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CASO DANIEL PEARL
Morrer ou não morrer

Tenho algumas observações ralas sobre a cobertura da morte do jornalista Daniel Pearl. Do pouco que li, devido a imprevistos com a entrega da Folha, chamou-me atenção a coluna de Sérgio Dávila (coluna NYTV, na Ilustrada). Basicamente, além da foto do jornalista preso, vinha a transcrição de três e-mails enviados a Daniel por algum secretário do governo paquistanês. A intenção fraterna do texto era revestida até de um sentimento de revolta, e o autor ensaiava um protesto. Bastante louvável, considerando que a imprensa nacional parece ter considerado "um minuto de silêncio eterno" como a melhor resposta ao assassinato. Eu não tinha me importado com a morte do cara, porque achava que jornalista tem que ser herói de guerra. Até que tive um sonho barra-pesada.

Mas ainda não consigo esquecer que, depois de 11 de setembro, a coluna do Sérgio tornou-se um espaço "copiar-colar". Cansei de rever em NYTV tudo aquilo que inundara minha caixa postal uma semana antes. Será que é tão fácil assim ocupar uma coluna?

Renato Franco Bueno, Bauru, SP

 

Mídia preconceituosa

É realmente inconcebível o fato em si do brutal assassinato. A pouca reação internacional, idem. A pouca reação do aparelho de comunicação, uma vez que o repórter estava a serviço da informação, também é inacreditável. Só nos resta imaginar que todos ficaram apáticos pelo fato de que ao morrer foi reafirmada a condição de judeu do jornalista. Mais uma vez a mídia se cala ao que se passa contra judeus e israelenses, privilegiando o outro lado. Até quando viveremos este sectarismo?

Quem conhece o Estado judeu seguramente pode entender que os israelenses não podem ser tão ruins assim como se propaga. Mas a mídia só reforça um lado dos fatos... Esperemos que isto possa mudar, e que perdas não mais ocorram, seja de que lado for.

Mauro Sancovski

 

Frieza com as vítimas afegãs

Concordo plenamente com os apontamentos de Alberto Dines. Apenas uma colocação: a observação deve ser feita também em relação aos milhares de afegãos mortos durante a ação americana no Afeganistão. É impressionante como tais mortes foram friamente relatadas pela mídia ocidental.

Diego Barcelos da Cruz

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Repórter decapitado, imprensa brutalizada – A.D.

 

MÍDIA DOS EUA
Olhando para fora

Os atentados de 11 de setembro e a guerra contra o Afeganistão começam a produzir alguns efeitos na atenção – sempre pouca – que a imprensa americana confere aos assuntos internacionais. No final de maio, estréia na Public Broadcasting System, a rede pública de televisão dos EUA, Frontline World. Será a versão internacional do prestigioso Frontline, uma espécie de Globo Repórter de lá, que sempre foi fiel à tradição de os americanos só olharem para o próprio umbigo e que cobria apenas assuntos nacionais. O primeiro programa do Frontline World será dedicado à Aids na África do Sul.

Carlos Tautz

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