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Edição de Marinilda Carvalho
DISTRITO FEDERAL
Cultura FM sob censura
É um absurdo a censura imposta ao Correio Braziliense no Música & Informação, um dos programas mais tradicionais da Cultura FM de Brasília. A proposta do programa é a leitura e o comentário das notícias publicadas pelos principais jornais do país. Apresentei esse mesmo programa, no ano de 1997, durante o governo Cristovam Buarque. Nunca deixamos de mencionar nem mesmo as notícias contrárias ao governo Cristovam, publicadas pelo Correio Braziliense ou por outros jornais. Houve duas ocasiões em que uma colunista do jornal publicou notas criticando o então diretor da emissora, Romário Schettino. Em nenhum momento ele me pediu que abolisse do programa a leitura da referida coluna.
O então deputado distrital Luiz Estevão, inimigo político mais ferrenho de Cristovam Buarque, e os parlamentares de oposição ao PT sempre tiveram espaço garantido na Cultura FM, tanto para divulgar seus projetos quanto para colocar seus posicionamentos, nos casos de polêmica envolvendo o GDF. É certo que o governo Roriz vem investindo mais recursos na Cultura FM do que a administração passada. Tivemos momentos de verdadeira penúria. É pena, no entanto, que o avanço financeiro não venha acompanhado pela democracia.
Málcia Afonso, Brasília
JB e BARBOSA LIMA
Dicotomia de pensamento
Há poucos dias enderecei à redação do JB dois e-mails enaltecendo a figura do grande patriota Barbosa Lima Sobrinho. Comparei-o a grandes nomes de nossa história, como Heráclito Sobral Pinto e João Mangabeira. Mencionei a incessante luta travada pelo insigne jornalista, contra a desnacionalização dos ativos da União, via insensatas privatizações. Procurei mostrar como um simples leitor, e não é de hoje que o faço, a dicotomia existente entre o pensamento de Barbosa e a linha editorial assumida pelo JB, antes e durante o governo de FHC: de um lado, os editoriais do JB massacrando as estatais, entre elas a Vale do Rio Doce e em especial o Banco do Brasil, e do outro, a voz firme e esclarecedora de Barbosa defendendo seu país, com um nacionalismo esclarecedor e antixenófobo.
Isso sem contar suas evocações aos nomes de João Barbalho e Rui Barbosa, grandes juristas pátrios, tudo para demonstrar o desacerto do instituto casuístico da reeleição. E Barbosa estava certo: logo irrompeu das entranhas desse governo um mar de escândalos, compra de votos, corrupção generalizada etc. Essas correspondências jamais foram publicadas, seja na íntegra ou em parte, apesar de conterem meu nome completo, endereço e telefone. Nem a minha nem a de nenhum outro leitor: o que me leva a supor que esses escritos contrariavam à época a "linha editorial do jornal".
Ouso afirmar que o JB foi o instrumento fora do governo, a nível nacional, que mais ajudou a implementar a nefasta política governamental e a desmantelar a estrutura funcional do Banco do Brasil, tradicionalmente invejada pelos concorrentes, face o competente recurso humano, cevado em casa. Hoje, o BB praticamente deixou de existir, está agonizante.
Bem diferente era aquele JB liderado pela condessa Pereira Carneiro, aquela sim, uma mulher de fibra, que no tempo do golpe desceu sozinha de Petrópolis, postou-se à frente das rotativas, impedindo que fossem depredadas pelos militares. "Era ela, em coragem, um João Saldanha de saias", assim a descrevi no e-mail a Fritz Utzeri. E mais, disse-lhe que o JB devia desculpas ao povo brasileiro, devia desculpas à memória de BLS e aos seus leitores. E que, na verdade, deveria fazer um mea-culpa.
Fiz esse pequeno prólogo apenas para demonstrar que, embora as redações de nossos jornais e revistas (eletrônicas ou não) aparentemente demonstrem pregação democrática, na realidade esse viés democrático não passa de pequeno verniz, uma vez que apenas seguem o que determinam seus conselhos editoriais (ou serão conselhos ditatoriais?), tendo em vista a prática constante de um tipo de censura sutil, velada, muito pior do que a censura grotesca e visível dos generais da ditadura, quando tais conselhos negam ao leitor, por meio de vários expedientes, o exercício salutar da discordância e do contraditório.
