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Edição de Marinilda Carvalho
Alguns leitores confundem o papel do Observatório, como se pode ver pela carta de Ricardo Malta, "Pose de vestal".
O foco do O. I. não é genérico. Aqui se publicam artigos e cartas sobre o desempenho da mídia no trato dos fatos, não sobre os fatos. Este foco tem sido inflexível. Belos artigos de vários colaboradores deixam de ser publicados por não tratarem do comportamento da imprensa diante da notícia, mas da própria notícia.
Muito menos o Observatório ataca ou protege este ou aquele personagem. ACM entrou em nossa pauta pelas páginas do livro Memórias das trevas – aqui debatido justamente por não ter entrado na pauta dos jornais.
Um abraço, boa leitura.
TV CULTURA SEM OI
Falta de consideração
Gostaria de saber a razão de a Rede Cultura não ter exibido o programa Observatório da Imprensa na terça-feira de Carnaval, dia 27. Captei imagens do programa transmitido pela TVE do Rio de Janeiro em minha parabólica, mas o sinal não estava muito bom. Ao trocar para o canal da TV Cultura, na esperança de ver o programa com melhor qualidade de imagem, me surpreendi ao ver a transmissão de um especial sobre os 30 anos da televisão. Acho que valeria ao menos uma explicação para o telespectador.
José Luis dos Santos Neto, Rio Claro, SP, por fax
ACM
A mãe de todos os grampos
O ACM é apenas a vitrine de políticos que não sabem que é preciso governar para todos! Isso é óbvio? Mas nem isso eles fazem.
Alex Martins
Pose de vestal
Sou um eleitor de esquerda, moro no Rio, nunca votei e nunca votaria em ACM. Agora, o que mais me surpreende, segundo as gravações do MP, não é o fato das denúncias de ACM ou seus motivos, mas o conteúdo delas. Observo a imprensa, e mesmo vocês. Mais preocupados em desabonar o ACM do que indignados com a recente eleição de Jader mesmo após ter sido capa de Veja sob o título "O homem de 30 milhões". O fato de a população estar postergando as declarações e a fogueira armada pelos inquisidores do senador baiano foi a arrogância desta eleição, foi a coragem dos senadores em elegê-lo a despeito da opinião pública, elevando ao poder uma quadrilha que se apossou da maior casa legislativa do Brasil. Um grupo que age com muito mais silêncio do que emoção. E parece que está todo mundo cego. Posso imaginar a alegria de Jader e sua quadrilha com esta posição de vocês. Também acho que o MP agiu de má fé ao gravar uma conversa de uma pessoa por eles convidada, abrindo um precedente perigoso, pois quem terá a coragem de fazer qualquer denúncia daqui para frente ou mesmo ter uma simples conversa no MP sem imaginar a possibilidade de estar sendo gravado, e o pior, sem ser avisado?
Imaginem-se amanhã tendo uma conversa particular com um promotor e no dia seguinte ver revelado seu conteúdo numa certa revista, que aliás fez uma manchete vergonhosamente tendenciosa, santificando o presidente (que acobertou seu secretário), escolhendo ACM como o vilão no céu da inocência. Chamando atenção para uma suposta traição que na verdade foi uma resposta revanchista ao decisivo empenho de FHC nas eleições de Jader e Aécio. Qualquer denúncia relativa ao trato da coisa pública sempre será bem-vinda à população independentemente do que ou de quem a imprensa pensante eleja como o bacaninha do momento. Isto só fará crescer a popularidade de ACM (aliás, já é um fato concreto), uma vez que o sentimento de indignação com a recente ascensão de bandidos até então à meia luz (Renan, Aécio, Eliseu, Eduardo Jorge etc.) é um fato muito mais grave. Lamento profundamente este empenho de vocês em atacar um homem já destituído do poder, ajudando um grupo muitas vezes pior e que agora, com uma boa ajuda da imprensa, está mais forte do que nunca.
Ricardo Malta
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