A NOVA GENI
Lágrimas extensivas
Entre a sensatez e a crítica, o caro Alberto Dines, cujas opiniões eu aprecio pela coerência, pontuou um aspecto importante: as lágrimas do presidente da Câmara, João Paulo Cunha, não devem ser de exclusividade dele, mas de todos brasileiros que vivenciam:
** Juízes chorando de barriga cheia - tirando a óbvia questão salarial, a quem eles prestam contas?
** Ministro da Reforma Agrária, Miguel Rosseto, declara legítimas as invasões do MST a propriedades privadas (foi o que deixou transparecer);
** Fila quilométrica para a vaga de gari;
** Desrespeito descabido de senador a procurador da República. Luiz Francisco de Souza, apenas, com habitual competência, fez cumprir o papel que lhe compete, e nem por isso acusou o "intocável" senador Jorge Bornhausen;
** "Explicação" do caso Tim Lopes;
** Ex-presidente com língua afiada, muito pouco parecida àquela que se calou no caso Sivam e no caso da CPI dos Bancos...
Parece, frente a uma lista de lamentáveis acontecimentos, injusto levantar tanto pano pra manga à questão da presença da PM na Câmara, até porque é irrelevante diante de outros fatos atuais e da complicada história política brasileira. Que me desculpem os contrários, não vejo problema em policiais transitando, mas vejo com intolerância e estupefato a ausência deles na baderna que contextualizou um assassinato: o do fotojornalista Luís Antonio da Costa: fique na paz de Deus!
George Souza Brito, estudante de Jornalismo, Bahia
Em prol da elite
Embora respeite sua posição, deveras corporativista, faz-se necessário avaliar que nossa imprensa não é nem um pouco isenta. Vejo uma óbvia manipulação das informações, em benefício dos interesses desta lamentável e decadente elite. Se há terra de ninguém é porque o suposto "proprietário" da dita cuja a mantém assim, sem proveito para a comunidade. Então não se pode protestar? A lei não deveria ser para todos?
Moacir Carvalho Moreira
O pior está por vir
O hábito de determinadas figuras públicas culparem a mídia sobre as derrapadas em que se metem virou chacota. Em "Síndrone de conspiração", Carlos Alberto Di Franco deixa bem claro:
"Armação da imprensa. Distorção da mídia. Patrulhamento de jornalista. Quantas vezes, caro leitor, você registrou essas reações nas páginas dos jornais? Inúmeras. Estou certo. Elas estão contidas, freqüentemente, em declarações de políticos apanhados com a boca na botija, no constrangimento de homens públicos obsessivamente preocupados com a própria imagem e no destempero de líderes que pescam nas águas turvas do radicalismo. Todos, independentemente de seu colorido ideológico, procuram um bode expiatório para justificar seus deslizes. A culpa é da imprensa! O grito, desesperado ou cínico, é uma manifestação de desprezo pela verdade..."
E é bom estarmos preparados para o que der e vier no desenrolar das publicações sobre a maior gatunagem dos últimos tempos, o Caso Banestado, que já envolve muitas autoridades brasileiras. Como o uso do cachimbo entorta a boca, certamente os pilantras vão tentar se safar a qualquer custo. O entrevero entre o senador Jorge Bornhausen e o procurador Luiz Francisco de Souza foi apenas uma amostra do que virá do ventilador.
Ricardo Faria
É uma afronta
Realmente a imprensa brasileira se tornou a "nova Geni". E isso não é de hoje. Há muito tempo estou aprendendo que tudo é culpa da imprensa. Desde os idos do início da década de 90, quando comecei a militar nesta profissão, percebo o quanto somos manipulados e culpados por tudo de ruim que acontece. A imprensa não é citada (se não por seus próprios pares) quando faz alguma coisa positiva. Só o negativo tem a "nossa" participação. E são várias as situações.