Vejo que a prática de publicar somente elogios ao citado jornal, em sua seção de cartas ou na de Opinião, é no mínimo fascista e stalinista, o que só faz transparecer o medo de quem sabe que foi faccioso e parcial, deixando à mostra, cristalizado, um remorso de quem, um dia, teve escrito nos anais de nossa história democrática seu nome como baluarte a velar pelas instituições e pela democracia, mas que agora está comprometido ética e moralmente até o pescoço.
Sei que você escreve no JB, mas não é por isso que vou deixar de criticar como leitor o que nossa imprensa publica. Acredito ser esse o papel do cidadão: exercer em toda a sua plenitude sua cidadania.
Almir da Silva Ramos
POSIÇÕES CONTESTADAS
Defesa da CPI
Não cheguemos ao exagero de Millôr, ao dizer que "imprensa é oposição, o resto é secos e molhados", mas fica muito chato alguém se dispor de crítico da mídia, assumindo posição governista declarada.
Esquece o senhor Alberto Dines que, para esta função, o governo FHC já tem Arnaldo Jabor e mais ou menos um bilhão de reais em gastos de propaganda para domesticar os bravos editores. Será que o senhor Eduardo Jorge ampliou sua quitanda para terreno tão sofisticado deste deus-mercado, atingindo até aquilo que se autodenomina "consciência crítica" da imprensa?
Será que os quatro deputadosque venderam seus votos pela reeleição a 200 mil por cabeça renunciaram porque são idiotas completos? Ou todos somos idiotas? É possível? Chega! Vamos à CPI! Só não a quer quem está no caixinha montado por EJC.
Eurico Schwinden
Defesa do governo
Sou fã incondicional de todo o trabalho de Alberto Dines como jornalista há muito tempo. Tenho 32 anos, sou estudante de Jornalismo na UniSantos, e não canso de pedir aos meus colegas que assistam ao Observatório e leiam os livros e artigos de Dines no JB. Por seu passado de lutas democráticas e pela total liberdade de imprensa, o gabarito para exercer como ninguém esse "cargo" de observador-mor da imprensa brasileira. Porém, não posso deixar de exprimir minha opinião sobre o tratamento dado às matérias que envolvem o governo em seu programa.
É claríssima a defesa desse governo. Quando digo "defesa" é a de Dines mesmo, pois o programa leva pessoas com opiniões divergentes para manter clima aparentemente democrático. Para melhor expor minha opinião, vamos pegar alguns casos.
O programa se chama Observatório da Imprensa, e não observatório da grande imprensa. Por que você, então, não comentou a reportagem da revista Caros Amigos sobre o filho de FHC? Eu e meus colegas esperávamos uma grande discussão no Observatório sobre esse assunto. Várias perguntas têm que ser debatidas sobre esse caso. Estaria certa a revista em fazer a reportagem? Jornalistas como Mylton Severiano, José Arbex Jr. e Sérgio de Souza não deveriam ter sido chamados pelo programa para debater essa questão tão delicada para a imprensa?
Vejamos agora o caso Eduardo Jorge e as fitas da IstoÉ. A tendência era tão forte em desqualificar a matéria que, mesmo antes de o programa começar, a enquete para ser respondida pela internet denunciava isso. A pergunta era a seguinte. "É lícito a imprensa usar gravações telefônicas armadas como base para formular denúncias?". Quem garante que foi armada? O pré-julgamento, tão criticado por esse Observatório, parece que serve só para um lado. E não adianta dizer que a pergunta era genérica, que não se referia à matéria da IstoÉ, porque um argumento desses atenta contra a inteligência de seus telespectadores.
Quem lê os artigos de Dines, como eu, aos sábados no JB, já sabe de sua tendência política. Não precisa nem ler muitos, basta o do dia 15/7 para provar isso. Foi nítida a tentativa de desvincular Eduardo Jorge de FHC, tentando achar uma boa "desculpa" para o presidente. Agora, que fique claro, isso na sua coluna é válido e legítimo. Você dá sua opinião e acabou. Ninguém tem o direito de censurá-la. Mas trazer essa sua posição para um programa como o Observatório da Imprensa é um erro. E não se iluda, cada vez mais isso é percebido e comentado por quem assiste a seu programa. É tão comentado que, daqui a pouco, vai ter que ser criado um outro observatório para "observar" este.
