MÍDIA & GOVERNO
Silêncio inaceitável
É inaceitável o quase absoluto silêncio da imprensa brasileira quanto à impertinente declaração do ministro do Trabalho, Jacques Wagner, alegando que o problema do desemprego no Brasil é puro alarmismo, tentando inclusive minimizar, ou ridicularizar, a imagem das extraordinárias filas formadas por milhares de desempregados, na desesperada busca por uma colocação no mercado de trabalho, classificando-as com simples conseqüências de erros de estratégias de convocação de mão-de-obra, de uma infelicidade atroz.
Talvez o ministro Jacques Wagner, agora que pessoalmente não enfrenta mais o problema do desemprego, tenha esquecido o quanto é constrangedor e humilhante para um pai de família ver chegar o fim do mês e não dispor de um salário digno para cumprir com a obrigação de provedor do lar. Ao afirmar textualmente, tentando cobrir o Sol com a peneira, que "o alarme é maior que o drama, pois parte das filas acontece pela irresponsabilidade dos que convocam para as vagas de emprego", o ministro demonstrou seu profundo desconhecimento e desprezo pela problemática do desemprego.
Sua despropositada declaração é tão ofensiva ao trabalhador brasileiro quanto foi aquela emitida pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, quando ousou ironizar os aposentados, chamando-os de vagabundos.
César Ferreira, Recife
Papelão do Judiciário
A respeito dos elogios feitos por Luiz Weis a Dora Kramer ("De frente para a verdade") e seus artigos sobre o papelão do Judiciário em geral diante da reforma da Previdência, quero apenas assinar embaixo. Por coincidência, li o artigo de Weis quando, minutos atrás, comentei sobre os mesmos artigos da D.K. com uma professora e amiga do Departamento de História aqui na Fafich/UFMG, de onde escrevo. Tenho acompanhado seus excelentes artigos pelo jornal O Tempo, aqui de BH.
Victor de Oliveira Pinto Coelho
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De frente para a verdade – Luiz Weis
Escândalo ignorado
O caso Banestado é, indubitavelmente, um dos maiores escândalos da história do nosso país. Se confirmado o desvio dos 30 bilhões de dólares, este será talvez o maior assalto aos cofres públicos já realizado nestes atribulados 500 anos de Brasil. Escândalo que ganha proporções ainda maiores devido à falta de cobertura da grande mídia brasileira em relação ao assunto. É no mínimo estranho que não haja notícias referentes ao caso nos principais telejornais, que representam a grande fonte de informação da massa. É no mínimo suspeito assistir aos 45 minutos de Jornal Nacional e não ouvir, pelo menos uma vez, ser pronunciada a palavra Banestado. Tomei conhecimento do assunto através de Boris Casoy e seu Jornal da Record – aliás, quero parabenizá-lo por seu eterno compromisso com a verdade e a transparência com que divulga os fatos. Não tive oportunidade de acompanhar o caso desde o início, pois estudo à noite e só agora durante as férias vejo os telejornais noturnos.
Mais recentemente, comecei a assinar a Folha de S.Paulo. Daí veio minha grande decepção. O Jornal Nacional já ocupou grande parte de seu tempo de exibição com notícias sobre o nascimento de Sasha, enquanto o país passava por graves problemas na esfera política. Portanto, não é surpresa alguma uma notícia, que poderia atingir grande repercussão na opinião pública, deixar de ser explorada pelo principal telejornal do país. Ainda mais com os rumores de que grandes empresários e importantes nomes políticos estariam envolvidos no eventual desvio de dinheiro. Que o jornalismo da Rede Globo é de credibilidade duvidosa, muitos já perceberam. Mas nunca suspeitei da Folha de S. Paulo, cujo nome sempre foi para mim sinônimo de credibilidade e imparcialidade.
