se faz na Globo – para mim deu uma autêntica aula de falso jornalismo. Todo o texto da reportagem está em flagrante contradição com as imagens. Em nenhum momento, nenhuma imagem comprova que os coitados daqueles lagartões são ferozes, muito menos "assassinos".

Uma equipe de jornalistas, armada somente com câmera e tripé, se embrenha pela mata à procura dos bichos. Depois de encontrá-los, os cutucam com uma vara para ver sua ferocidade: nenhuma! Seria de esperar que tais dragões fossem logo atacando qualquer vivente que se aproxime. Nenhuma imagem dos bichos atacando ou matando algum animal da ilha, grande ou pequeno. Um garoto com cicatrizes "foi atacado" pelos "dragões".

Nenhuma evidência, exceto alguns depoimentos, que bem podem ser mera desinformação. Mostra-se um túmulo, que seria de um fotógrafo suíço (segundo a cruz, morto em 1974), "assassinado" pelos dragões. De novo, nenhum fato, só uma "estória" que deve rolar pela ilha e já virou lenda e ninguém sabe de onde veio. Pelo menos, não nos diz a "reportagem".

Além do mais, as imagens são usadas não para elucidar, mas para enganar. Quem conhece um mínimo de linguagem de TV ou dos recursos de uma câmera VHS pode perceber isso. Os bichos são mostrados sempre em "closes" de suas cabeças escamosas, sua língua bífida (epa!, como se dizia nos tempos do Pasquim), o que não é novidade nenhuma nos lagartos. Alguns fiapos que caem do queixo são apresentados como "baba venenosa"... Os lagartos são mostrados sem nenhum ponto de comparação ou referência – um ser humano, um objeto conhecido – que permita ao telespectador avaliar o seu verdadeiro tamanho. A única ferocidade dos "assassinos" é contra uma isca de peixe seco que a equipe de reportagem pendura numa árvore. Acho que chega.

Mas, para encerrar a reportagem, Francisco José diz que os moradores não matam os bichos, que estão em extinção, e eles "os respeitam". A reportagem dizia no início que os habitantes da ilha viviam "apavorados"...

Elício Pontes, Brasília

Nota do O.I.: Elício, você tem toda a razão. Documentário repetido à exaustão no Discovery (ou seria no Travel Channel?) mostra que esses grandes répteis são inofensivos, rarissimamente atacando homens. Eles gostam é de roubar frutos do mar que os pescadores põem para secar na praia ou na porta de casa, e são afugentados por... crianças!

 

Ética x sadismo

Quando o jornalista sai em busca de informações, acredito que faz tudo para encontrá-la. E é aí que deve tomar o máximo de precaução, investigando muito bem do que se trata e a quem poderia interessar, apoiado em dados insuspeitos. Mas quando é a informação que corre atrás do jornalista e acena para ele sua face dúbia, então ele precisa parar (o furo não pode esperar?) e perguntar-se por que a informação caiu no seu colo.

E é nesse momento que aparece a ética; a famigerada, a incompreendida, a inútil ética. Saberá ele avaliar a importância desse momento? Por segundos de avaliação responsável e competente, quantos infortúnios não evitará ele? Quantas desgraças e quanto sofrimento injusto e inútil seriam evitados? Mas saberá ele avaliar?

Por que a informação foi buscá-lo? E o que ela lhe disse foi com que boca? A boca de alguém lúcido, desinteressado, ou foi uma boca ameaçada, apavorada, que falaria o que lhe mandassem pois sua vida estava em risco? Pode ele perceber a diferença entre as duas bocas? Ou fala mais alto o aceno da manchete sensacionalista e mentirosa?

E nessas mãos estamos, da incompetência e do sadismo. Sadismo sim (aliás, é um tema que gostaria de propor para análise), pois o traço que impera nessa relação furo-leitor é de sadismo, e de gozo pelo poder exercido. Um poder que ninguém ousa desafiar. À boca pequena, o que se ouve é: "Cuidado com a imprensa, não mexa com a imprensa."