Wellington Lima
Alberto Dines responde
Vamos separar os artigos do JB da minha atuação no Observatório. No JB eu sou pago para dar a minha opinião – tal como Clovis Rossi, Cony, Janio de Freitas, Verissimo etc. Por que podem eles manifestar sua opinião e eu não posso? Só porque você não concorda comigo? Neste caso, quem está sendo parcial é você. Pior: patrulheiro. Diga-me em que artigo do JB eu defendi o governo? Você está trabalhando com impressões.
Quanto ao programa sobre a fita da IstoÉ: a) a pergunta foi trocada horas depois, estava imprópria. Assinei uma nota no online informando isso. Se você não leu, não tem o direito de criticar. Está sendo um jornalista leviano. A tendência da votação manteve-se a mesma – nas duas formulações da pergunta. Portanto, não foi a formulação da pergunta que alterou o resultado. b) a vocação do programa é discutir os métodos da imprensa. E os métodos da IstoÉ neste episódio foram impróprios. Tanto assim que eles reconhecem a validade das nossas criticas. E o fizeram no ar, ao vivo. c) Se eu convido o principal acusador do governo, o procurador Luiz Figueiredo, e lhe dou todo o tempo que queria (ele jamais falou tanto, sem interrupção), estou favorecendo o governo?
Quanto à Caros Amigos: você leu o debate que saiu no O. I. online ao longo de três semanas? Se não leu, você não sabe o que diz. Portanto, está dando um palpite infeliz. Saudações, A. D.
OUTDOOR
Outra campanha. E pior
A exemplo do comentado por Carlos Knapp, e também em Brasília, vi campanha de uma outra universidade que me chamou a atenção. Pena que pela falta de qualquer senso, fosse estético ou, o que é pior, intelectual ou mercadológico. A campanha, também veiculada na mídia televisiva, trazia questões de múltipla escolha, das quais um exemplo:
"João Cabral de Melo Neto escreveu:
( ) Morte e vida Severina
( ) Morte e vida Joaquina
( ) Morte e vida Maria Ondina
( X) Morte e vida da Libra Esterlina
Ainda bem que você tem uma segunda chance.
2ª etapa (ou fase, ou outra coisa que não me lembro) do vestibular do IESB."
Exatamente quando vemos o aumento do número de universidades e ouvimos tanto sobre o trabalho do MEC para elevar o nível das instituições de ensino superior, com seus Provões e outros tipos de avaliação, temos este tipo de publicidade.
Publicidade que subestima seus possíveis clientes e deprecia sua própria imagem. Existiriam alunos tão burros? Se existirem, não tem problema, esta universidade os aceita. O que é pior? Já que a instituição também oferece curso de Comunicação Social, vale neste caso também o conselho final que deu Carlos Knapp sobre uma outra propaganda de uma outra instituição, neste mesmo espaço.
Sammia Maciel, estudante de Comunicação Social
PROPAGANDA
Restrições para a cerveja
Foi muito ilustrativo o debate promovido pelo Observatório da Imprensa no programa de 11/7/2000, sobre a propaganda do cigarro. As intervenções de Alberto Dines fizeram clara distinção entre a matéria paga e a noticiosa para efeito de restrições legais à publicação. Como matéria paga, a propaganda do cigarro e das bebidas alcoólicas deve sofrer as restrições permitidas por princípio constitucional. Uma conclusão a que pode chegar o telespectador é que as restrições a esta publicidade poderão evoluir para estágio mais severo. De pronto, pode-se argüir a excessiva liberdade das indústrias cervejeiras para fazer publicidade de um produto que, rigorosamente, se enquadra como bebida alcoólica e pode ser tão danoso à saúde como qualquer bebida destilada.
Ainda não existe uma conscientização para a natureza profundamente anti-social de bebidas como as cervejas. Além da embriaguez, com todas as suas conseqüências de comportamento, provoca diurese, submete o sistema renal a severo condicionamento, bem como as funções hepáticas. Certamente a limitação do horário de funcionamento das tabernas na Inglaterra não foi meramente uma conspícua continência em respeito à moral calvinista, luterana ou anglicana. Foi, antes de tudo, uma medida de inspiração econômica, considerando o consumidor britânico de lager ou uísque de hoje à noite como o trabalhador e arrimo de família de amanhã. Afinal, temos que considerar o trabalhador brasileiro com as mesmas funções sociais, com o mesmo respeito como homem e cidadão que deve ser preservado dos maus hábitos e das deletérias conseqüências do alcoolismo.
