05/08/2003 3/9

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A NOVA GENI
Seqüela da ditadura

Tenho muito respeito por Alberto Dines, uma das personalidades brasileiras mais sensatas, e que defende a verdade. Na minha mais singela opinião, como um leigo das técnicas de comunicação, sempre vi a imprensa como o carro chefe da "elite" brasileira. É só olharmos de quem são os grandes jornais, rádios e TVs do Brasil. Principalmente as rádios espalhadas por estes interiores, onde percebo total desqualificação com a informação. Infelizmente isto ainda é o resultado de tantos anos de ditadura que tivemos no Brasil e da falta de democracia na informação, ainda vigente.

Pedro Antônio Cândido, São José dos Campos, SP

 

Não sejamos ingênuos

A sociedade está colocando numa parede aquele órgão que é seu parceiro e cúmplice no processo de transformação da sociedade, a imprensa. E como parceira, cúmplice, companheira, cônjuge até, há os dissabores corriqueiros de uma união que se pretende fértil. Brincadeiras matrimoniais à parte, penso que Dines tem razão quando relaciona a imprensa e sua atividade com a conquista do Estado de Direito. As lutas pela democratização, pelas almejadas garantias do cidadão e da sociedade passam pelo fluxo de informações. É o homem de imprensa o responsável por esse papel. Nenhum governante, nenhum homem público, que se preste a administrar os caminhos de uma nação, de um povo, jamais o fará, dentro daquilo que se entende pela ética na sociedade, sem o auxílio do fluxo de informações. A imprensa, enquanto instituição, tende a executar isso de forma objetiva.

É bom saber, todavia, que a informação é uma "arma", usada pelas instituições, quaisquer que sejam seus objetivos. Uma notícia mata, de verdade. Colocada no lugar que se deseja leva a uma alteração e "aniquila", senão o cidadão, pelo menos a instituição-objetivo. Os exemplos estão aí, é só interpretá-los.

Da mesma forma que garantem o Estado de Direito, contribuindo para a transparência dos processos, e as informações devem deitar aí no leito da ética, incorremos no risco de "maquiavelizar" seu uso. Aplicar mecanismos de controle pode parecer ativar a máquina fascista de horrível memória. Por outro lado, editores com intenções duvidosas (para fazer caixa, por exemplo) podem, a um comando, fazer estragos com o mau uso da informação levando a danos muitas vezes irrecuperáveis. Conte-se com isso, a má vontade reinante em algumas redações, que não contentes com o desenrolar dos desmandos (segundo sua ótica) de algum governante, lançam mão de factóides os mais diversos, que irão minando e deteriorando o alvo em questão. Não sejamos ingênuos, isso existe! Por outro lado, alegar-se imparcialidade da mídia é utópico e irreal, pois todos temos opinião, mesmo aqueles que não se expressam.

Outrossim, não há como aceitar que haja um complô, uma conspiração editorial, imposta pela necessidade em se apoderar da informação e dela fazer sua ferramenta de transformação da sociedade. Por tudo isso, inevitavelmente, iremos cair no campo acadêmico, cuidando da formação desse profissional e conduzi-lo ao uso da informação como instrumento de transformação da sociedade e nunca de destruição.

Alexandre Carlos Aguiar, biólogo, Florianópolis

 

Erros abafados

Não é de hoje que certos setores da imprensa abafam erros, falcatruas e roubalheiras. Tem sido assim desde sempre e a tendência é que não acabe tão cedo. A história do filho de FHC com a jornalista da Globo, praticamente expulsa do país, é prova inconteste disso. A própria jornalista sabe que não pode (ou deve) abrir a boca e/ou "buscar os seus direitos". Quem mandou se meter com quem não devia? Mandei, recentemente, ao Jornal do Brasil, um comentário sobre a nova peça de Juca de Oliveira, que tem impactado políticos e imprensa. Não saiu uma linha do que escrevi. E vai ficar assim.

Por que só a revista Caros Amigos deu a notícia do filho bastardo de FHC? Assunto pessoal?, como sugeriu Norma Couri no Jornal do Brasil? Sim, se o "pai" não tivesse se tornado presidente da República e levado para o cargo o mau-caratismo que demonstrou no trato com a mãe de seu filho. FHC arrasou o Brasil por oito anos, com a cobertura da imprensa brasileira que, segundo a mesma Norma Couri, teria feito um pacto de não-agressão. Por quê? FHC deixou um país à beira de grave crise, que estourou agora no colo ingênuo do presidente Lula, enquanto a imprensa pintava para a plebe ignara um país navegando em mar de almirante e céu de brigadeiro. Agora, a mesma imprensa nega a Lula um tratamento digno, cobrando dele, em seis meses, o que jamais cobrou de FHC. Em que rubrica está contabilizada essa perda para o país e seus cidadãos?

