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MÍDIA & CRENÇAS
Atletas "de Cristo"
Li no site o artigo "O ateísmo como direito", de Eugênio Bucci, de quem sempre leio idéias sensatas e pertinentes sobre a mídia, principalmente a televisão, porém gostaria de demonstrar minha insatisfação com relação a este artigo.
Quando um jogador se utiliza de um momento de exposição na mídia para professar sua fé ele está exercendo um direito que lhe foi conferido: o de expressar quem é, o que pensa e em que crê. Não acredito que isso seja uma ofensa àqueles que pensam diferente ou têm outra opção religiosa, pois, se assim o fosse, qualquer um que fizesse algum comentário ou crítica sobre qualquer assunto estaria também agredindo o direito do que pensa diferente.
O que estes jogadores fizeram não foi nada além de mostrar ao Brasil e aos países que assistiam à Copa algo em que eles acreditavam e que, para exibir no peito por baixo da cobiçada camisa da seleção brasileira de futebol, só pode ter mesmo um significado muito importante para eles. (...)
Wagner Guimarães, professor
Os chavões e o caos
Quanto ao texto "O professor, os chavões e o caos", gostaria de dizer ao seu autor, o senhor Claudio Julio Tognolli que ele comete alguns equívocos. Um deles referente ao "wu-wei" que, diferentemente do que ele afirma, é um princípio de não-resistência aos princípios da natureza. A natureza (como já afirmou Heráclito) é um eterno "vir a ser", uma constante mudança, e ignorar esse princípio é fadar-se a problemas. O segundo equívoco se refere ao "princípio de incerteza" que diz que quando determinamos a posição de uma partícula não podemos determinar sua velocidade, e quando sabemos sua velocidade não podemos determinar sua posição – esse é o princípio que rege a tal "Incerteza" (e que se confunde com caos), e não a característica dual da matéria, a de se comportar como onda e partícula ao mesmo tempo. (...)
A despeito desses equívocos o texto em si reflete uma realidade e é recheado de uma lucidez interessante dada a meticulosa análise dos fatos que influenciam a cultura atual, constituindo-se num grande serviço prestado à comunidade.
Vinícius M. Simões, estudante de Engenharia Elétrica na Universidade Estadual de Londrina
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O professor, os chavões e o caos – Claudio Julio Tognolli
Claudio Julio Tognolli responde
Caro, não há equívocos no texto. Não citei a sr. Capra e o seu Tao da Física porque, no estudo de ideologia das ciências, digo estudo acadêmico, o sr. Capra é tido como um enfant gatê. Seu livro, na linha de Niels Bohr, Pauli, Joseph Needham e do "budismo Mahayana" de Ashvaghosha (século I), é uma defesa do neoliberalismo e do liberalismo. Trata-se de vagidos da escola de Copenhague, cuja ligação com místicos como Madame Blavatsky é comprovada. Antes de estudar o Taoísmo, o sr. deveria ver o porquê de o Confucionismo (uma teoria da ação) ter sido banido da propaganda que Império Britânico fazia da China...
O "wu wei" a que o sr. se refere, ou teoria da não-ação, interessava à ideologia liberal britânica, posto fosse uma ideologia que pregava a não-ação – ou seja, deixe as coisas como estão porque elas se arrumam sozinhas (o que é igual ao laissez-faire ou à "mão invisível do mercado liberal"). Nesse sentido, num estudo acadêmico, universitário, vemos que a obra do sr. Capra não passa de um anelo do neoliberalismo bretão. Não é para menos que o príncipe Charles e seus séquitos militam em organizações de preversação da natureza: preservemos a natureza nos países de terceiro mundo e que fiquem como exportadores de matéria-prima... isso se chama antidesenvolvimentismo!
Para alargar a discussão, aconselho que o sr. leia algo sobre ideologia das ciências, como por exemplo o texto de Michael Billington "The taoist perversion of twentieth century science"( revista Fidelio, EUA, p.76, setembro de 1993) ou mesmo The metaphysical foundations of modern phisycal science, de Edwin Burtt. No último livro de Franco Selleri há também um capítulo dedicado a Bohr, intitulado "Niels Bohr e o oculto" (CJT)
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