PRESÍDIOS
PCC, a velha novidade

Coberturas de rebeliões tornaram-se repetitivas. Jornalistas apenas elencavam siglas de organizações que disputavam o controle de presídios sem o cuidado de compreender a estrutura de cada uma elas, os líderes, os objetivos. Muito antes da recente "velha novidade" do PCC, não causou o debate que seria de se esperar quando o então secretário de Segurança do Rio de Janeiro, Hélio Luz, declarou à revista Caros Amigos de outubro de 1998 que não existia o Comando Vermelho, cuja sigla até hoje se espalha pelo Brasil.

Mas, após anos de discussão sobre a banalização da violência, enfim encontramos exemplos precisos de que o fenômeno também atinge os responsáveis pelo jornalismo policial. Não apenas mostram de modo sensacionalista os fatos, sem respeito algum aos direitos dos réus nem à privacidade das vítimas, mas nem se permitem o esforço de investigar o que mostram, pois já que rebeliões são constantes, por que deveriam conhecer os seus líderes? Basta repetir o número de feridos, imagens de mães e esposas chorando, debates sobre envolvimento da cantora (?) Simonny com o PCC, sem que expliquem exatamente o que é o PCC, quem são seus líderes, em que presídios se encontram. Seria esta a real notícia, não apenas uma coletânea de números repetidos burocraticamente a cada nova rebelião.

Sérgio Coutinho



JORNAL AMORDAÇADO
Soco no estômago

Acabo de ler – estarrecido – a matéria sobre o Debate. Como jornalista, declaro que poucas vezes fiquei tão perplexo com um texto. É o retrato da sociedade em que vivemos. Como advogado, fiquei decepcionado. Não é de hoje que defendo uma revisão dos conceitos de poder outorgados (há centenas de anos) pela sociedade. Como professor universitário (da cadeira de Ética e Legislação), fico indignado. Não bastam provas. Somos animais indefesos diante do "Poder Constituído". Como cidadão, tenho nojo não apenas dessa situação, mas do total marasmo em que somos obrigados a viver. É triste o quadro, mas é a realidade. É por "exemplos" como o narrado que cada dia mais ouço jovens (nas escolas, na praia etc.) falando de "como era bom com os militares". Detalhe: muitos sequer viveram aquela época, mas têm uma "lembrança" familiar "positiva". Sinto-me como vítima de um soco. Na "boca" do estômago. Dói.

Marcelo Pavão de Freitas, por fax



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Gustavo de Mauro Faverão



Não se queixem

A propósito da matéria "Um juiz contra um jornal", de autoria de Sérgio Fleury Moraes, penso que se trata de um grito de um desesperado. De alguém que, no passado, por desconhecer os limites de sua atuação como jornalista, cometeu excessos. Advirto que não o conheço, como não conheço o tal juiz tido pelo autor da matéria como seu perseguidor implacável. Ora, bolas. A ação judicial é um direito previsto na Constituição da República. Formado o processo, o réu tem garantida a ampla defesa, com o uso de todos os recursos a ela inerentes. Imaginar que um juiz possa influenciar os tribunais em suas decisões ou revisões é laborar em manifesto equívoco. O próprio autor da matéria confessa que foi beneficiado com a redução do montante da indenização a que foi condenado a pagar ao juiz ofendido em sua honra. Tais posicionamentos pretorianos servem, no mínimo, para, a meu ver, mostrar que tudo tem limites. Inclusive a atividade jornalística. Do contrário estaremos perto do caos. Denúncias pessoais sem provas? Reportagens sensacionalistas sem cabimento? Publiquem-nas. Continuem publicando-as. Mas não se queixem depois!

Borges Faria



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PCC, a velha novidade – Luiz Egypto

Um juiz contra o Debate – Sérgio Fleury Moraes



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