DIPLOMA DE JORNALISMO
Comedores de cérebro
O texto está muito interessante, leva-nos a refletir, mas fica difícil: refletir sobre o quê? Os diplomados também estão nas redações, e o jornalismo descrito pelo colega é um jornalismo à moda antiga, quando a maioria dos jornalistas não era diplomada (pelo menos em jornalismo). Ficamos ainda no ar.
Afinal, os jornalistas diplomados, que creio serem a maioria hoje nas redações, o que fazem pela dignidade da profissão? No texto, eles parecem ser inexistentes, ou, se existem, não influem em nada, pois a força toda vem dos donos de jornais, que não precisam de diploma algum, ou de jornalistas que não são jornalistas (formados em qualquer outra "coisa", digamos assim).
A impressão que tenho é que os jornalistas formados em Jornalismo são pobres coitados, incapazes de administrar sua própria profissão. Não posso acreditar nisso: o jornalismo se transformou em porcaria em razão de um punhado de não-formados que o destrói compulsivamente?! É, talvez, uma vingança, como num desses filmes trash em que mortos-vivos comedores de cérebros acordam gritando "brain, brain"!
Convenhamos, é difícil crer.
Chico Vitar
Maus bocados
Estou concluindo o curso de Jornalismo, e tenho acompanhado os maus bocados por que tem passado nossa categoria nestes dias em que permeiam os "titulares de ilusão" em nosso país. Apenas para salientar, mesmo diante de um fato tão polêmico como a questão do diploma de Jornalismo, em que todos falam o que querem ou o que imaginam que é correto e escrevem um monte de baboseiras para "inglês ver", o texto do Luciano Martins Costa passa ao largo de tudo isso. Poucas vezes li algo sobre o assunto escrito de forma tão coerente, clara e verdadeira. Bom saber que temos jornalistas com esta visão e este bom senso em nosso meio.
Marcos Piaia
Educação é que importa
Boa vontade! Eu poderia iniciar com bom dia ou boa tarde, mas prefiro iniciar com boa vontade. Vale discutir, antes da obrigatoriedade do diploma de jornalista, a qualidade do ensino no Brasil e a desigualdade social e econômica que priva a muitos do direito e dever de exercer e desenvolver seus talentos. Não pretendo me delongar no maldizer da escuridão, mas que venham as reflexões, reivindicações e concretizações de um sistema de ensino justo. Que a competência prevaleça, aquém de diplomas e juízes! E se você me julga utópica eu te agradeço e te desejo toda a utopia dos que não perderam o ideal, mais que isso, sabedoria no uso dessa ferramenta para ser a voz dos que exigem a urgência da melhoria da educação e o fim da fábrica de incompetência disseminada democraticamente em todas as áreas. Morte à educação empobrecida do Brasil!
A imprensa tem a obrigação de fiscalizar e denunciar. "Help nos", afinal nem inglês dá pra aprender.
Silvia Garcia
Numa espécie de altar
Fiquei muito impressionado com o conservadorismo e a arrogância do jornalista. Os argumentos apresentados não resistem ao menor peteleco analítico. De forma especial, fiquei chocado com a seguinte afirmação do ilustre "jornalista":
"...nos últimos vinte anos, a imprensa optou por cumprir papéis secundários quando mais o país precisava de liderança (sic), escolheu agradar o cliente quando era preciso educá-lo para a democracia"
Como podemos constatar, esse tipo de "jornalista" faz parte daquele bolo que surgiu após a ditadura, quando o projeto global procurou se impor como: o "maior partido do Brasil"; a grande formadora de opinião da massa média; a escola do povo; a grande liderança; a mobilizadora nacional; o altar – mídia dos deuses atores... e fábrica de ilusões. Ficamos com a certeza de que o autor do artigo acredita que a mídia não é um "meio", e sim um fim, uma espécie de altar, onde os jornalistas com certificado podem falar ou escrever sobre qualquer coisa, podem liderar e educar o povão para a democracia (essa é boa !), sem a competição dos "sociólogos" e tantos outros cidadãos que desejam participar da aldeia global.
