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REALITY SHOWS
Melhor do que Ratinho!
Apesar de achar muuuuuuito ruim, sem conteúdo, Casa dos Artistas e Big Brother estão ocupando espaço antes utilizado só com violência. São alguns minutos apenas, mas ocupa mentes vazias (paraíso do diabo...). Seria muito melhor que a audiência consagrasse a programação da TV Cultura, por exemplo. Mas, enquanto isso não acontece, serve para mudar o assunto do ponto de ônibus, do trem de subúrbio, do banco de metrô. Melhor do que Ratinho...
Helena Lanari Ozolins Manzione
O voyeurismo não mudou
Somos estudantes de Jornalismo da Unesp (campus de Bauru) e ao ler o artigo de Márcio Santim pudemos ver retratadas opiniões das quais compartilhamos. Entretanto, a relativa diferenciação feita entre o voyeurismo tradicional e o chamado "social", na nossa concepção, parece estar mais relacionada ao fenômeno típico da sociedade contemporânea (a difusão dos meios de comunicação de massa). Ou seja, na verdade o voyeurismo é o mesmo em todas as épocas. Seu caráter continua individual, com a ressalva de que, devido à configuração atual resultante da massificação midiática, esse caráter individual é mascarado por uma coletividade que desconsidera a relação única estabelecida entre o indivíduo e o écran, não apenas no computador, mas também na TV.
Afinal, a tela corresponde ao buraco da fechadura de antigamente, pois ocorre a interpretação pessoal sobre as imagens apresentadas. O caráter social do voyeurismo reside na indiscutível manipulação realizada pela mídia, como foi retratado no texto. O voyeurismo atual se concretiza mediado pelo "mesmo buraco da fechadura", o que o torna coletivo. A essência da "patologia", porém, continua a mesma.
Bruna Fioreti, Daniel Caíres, Juliana Leão
Matéria sensacional
Sensacional a matéria sobre a Casa dos Artistas e o BBB.
Vera Nusdeo Lopes, do TVER
Delírios fetichistas
Achei muito interessante a abordagem sobre os reality shows. Compreendi o termo "voyeurismo social". Muitas vezes, o voyeur está à procura do contato físico virtual, quando se vê sem amante. Com aquelas figuras televisivas, irreais, imaginárias e inalcançáveis, fantasia uma relação sexual. O fato de serem famosos, no caso da Casa dos Artistas, torna o fetiche ainda mais atraente, por se imaginar, no sonho mais delirante, transando com alguém com quem todos sonham.
Fernando Nunes, estudante de Jornalismo da Unesp-Bauru
Também fui hipnotizada
Anteriormente acreditava que o sucesso dos reality shows decorria somente pela falta de informação da população; julgava o brasileiro – o que não deixa de ser verdade – um povo ignorante e sem estudo. Porem, depois de constatar que isso é um fenômeno mundial, tenho mais perguntas do que respostas para isso. Não que eu considere as outras nações berços de cultura, vide o fenômeno dos tablóides ingleses ou a origem européia do próprio Big Brother; contudo, agora constato que essa é uma "pratica" de todas as classes sociais. Inclusive eu, que sou aluna de um curso conceituado, que exige muita leitura e senso critico, me vi "hipnotizada": liguei a TV no tal programa e só saí quando acabou.
A propósito, não conhecia o termo "voyeurismo social", o que achei redundante, já que acredito que o fato de ser um voyeur não implica exibição explicita. Se assim o for, o que acha da "exibição'' do cotidiano das pessoas pela internet, em blogs e webcams? Também seriam exemplos de ''voyeurismo social''?
Camila Neuman
Leia também
Ser ou não ser um voyeur – Marcio Santim
Márcio Santim responde
Resposta a Bruna Fioreti, Daniel Caíres e Juliana Leão: além da difusão dos meios de comunicação de massa como facilitador da tendência ao voyeurismo social, temos um outro fenômeno de suma importância, que é a invasão do privado no espaço público, formando a base para uma sociedade intimista e narcísica. Sennet, no livro O declínio do homem público, trata muito bem desta questão. É complicado falar em essência, mas se vamos falar em termos de "patologia", voyeurismo social e voyeurismo clássico têm diferenças significativas: uma delas é que no primeiro estão contidas várias questões de ordem político-ideológicas que, em comparação ao segundo, são extremamente funcionais ao sistema globalizado.
Resposta a Camila Neumann: você utilizou o termo adequado, hipnose. Logicamente que não são apenas os reality shows que hipnotizam. Na palestra que estou dando sobre a influência da TV na formação da personalidade, trato desta questão. A maioria dos programas televisivos age como meio hipnotizador; basta ligar a TV e depois de uns dois ou três minutos, como num passe de mágica, desliga-se da realidade e mergulha no mundo da fantasia. É sabido que a hipnose não age num nível racional, e sim emocional, inconsciente, no qual os indivíduos não têm muito domínio. E este é um dos fatores que propiciam o consumo destes programas mesmo em países chamados de Primeiro Mundo, com nível cultural e educacional mais elevado do que o nosso. A sedução ocorre principalmente no emocional. Considero, sim, como forma de voyeurismo social a exibição da intimidade pela internet através das webcams. O termo voyeurismo social não é redundante devido principalmente a dois fatores:
** Tornou-se uma forma socialmente aceita e explorada pela indústria do entretenimento.
** O interesse pela intimidade de pessoas comuns ou celebridades ampliou-se. Além do desejo de observar indivíduos nus ou tendo relações sexuais, hoje também temos interesse pelo que comem, vestem, fazem nas horas de lazer, como é sua decoração residencial etc.
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