Somos nós que "estragamos" os adolescentes infratores, quando os identificamos pelo nome ou por sua foto, nos jornais (só faltam dizer que fomos nós que demos a arma e o convencemos a cheirar cola, assaltar e matar). Até condenados por tráfico ganharam o "direito" de não ter seus nomes e endereços divulgados pela mídia. Até que ponto chegamos...
O mais comum, quando os personagens envolvidos são "autoridades", é a alegação de que "os jornalistas interpretaram mal o que quis dizer". Ora, será que o cidadão foi claro o suficiente ou só passou as informações por entrelinhas e, pior, por assessores que mais atrapalham do que ajudam?.
Mas a explicação é simples. Nós não conseguimos uma unidade nacional. Nós jornalistas somos desunidos e nem sempre agimos com companheirismo uns com os outros. Quando um coleguinha é acusado de não ter "interpretado" direito o que um fulano disse, outro coleguinha vai correndo atrás deste "fulano" para ouvi-lo e aí, sim, fazer uma matéria "mais esclarecedora". Está na hora de assumirmos postura mais coerente e ignorar os personagens que nos usam para dissimular, colocar a sociedade contra nós e mesmo obter determinada repercussão por meio de notícias plantadas ou mal dadas.
Ser acusados de "não interpretar" corretamente os fatos é uma afronta. Falta maior checagem das informações e da credibilidade de quem passa a notícia. Entendo que a sociedade ainda não sabe lidar com a imprensa e esta, por sua vez, também ainda não aprendeu a lidar com a sociedade. Cabe a nós mudar isso, e logo....
Carlos Teixeira, Araçatuba, SP
Alvo fácil de ataques
Realmente, a mídia não pode ser considerada culpada por todos os males. Nem sempre se pode dizer que a veiculação que se faça das matérias seja informada pela má fé. Agora, há sempre a questão posta por Barbosa Lima Sobrinho em artigo publicado na Revista de Informação Legislativa, quanto aos dilemas por que passa o profissional de comunicação, porquanto a maior parte do seu material é colhido junto a testemunhas, e estas constituem um meio probatório extremamente precário, como o sabem todos os bacharéis em Direito.
E, de outra parte, como existem precedentes em que a pesquisa da verdade se viu preterida em nome de resultados que se pretendiam atingir, sobretudo de caráter eleitoral, as empresas de comunicação social, de um modo geral, se tornam um alvo fácil deste tipo de ataque. No caso do pronunciamento de Stédile, por exemplo, realmente o caráter "burguês" ou não da mídia pode, quando muito, justificar uma eventual intenção de o prejudicar, mas não desqualificar uma informação que seja verdadeira.
E aqui aproveito respeitosamente para dizer que o texto do jornalista Chico Bruno não conta com minha adesão, porquanto o envio da fita ao Ministério Público apenas possibilitaria a realização de uma perícia, da qual se poderia concluir sobre a existência ou não de alguma montagem ou coisa que o valha. E mais: se pode ter ou não havido a própria descontextualização de palavras ou frases. Deixo bem explícito que não estou a tomar a defesa do MST ou de Stédile ou de quem quer que seja: creio que o jornalismo investigativo, quando seja realmente investigativo e não predeterminado à construção do fato, é uma das maiores salvaguardas que tem o cidadão.
Mas também não me parece que a questão seja assim tão simples. Foi, inclusive, à defesa deste jornalismo investigativo e não predeterminado, manipulado, que se votou a crítica feita pelo OI à montagem da foto de Stédile com uma pistola, consoante observou o jornalista Alberto Dines, autor do texto a que são produzidos os presentes comentários. E, por outro lado, já que se faz a lembrança da Geni, vamos à própria origem dela, que é a Bola de sebo, de Guy de Maupassant, detestada por todos os habitantes de uma cidadezinha no interior da França, mas que foi responsável pelo levantamento do sítio dos prussianos a esta mesma cidadezinha ao aceitar entregar-se ao comandante do destacamento, por pressão dos seus próprios conterrâneos.
Ricardo Antônio Lucas Camargo
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