FALSIFICAÇÃO ELETRÔNICA
Atire a primeira pedra
Acompanhei com interesse o desenrolar dessa mirabolante história, enredo que poderia facilmente ser encenado no cinema, ou fazer parte de algum livro do gênero "ficção jornalística". Lembram de A rede? Pois então, isso poderia muito bem ser aproveitado, todos ganhariam dinheiro e assim teríamos um happy end.
Brincadeiras à parte, o fato é que tudo aconteceu porque houve erros e ingenuidade. E agora é muito fácil se pregar a devida compostura desse ou daquele jornalista, como se ninguém nos dias atuais não tenha caído numa armadilha dessas. "Ah, mas eles poderiam ter feito isso ou aquilo, não deviam ter feito aquilo outro". Houve uma leitora que condicionou a credibilidade desse sítio a uma postura mais bem-elaborada, pondo em dúvida honestidade etc. Que coisa horrorosa! A que ponto estamos chegando? Usando aquela frase do Legião Urbana: "Não devemos ser atacados por ser inocentes..."
Levante o dedo quem não tenha perdido um arquivo no computador por ataque de vírus, quem não tenha mandado um vírus a um amigo sem saber, e até mesmo o cartão de banco clonado, ou coisas do gênero. Eu já perdi três computadores que continham projetos, trabalhos científicos, ensaios e livros, por acreditar que não seria tomado pelos vírus da rede. E fui. Alguns deles mandados por amigos meus. E agora? Vou até seus pescoços e os parto? Vou duvidar de sua honestidade?
O fato é que estamos desgraçadamente vulneráveis à rede. A internet é, desculpem o marketing, terra de Marlboro. É a bala perdida da tecnologia. É o "fogo amigo" high tech. Ao mesmo tempo, não é mais possível voltarmos atrás, esquecendo os computadores num armário, não enviarmos mais e-mails, retornando à máquina de escrever ou mandando mensagens colando selos com a língua. É o preço que pagamos pelo conforto. Temos, nós, usuários, que nos precaver cada vez mais ao usarmos essa ferramenta, pois do contrário o seu mau uso continuará a nos dar marteladas nos dedos.
Alexandre Carlos Aguiar, biólogo, Florianópolis
Chega de corda
Apesar de sempre acompanhar o OI (tanto pela internet bem como pela TV), esta, porém, é a minha primeira vez que participo "ativamente". Gostaria que esta participação ocorresse em outras circunstâncias – opinando/contribuindo com um "papo cabeça" a respeito de alguma matéria/opinião. Mas rogo para que as partes envolvidas deixem de lado este caso. Felizmente "nada" aconteceu de fato, já que descobriu-se a fraude. Prejudicial será se ficarem "dando corda" a tal acontecimento, uma vez que o principal prejudicado será o próprio OI (que vai virar um bafafá só) e, conseqüentemente, todos os leitores que vêem nele um dos poucos canais informativos decentes. E, caso isto aconteça, de uma forma ou de outra, o fraudador estará atingindo sua meta. Esperto que todos vocês estejam atentos a isso.
Eduardo Tanoue
Intento alcançado
A julgar pelos textos dos envolvidos na tentativa de fraude, o autor da tentativa logrou, no fim das contas, alcançar o seu intento: provocou um conflito no qual predominaram ataques e ironias que em nada contribuíram para a preservação do espírito que move a existência do OI, tanto quanto desqualificaram os missivistas naquilo que mais deveriam observar – a isenção – ainda que, e sobretudo, na defesa de sua dignidade. Pelo contrário, ficou-me a impressão de que não reconhecem a importância deste fórum, que lhes diz respeito como profissionais da imprensa, malgrado a falibilidade de todos.
Luiz Paulo Santana, Belo Horizonte
Até o Demônio...
No que tange à celeuma gerada em torno do texto atribuído ao jornalista Lúcio Flávio Pinto, tenho a dizer que, mesmo não me posicionando sobre o mérito dela, o Observatório da Imprensa, pelo simples fato de veicular os pronunciamentos que materializam críticas a seu pessoal e suas matérias, já mostra uma virtude que o destaca da grande imprensa em geral, que é a busca de uma garantia mais efetiva de que o contraditório se faça perante o leitor. Como se trata de garantia que não se pode sonegar, como dizia Thomas More, nem mesmo ao Demônio, assegurando a este inclusive a possibilidade de a razão lhe ser reconhecida, é de ser ressaltada a elevação que traduz tal atitude.