A irrestrita publicidade de cerveja no Brasil tem dias contados. Gradualmente haveremos de convir ser necessário restringi-la de forma semelhante ao que foi feito com o cigarro e com as bebidas destiladas. Claro que haverá reações adversas, inclusive das agências de publicidade e das empresas de mídia, mas o bom senso deverá, mais uma vez, prevalecer.
Didymo Borges
O mal dos publicitários
É muito comum, em publicidade, ver coisas (literalmente) circulando por aí que não dizem absolutamente nada. Vim do Rio Grande do Norte, estado de espírito encravado na esquina do Brasil, onde, conhecendo o mercado da publicidade local, não nutria esse ufanismo comum aos publicitários de achar que seus anúncios são os melhores do mundo.
Fiquei impressionado com a tranqueira que tenho visto aqui em São Paulo, onde estou desde fevereiro, cursando mestrado na ECA/USP. E foi curioso comprovar, agora não mais com os olhos de quem apenas está de passagem, mas com o olho de quem passa várias vezes diante da mesma peça, todos os dias do mês: há boas peças publicitárias, sim. Há péssimas, também. Nessa última categoria poderíamos até dividir a (des)classificação em duas: pobres (pela falta de recursos técnicos e financeiros) e ruins (por pura falta de idéia e de clareza).
Há, por exemplo, um outdoor que anuncia uma exposição de artes na USP que exigiria vários manuais explicativos. Há filmes de TV e spots de rádio que são de fazer chorar. Parece que aqui também se padece de outro mal comum aos publicitários, que é achar que no mundo real, longe de seus computadores ou dos livros de referência importados dos EUA e da Europa, a vida imita a arte ("criada" pelos diretores de arte das agências, é claro).
Ciro Pedroza
AFEGANISTÃO NA MÍDIA
Voltaram as cruzadas
Nos últimos dias, tenho observado na imprensa (desculpem o infame trocadilho) um insistente interesse pelo Afeganistão. Recebi, pasmo, um e-mail com um abaixo-assinado em repúdio ao tratamento dado naquele país às mulheres. No mesmo dia, de noite, qual não foi minha surpresa ao ver o Jornal Nacional mostrar uma reportagem em estilo editorial, com direito a comentários posteriores em tom farsesco como só William Bonner pode fazer, antes do intervalo, para mim com o intuito de deixar o telespectador remoendo as informações terríveis daquela barbárie muçulmana.
Pergunto: as cruzadas foram reativadas e eu não fui informado?
Quando partem os navios cheios de nobres com armaduras reluzentes que navegarão rumo ao oriente pagão? Quando percebo que, em pleno século 20, editoriais de jornais como o Times – de onde o e-mail que recebi alegava ter tirado as informações – ainda tratam o outro como bárbaro e se intrometem em assuntos que não são da sua competência, suspeito de uma intenção por trás disso tudo.
Não quero discutir aqui a veracidade ou não de tais fatos, que até admito serem perfeitamente possíveis. Mas por que este interesse repentino? Acaso aquele país não é um prato cheio para inúmeras reportagens? Uma interessante seria explicar o porquê de a guerrilha Talibã estar hoje no poder. Esta reportagem, imagino, faria um apanhado da história dos guerrilheiros afegãos e de sua luta contra os russos, na guerra de 10 anos da década de 80, quando estes plantavam papoula e a vendiam no "Triângulo do Ópio" – ali próximo – para pagar as armas que a CIA contrabandeava via fronteira paquistanesa. Essa papoula era então vendida a comerciantes de flores? Talvez fosse a versão da Globo para o episódio.
