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Edição de Marinilda Carvalho
FGTS
Terrorismo na mídia
A imprensa tem propalado o rombo, os prejuízos, as perdas e as grandes dificuldades nas contas do governo, devido à devolução da correção do FTGS em dois dos "planos infalíveis" de governos passados. O governo faz terrorismo na mídia sobre essa devolução: suspensão de financiamentos populares pela Caixa; proposta de retenção dos 40% de indenização ao trabalhador demitido; rombo de R$ 38 bilhões nas contas públicas; reajuste retroativo dos empréstimos da casa própria.
E o pior: grande parte da imprensa está embarcando nessa. Não há nenhuma menção de argumentos como desestabilização do sistema financeiro, preservação do direito dos depositantes etc. etc., usados na defesa da "doação" R$ 1,5 bilhão feita aos tamboretes Marka e FonteCindam, nem dos R$ 28 bilhões de "socorro" aos bancos falidos por seus próprios donos ou gerentes "espertos". Nem o fabuloso rombo causado pelo BC ao Tesouro Nacional pela desvalorização do real em janeiro/99, por incompetências melindradas, mereceu tanta preocupação por parte dos donos do poder.
Desse jeito, em breve teremos notícias informando o "prejuízo" que o Lalau, o Estevão e outros meliantes terão se forem cobrados de fato os valores desviados por eles usando dos meios disponíveis na burocracia estatal, sem violência aparente! É preciso atentar aos termos usados pelas agências de notícias, que tratam os assalariados, que têm seu Fundo de Garantia sistematicamente tungado pelos governos, como apenas um detalhe... sem a menor importância.
José Renato M. de Almeida, Salvador
PASSANDO DO LIMITE
Festa da ignorância
Que o jornalismo brasileiro vai mal das pernas, não é segredo. Agora, pela nota sobre uma festa, publicada em um caderno de fim de semana de um jornal qualificado como o Jornal do Brasil, a situação está, no mínimo, desesperadora. Na edição do dia 25 de agosto da revista Programa, encartada toda sexta-feira no jornal carioca, um box colorido no alto da página 23 informa sobre uma festa a ser realizada em Niterói no dia seguinte. Haveria, no local, quatro ambientes, denominados de fogo (pista de dança), água (restaurantes), terra (bar) e ar (vídeos ao ar livre). Informação simples. Relevante para quem gosta de sair em um sábado à noite, isto é, 90% dos cariocas. Adequada para a revista.
Acontece que uma pessoa, que pode ser chamada de qualquer coisa, menos de jornalista, começa a nota assim: "Niterói vai bombar neste sábado. Apesar de não terem nada a ver com o programa No limite, os produtores da festa Classic Night resolveram dividir o evento em quatro ambientes, com nomes que lembram as equipes lá do Ceará."
Um sujeito que relaciona ar, água, fogo e terra com Sol e Lua (parecidíssimos, aliás), mas não aos quatro elementos básicos da natureza, só pode ser dois tipos de pessoa. Alguém que queira promover o programa da Globo (no Jornal do Brasil?) de uma forma cruel, isto é, desinformando. Ou é apenas ignorante.
Raphael Perret Leal, analista de sistemas e recém-formado em Jornalismo pela Uerj
Narciso e seu lago
É uma gincana? Uma novela barata? Uma experiência científica? No limite é tudo isso e mais. Mesmo quem tem aversão à TV certamente ouviu falar do programa dominical, onde pessoas completamente diferentes disputam um prêmio em meio a condições precárias. O Survivor tupiniquim conseguiu mais audiência que a tradicional novela das oito e virou assunto obrigatório no trabalho e nas mesas de bar. Mas afinal, o que há de tão fascinante nesses programas reais que os fez virar um fenômeno mundial?
Todos nós somos um pouco narcisistas. Ao colocar pessoas comuns como protagonistas, a tela da TV vira o nosso lago-espelho e ficamos hipnotizados pelo nosso reflexo. Além disso, um certo voyeurismo faz com que tenhamos enorme curiosidade de espiar a vida do outro. Todos esses programas que colocam gente normal em situações inusitadas nos dão essa oportunidade de saciar nosso impulso.
Do outro lado, na frente das câmeras, a situação é bem curiosa. Várias pessoas, de todas as idades, profissões, de ambos os sexos, se dispõem a expor sua vida e a passar por fatos insólitos. A ambição justifica, em parte, que tais pessoas se submetam a isso. Mas, o que mais conta nesse caso é o exibicionismo e o sonho da fama. Alguns participantes do No limite já foram entrevistados, outros foram convidados para posar nus. Não é que funcionou!?
Podemos dizer que esse fenômeno apenas reflete a vontade do cidadão médio. Ele já percebeu que a mídia é o quarto poder da sociedade. E agora está reivindicando sua participação nela, mesmo que seja de modo tão rápido e superficial.
Anita Menezes de Rezende, estudante, São João del-Rei, MG
ESCOTISMO
Sempre alerta
Acompanho o trabalho de Alberto Dines com atenção, considerando toda a isenção que procura manter em suas matérias. Assim, permita-me chamar atenção para o Escotismo no Brasil. Há muita desinformação a respeito, levando a equívocos e ironias que acabam por desanimar os que nele atuam.
Recentemente, tivemos comentários que no mínimo foram incoerentes com a importância desta organização não-governamental, considerada a maior do mundo para educação não- formal. O Sr. Ciro Gomes, no programa do Jô Soares, citou ironias de uma das seções da Playboy, e, ao que parece (não assisti; recebi comentários), também num dos programas do Observatório da Imprensa na TV Cultura.
Em decorrência, indago da possibilidade de veicular-se matéria a respeito, via debate / esclarecimentos, levando os verdadeiros objetivos do movimento, e sua ainda subutilização como complemento educacional (em todos os âmbitos, seja no sentido ecológico, valores morais, religiosos, ou na vida prática). Coloco-me à inteira disposição para indicar caminhos e fontes para auxiliar no meio. Sempre Alerta Para Servir,
Roberto Karam
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