De acordo com o ponto de vista do autor, as verdadeiras lideranças comunitárias, os professores de verdade, os líderes religiosos, os intelectuais, os artistas etc. – todos terão que fazer um curso de Jornalismo para que se enquadrem na idéia burocrática do articulista. É impressionante! Não fiquei chocado com as idéias em si, mas com a incrível arrogância, autoritarismo e dogmatismo desse burocrata da aldeia global. Deixo meus protestos como cidadão.
Paulo Adler
Especialistas em nada
Os cursos de Jornalismo oferecidos por nossas universidades são coletânea de generalidades superficiais. Formam especialistas em nada, com diploma que não é nem moeda de troca num mercado perverso e pervertido. Impor goela abaixo a obrigação de um curso "abominável" (palavra de um jornalista chamado Antônio Abujamra) como o nosso a pessoas que querem trabalhar na imprensa é perverso. Tolhem-se talentos em sociologia, física, história, filosofia, economia, artes, administração, direito etc. etc., que poderiam aprofundar-se nestas áreas e posteriormente militar no jornalismo. Perde a sociedade.
Os futuros profissionais, em função de obrigatoriedade tacanha, abrem mão de conhecimentos mais consistentes para aprenderem em quatro anos o que seis meses de um curso técnico dariam conta. Um "direcionamento jornalístico" a um profissional mais bem-acabado seria o ideal.
Ignorando aqui a discussão dos interesses das empresas jornalísticas em jogo, sou mais uma flexibilização das grades curriculares, uma adequação aos novos tempos em que a praça pública exige atores para além dos que se julgam eleitos, diplomados num curso vago, medíocre. Inspirando-se em experiências bem-sucedidas de outros países, poderíamos ter menos jornalistas vira-latas – estão na lida, mas só para o lide. Latem, mas não podem morder. E toca a revirar latas de lixo, em subempregos ridículos e submissões precárias em troca de um punhado de biscoitos caninos e afagos na barriga.
Vitor Hugo Munaier, jornalista
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Notícia aos titulares de ilusão – Luciano Martins Costa
A volta, em mais um lance – Victor Gentilli
Luciano Martins Costa responde
Agradeço pelas cartas. Sílvia Garcia, não condenemos a utopia: ela é feita de premissas verdadeiras, portanto é o oposto da ilusão. Vitor Hugo, a qualidade do ensino de jornalismo não se relaciona com o tema do artigo, ou seja, a obrigatoriedade do diploma. Você discutiria a proteção ao exercício da advocacia com base nas faculdades de fim de semana, que alimentam a polícia corrupta e enchem o país de bacharéis analfabetos? E ao caro Paulo Adler: pelo teor da sua carta, vê-se que você não chegaria a jornalista nem com dez mil diplomas. Em primeiro lugar, um jornalista aprende na faculdade a se informar antes de emitir opiniões. Se você se desse o trabalho de se informar, saberia que esse tema (a função de educação da imprensa) vem sendo debatido na Associação Nacional de Jornais há mais de dez anos; que há um movimento chamado Jornalismo Público que defende exatamente esses princípios, que as pesquisas sobre relacionamento com os leitores levam em conta essa função; que a imprensa surgiu e existe para EDUCAR as pessoas na diversidade dos grandes conglomerados urbanos; que o articulista já era jornalista em 1971, quando podia obter o registro de provisionado e, no entanto, enfrentou os bancos escolares para obter a formação necessária – que evidentemente falta a você, minimamente. Que o articulista não surgiu após a ditadura, mas é filho de um homem que foi perseguido pela ditadura e ele próprio ameaçado de morte; que o articulista teve de abandonar a reportagem, que adorava, porque seu filho foi ameaçado de morte. O autor do artigo não afirma que sociólogos e as lideranças comunitárias não possam escrever em jornais e revistas – não só podem como devem, e deveriam ser mais corajosos nesse sentido, não apenas seguir a tendência do patrão que lhes dá guarida na página de opinião. O articulista defende que o fazer jornal deve caber a jornalistas devidamente credenciados por diploma específico, até que a regulamentação de todas as outras profissões liberais seja refeita. Quanto à sua evidente motivação para se tornar jornalista sem esforço: quer participar da aldeia global? Tente o Big Brother Brasil. (L.M.C)