Com mísseis americanos Stinger na mão, ninguém segurava mais nossos "bárbaros" muçulmanos. Eles derrubavam helicópteros soviéticos e governos fantoches com a mesma facilidade. Subiram ao poder abençoados pelos EUA, que agora podiam brandir um mapa turístico do Vietnã na cara dos russos. Óbvio que os mujahedines saíram do controle, impondo suas leis, satãnicas aos olhos ocidentais, religiosas a seus próprios olhos, e agora certamente estão arrumando algum problema estratégico para os Estados Unidos e a Europa. Quem mais poderia orquestrar esse súbito interesse pelas regras dos bons costumes "universais"? Afinal, deve-se tratar bem as damas! Quando se fala que na Suíça, por exemplo, as mulheres só conquistaram o direito ao voto na década de 70 deste século isso não dá primeira página, dá?
Obviamente, repudio qualquer tipo de violência, mas admito a polêmica: é correto intrometer-se em assuntos religiosos de outros países? A extirpação do clitóris em certas sociedades africanas é motivo de tal polêmica. Na Arábia Saudita, as mulheres não são exatamente bem tratadas. Seus direitos e liberdades são, no mínimo, pífios. Como fonte inesgotável de petróleo, cala-se e consente-se.
O Afeganistão certamente está arrumando problemas. Resta saber quais. Quando lembro de Noam Chomsky delatando os abusos do governo indonésio no Timor, isso nos anos 80, e o silêncio americano sobre o assunto, tanto do governo como da imprensa, farejo aqui o mesmo intuito: uma campanha de desinformação.
Gostaria então, do auxílio deste Observatório, que como profissionais de imprensa e "observadores da imprensa" estão mais que qualificados para compartilhar ou repudiar minhas suspeitas.
Augusto Stiel Neto
A ética da Globo
Como estudante de Jornalismo, gostaria de retomar no Observatório o debate sobre ética no jornalismo no que diz respeito à busca de furos de reportagem. Vendo o Fantástico e o Jornal Nacional, acompanhei a reportagem intitulada "O país proibido". De boa qualidade, na minha opinião. Mas notei alguns pontos: era proibido filmar qualquer ser vivo do país, principalmente se fossem jornalistas mulheres. E a repórter Ana Paula Padrão todo o tempo filmou com uma câmera escondida no botão da camisa, além de passar por lugares clandestinamente. E os cinegrafistas homens assinaram termo de compromisso de não filmar nada do país. E foi filmado. Minha questão é: isso é ético? Passar a reportagem inteira numa mentira diante dos compromissos assumidos, em virtude de um furo? Ou isso se justifica diante da alegada cultura atrasada daquele povo?
O mesmo vale para a questão do grampo telefônico, alardeado pela IstoÉ. Sei que esse assunto já foi discutido no Observatório. É ético praticar algo ilícito em função de um bom furo? Ou isso já é ingênuo demais para o jornalismo de hoje? Vale lembrar que o mestre Barbosa Lima Sobrinho sempre pregou a ética e foi um padrão para os jornalistas de todo este século.
Marcos Lessa, 19 anos
JÔ SOARES
Para que tanta tecnologia?
Enviei a mensagem abaixo a Jô Soares.
Walland Silva
"Nobre Jô, a cada noite que passa fico me perguntando de que vale tanta tecnologia empregada no suporte ao seu programa, se o principal, e que foi responsável pelo sucesso da fórmula do Jô onze e meia, está aos poucos sendo deixado de lado, ou seja, o conteúdo, a inteligência.
Digo isso porque você, há um bom tempo, insistentemente persiste na leitura de mensagens que beiram o idiotismo, piadas sem graça, em detrimento de e-mails que creio poderiam sim acrescentar algo à inteligência da audiência. Notadamente em maioria formada por gente que pensa, afinal. Por outro lado, as entrevistas também estão caindo num imenso vazio, chegando ao ponto de darem sono.
Tudo isso já vinha acontecendo na emissora anterior. Ao passar para a Globo, vislumbrei melhores noites. Triste ilusão. Acho que seu inegável potencial não pode ser usado a esse serviço, o de contribuir para a imensa banalização dos programas de TV no Brasil. Não é esse o Jô que aprendi a admirar.
Se o produto, porém, tiver que ser esse, melhor então não dispor de câmeras digitais, microfones estéreo multidirecionais, telões e toda a parafernália tecnológica que a Globo coloca a seu dispor. Para uma platéia de imbecis e de telespectadores emburrecidos, isso ou nada, faz a mínima diferença. Sinceramente, Walland Silva"
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