Marilia A. de Carvalho Franco

 

JB de ponta-cabeça

É a polícia ou a imprensa que anda de cabeça para baixo? É fundamental termos uma imprensa livre, ética e, dentro do possível, objetiva. Portanto é lastimável que políticos mal-intencionados e "carreiristas de carteirinha" ainda consigam induzir jornais do porte do JB para que publique exatamente o que lhes convêm. Sou apaixonada pelo jornalismo, mas decepciono-me cada vez mais freqüentemente. A Polícia Federal, como quase todas as instituições públicas e privadas desse país, tem em seu quadro funcional pessoas desacreditadas, antiéticos e antiprofissionais, mas ainda é uma das instituições que mais punem e expulsam de seus quadros aqueles que prestam desserviço ao Estado.

Enquanto não tivermos instituições sérias, aparelhadas e acreditadas não viveremos a verdadeira democracia. Está na hora de a imprensa, que tanto lutou por um país democrático, valorizar as instituições que são sua base de sustentação, e não fazer parte da corja que se instalou nesse país com o intuito de se beneficiar julgando uma corporação inteira por causa de alguns...

A revista Veja, há poucos dias, publicou enorme reportagem mostrando os marajás da PF, mas esqueceu de publicar o salário real de um escrivão, de um administrativo e até mesmo de um agente que por mais diploma de graduação que tenha - doutorado, mestrado etc. - não tem sequer plano de carreira, sem falar num plano de saúde e outros, que só beneficiam alguns segmentos do governo, aqueles mesmos que vêem na PF um incômodo.

Não sou policial federal, sou futura jornalista e, me assusto ao perceber que nossa imprensa tão majestosa, bonita e acreditada além-fronteira, ainda caia em "conto de vigário". Tenho a impressão que não é a PF que anda de cabeça para baixo...

Francineide Damasceno, estudante de Jornalismo da UnP, Natal

 

General esquecido

Fiquei espantado ao ler o anúncio fúnebre do general Jourdan em O Globo e posteriormente o aviso da missa de sétimo, sem que constasse no necrológio a menor referência à vida daquele ilustre chefe militar. Creio que além de o jornal ter uma certa obrigação de informar-se sobre quem foi o morto, o próprio Exército teria mais obrigação ainda de esclarecer ao público quem foi aquela pessoa.

Além do general Jourdan ter sido sogro do nosso ex-ministro do Exército general Zenildo e do gen-int Helio Covas, deixando filhos e filhas em posições de grande destaque tanto profissional quanto social, foi diretor muitos anos da Fábrica de Projetís do Andaraí e diretor da Companhia Nacional de Álcalis, tendo, o que talvez seja o mais importante, feito parte de uma geração que, na metade deste século, ajudada por uma série de industriais brasileiros, implantou em moldes contemporâneos a engenharia industrial e mecânica no Brasil. Considero um crime não aproveitar a oportunidade para se falar no esforço sobre-humano que homens como os generais Jourdan, Francisco de Paula e Azevedo Pondé, Adhemar Pinto, Luiz Neves e tantos outros, em colaboração com Décio F. Vasconcellos, Francisco Pignatari, Abramo Eberle, Julio Gazolla e tantos e tantos mais, cujos nomes agora me escapam, ensinaram a engenharia brasileira, que mal sabia fazer velocípedes ou marmitas, a ter condições de construir binóculos, metralhadoras, obuses etc.

Esta é uma das tantas histórias que faltam ser escritas e que, na verdade, ainda não terminou - é só lembrar do IME e do ITA, das Telecomunicações implantadas pelo coronel Corsetti e seus abnegados majores, da atual posição da Imbel e da Embraer ou da notória capacidade tecnológica da Marinha do Brasil.

Espero que alguma coisa seja feita para reparar tão grande omissão.

Haroldo C. Netto, cel.R1 do Exército

 

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