Ricardo Antônio Lucas Camargo
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Adendo a uma história infame – Luiz Egypto
História de uma fraude – Luiz Antonio Magalhães, Marinilda Carvalho e L.E.
Carreira fala por si e outras cartas – Caderno do Leitor
STF E RACISMO
Separatista não-nazista
Não deixa de ser curioso que o jornalista Ítalo Ramos, em seu artigo "Sobre a liberdade de ler", defendendo posições politicamente corretas e imparciais, cometa um absurdo ao dizer que os integrantes do movimento O Sul é meu País são simpatizantes do nazismo. É claro que entre os participantes há uma minoria com idéias anti-semitas e nazistas, mas estender essa qualificação para todos é no mínimo, manifestar a intolerância que ele critica.
Carlos Landini
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Sobre a liberdade de ler – Ítalo Ramos
MÍDIA ESPORTIVA
Foco sempre bairrista
É sabido que um dos maiores problemas da imprensa, de modo geral, é a questão da parcialidade. Ela esta presente na abordagem dos mais variados temas, seja na política, na religião, nas artes, nos esportes. Dentre estes temas em nenhum outro a questão da parcialidade, ou da falta dela, se apresenta tão evidente como nos esportes. Infelizmente, para azar do resto do Brasil, os grandes conglomerados de comunicação estão localizados no Rio ou em São Paulo, e assim toda a abordagem sobre o tema esportes é feita sob o ponto de vista das equipes destes centros.
No caso do futebol, por exemplo, sempre que há um confronto envolvendo times do Rio ou São Paulo contra qualquer outro do Brasil a análise do jogo é feita sobre o desempenho destas equipes, como se os demais times fossem meros coadjuvantes do espetáculo. Principalmente quando estes times perdem, suas derrotas são sempre atribuídas ao mau desempenho, e nunca ao bom desempenho dos adversários. Tomemos como exemplo as manchetes retiradas de três dos maiores provedores de internet do Brasil: UOL, Terra e iG em 30 de julho, após a vitória do Atlético-MG sobre o Corinthians:
** Corinthians perde em casa para o Atlético-MG pela Sul-Americana
** Rogério disputa bola com zagueiro do Atlético-MG na derrota por 2 a 0 do Corinthians pela Sul-Americana (Legenda de uma foto em que apenas o nome do jogador do Corinthians é citado, o outro é apenas o zagueiro do Atlético-MG)
** Grêmio toma de 4 do São Paulo. Corinthians e Palmeiras perdem
Ou seja, contrariando a lógica de enaltecer as vitórias no esporte, salvo quando as derrotas envolvem seleções nacionais ou equipes que estejam representando o esporte nacional, o feito do Atlético Mineiro em bater seu adversário na casa deste tem pouca ou nenhuma relevância. O que importa é a derrota do Corinthians, do Palmeiras etc. Ainda que estes times tenham torcida numericamente maior, será esta abordagem correta? No caso de jornais ou veículos de circulação neste locais isto seria plenamente aceitável. Em veículos como estes provedores, porém, que são acessados em todo o Brasil acho este critério bastante questionável.
Tenho percebido que em alguns locais fora do eixo Rio-São Paulo começam a aparecer algumas manifestações contra este procedimento. Já é comum em estádios no Rio Grande do Sul, da Bahia, de Minas faixas enxovalhando tanto a Globo como o narrador Galvão Bueno, notório pela sua parcialidade. Assim, penso que já passou da hora de estes veículos, supostamente nacionais, serem mais criteriosos na elaboração de suas manchetes e comentários, proporcionando a todos os brasileiros um sentimento de respeito e igualdade.
José Adilson dos Santos
GEORGE ORWELL
Crítico da imprensa
Uma obra pouco conhecida de Orwell constitui um dos melhores documentos sobre a atuação da imprensa, especialmente em época de guerra: Recordando a Guerra Civil espanhola. Nesta obra, Orwell – que lutou contra as forças do generalíssimo Franco –, em que pese faça algumas injustiças contra Gandhi, a quem compara a Pétain, refere, contudo, como os meios de comunicação auxiliavam a fomentar as fúrias de parte a parte, bem como se especializavam em inventar, tanto em relação aos republicanos quanto em relação aos falangistas, atrocidades perpetradas pelo inimigo, colocando de lado, mesmo, os valores que uns e outros diziam defender.
Ricardo Antônio Lucas Camargo
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Um jornalista esquecido – Sebastião Jorge