Cesar Oliveira, Rio de Janeiro

 

Sem liberdade é falácia

É evidente que a mídia não pode ser responsabilizada por tudo que acontece de errado. Na verdade, ela exerce um papel relevante na sociedade. No entanto, sendo uma concessão do Estado, seu uso deveria ser mais adequado para a população. A busca incessante de audiência, por exemplo, transforma a TV num autêntico veículo de desinformação. A mídia concentrada nas mãos de poucos prejudica a liberdade. É necessário democratizar a informação, dando oportunidade a que empresários possam investir em meios de comunicação sem a cartelização atual.

As notícias, geralmente, vêm formatadas por agências internacionais controladas pelas grandes potências. É necessário que se abra espaço para opiniões e agências diversas. Falar-se em liberdade de imprensa sem democratizá-la é uma falácia.

J. Rezende

 

A mídia não é santa

Os jornais, logicamente, não são os culpados pelos equívocos e a corrupção nos pais. Mas hoje não estariam enfrentando essa situação se tivessem sido pautados ao longo de sua história por ética e imparcialidade. Quantos jornais defendem ou defenderam uma reforma agrária séria? Alguns veículos de imprensa foram muito complacentes com figuras não muito recomendáveis em troca de favorecimento. Quando não eram donos de seu próprio jornal? Quantos jornalistas ousaram falar mal de seu patrão em seu próprio jornal? Veja o caso da ascensão e queda do Sr. Fernando Collor, promovido pela Globo!

Um dos problemas foi a criação de megaempresas de jornais associados a outras mídias, como rádio e TV, e a concessão a políticos no crepúsculo de alguns governos. Os leitores saíram perdendo quando os jornais, que já tiveram maior credibilidade, se associaram a empresas multimídia. As notícias estão mercantilizadas, muita cópia e pouca produção. Tudo muito repetitivo. Parece que falta gente grande para escrever jornais. Menos jornais, mais qualidade. Se isso não fosse verdadeiro não existiriam tantos institutos de medida da credibilidade da imprensa. Isso deveria ser amplamente divulgado, como a cotação do dólar, e principalmente para leigos.

Outra prova da falta de credibilidade é a enorme quantidade de adesivos, aqui no RS, com os dizeres "Eu não leio Zero Hora". Que outro jornal provocou este tipo de reação de seus ex-leitores?

Cássio Maffazzioli, Porto Alegre

 

A mídia não é vítima

Estou enviando, em anexo, cópia de carta ao Jornal do Brasil sobre a primeira página do dia 26/7/2003. Parabéns por seu trabalho ímpar!

Fatima Lavrador, Petrópolis, RJ

É inacreditável a falta de sensibilidade, para não afirmar outra coisa, dos responsáveis do JB, ao estampar em primeira página a cena de violência no Parlamento japonês, com a intenção evidente de que se pensasse que isto tivesse ocorrido aqui no Brasil. Exacerbar o conflito social para quê? Nos tempos de tensão social que estamos vivendo em nosso país, isto significa um ato de desserviço à democracia brasileira. O jornalismo tem o dever de apresentar informações por piores que elas sejam, é claro, mas sem manipulação, sem duplo sentido, sem usar a ignorância de grande parte de nossa sociedade, que ao não ter dinheiro para comprar jornal ou mesmo por sua triste situação decorrente do analfabetismo, só tem acesso às imagens. E isto, os redatores e editores do JB sabem melhor do que ninguém ...

Portanto, o que quero dizer sobre o impacto da mídia e da imagem na vida das pessoas vocês sabem muito melhor do que eu, mera leitora e professora de História. Só me resta lamentar que um dos poucos veículos de comunicação que privilegiavam a ética e a honestidade se preste a um papel destes. Será que a crise econômica já jogou também o JB no jogo do vale-tudo para vender jornal? É uma triste página na história do JB, que eu tenho certeza contará com a crítica brilhante de um verdadeiro jornalista, Alberto Dines. Fátima Lavrador, Petrópolis, RJ

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A culpa é sempre da mídia – Alberto Dines

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