Faz dias que não encontro uma nota sequer do caso Banestado. Se as notícias estiverem presentes no jornal, estão em algum lugar de pouco destaque, pois não as encontro. Notícias deste grau de importância mereceriam manchete. Não podem deixar de ser publicadas ou ocupar cantos obscuros. O curioso é que ouvi dizer (não me lembro da fonte) que foi exatamente a Folha e outro jornal que surgiram com a notícia (teria ocorrido até mesmo um vazamento de notícia, pelo qual a Folha foi advertida, se eu não estiver enganado). Por que, então, não há mais notícias do caso?
Não sei como está sendo tratado o assunto pelo restante da imprensa. Minhas principais fontes de informação são o Jornal da Record, a Folha e o Jornal Nacional, sendo essas duas últimas também as da maioria da população. Fico preocupado com a omissão por parte destes poderosos meios de comunicação. E decepcionado com Lula e o PT, que concentraram grandes esforços para abafar o caso. Diante desta gigantesca tentativa de "operação-abafa", certamente nomes graúdos da política e do meio empresarial devem estar envolvidos no desvio de dinheiro.
Enquanto a imprensa dedica grande espaço às reformas previdenciária e tributária, o caso Banestado passa despercebido. A imprensa deveria dar ênfase à cobertura de uma outra reforma, esta longe de ser realizada pelos políticos do Brasil: a reforma moral. Sem ela, não há reforma previdenciária nem tributária que tire as contas públicas do vermelho. Não enquanto houver rombos da ordem de 30 bilhões de dólares, tão grande quanto o preocupante déficit da Previdência.
Eduardo Scrich, Mogi Guaçu, SP
Sem ver o noticiário
Estou indignado com o Poder Judiciário: por se achar, entre aspas, no poder, pode fazer o que quer, como bem entender, desclassificando o povo brasileiro, se achando no direito de fazer greve, como se o salários de 17 mil reais fosse pouco, enquanto milhões de brasileiros vivem na faixa da miséria. Não queria eu estar na pele do presidente Lula. Nem dá vontade de ver o noticiário. Alguns funcionários públicos também não querem largar a rapadura. Espero que Lula consiga vencer esta batalha a favor de todos os brasileiros que não se conformam com as atitudes de uma minoria que só pensa no seu bem-estar, esquecendo que muitos não têm o que comer, onde morar, o que ganhar.
Emerson Garcetti
Em prol da casta
Ah, meu caro Rodolfo de Paula, é uma pena que mensagens como a sua não sejam divulgadas na grande imprensa. O papel dessa imprensa é outro: é o de manter essa "casta" com seus benefícios (não quero dizer privilégios, pois eles não gostam!), pois esses são os consumidores, os formadores de opinião, são os que importam nessa bela sociedade brasileira. O "resto", meu caro, os trabalhadores que tomam ônibus, andam de metrô, que têm que enfrentar filas em postos de saúde (quando existem), os aposentados que recebem migalhas em suas pensões (?), enfim, a grande parte da população brasileira não importa. É a famosa massa de manobra, tão dita nos idos de 60 e 70. O mais surrealista nesse contexto, meu caro, é ver senadores do PT, antes defensores da justiça social, defenderem essa "casta", por considerá-la sua base eleitoral. Eu estou com Lula até a raiz de meus cabelos. Foi para isso que ele foi eleito. Para fazer a tão esperada justiça social.
Alexandre Carlos Aguiar, biólogo, Florianópolis
Sem escrúpulos
A Folha de S. Paulo realmente não tem escrúpulos para fazer manchete. Hoje, 4 de agosto de 2003, manchete sobre Previdência:
Relator quer que excluído pague para se aposentar
Idéia do senso comum: aquele safado do relator está querendo tirar dinheiro do pobre trabalhador.
Detalhe: o pobre trabalhador já paga se quiser se aposentar, e o relator quer diminuir de 20% para 8% esta contribuição, trazendo incontestável avanço (neste tópico). Citando matéria:
"O relator imagina uma contribuição de 8% do salário mínimo – hoje um autônomo que queira contribuir paga 20%."
Escrúpulos. Faltou escrúpulos à Folha hoje.
Gustavo Barreto
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